O governo vai apresentar um voto em separado na CPI do Apagão Aéreo no Senado para tentar livrar de possível indiciamento nove pessoas, oito delas ligadas à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e uma à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O voto em separado, a ser apresentado ainda nesta quarta-feira (31) pela base do governo, prevê que sejam excluídos do relatório final feito pelo relator Demóstenes Torres (DEM-GO), entre outros o ex-presidente da Infraero, deputado Carlos Wilson (PT-PE), e o procurador da Anac, Paulo Roberto Araújo.

O relatório final da CPI pede o indiciamento de 23 pessoas, 21 ligadas à Infraero e duas à Anac. Além de Paulo Roberto, Demóstenes sugere o indiciamento da ex-diretora da agência, Denise Abreu. A votação do relatório final foi adiada por duas vezes. Uma na semana passada e a outra ontem. Na semana passada, o adiamento se deu por pedido de vistas feito pelo senador João Pedro (PT-AM).

Ontem, a transferência da votação ocorreu atendendo a um apelo de senadores governistas que alegaram problemas de vôo para chegar em Brasília. O fato é que dos três parlamentares que pediram o adiamento – Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Wellington Salgado (PMDB-MG) – apenas Salgado não estava em Brasília.

Nesta quarta-feira, o líder dos Democratas, José Agripino Maia (RN), pediu novo adiamento, desta vez argumentando que o PDT cederá sua vaga aos DEM e que era preciso quorum completo para a votação do relatório final. O presidente da CPI, Renato Casagrande (PSB-ES) indeferiu o pedido.

Além da exclusão de Carlos Wilson e Paulo Roberto Araújo, o governo quer tirar do relatório de Demóstenes os nomes de Fernando Brendaglia, Eleuza Therezinha, Marcia Chaves, José Wellington Moura, Marco Antonio Oliveira, Aristeu Chaves Filho, e Eurico Loyo. O governo quer a inclusão na lista de possíveis indiciados, a empresária Silvia Pfiffer e José Oliveira Sobrinho.