Dinheiro

Desenrola 2.0 promete alívio para superendividados, mas sob um preço salgado

Imagem mostra um casal em uma mesa com muitas dívidas e boletos. Ele está com a mão na cabeça e a mulher segura papeis ao lado de uma calculadora.
Foto: DepositPhotos

O novo programa Desenrola, chamado de Desenrola 2.0, deve ser anunciado nos próximos dias. O Desenrola 2.0 permitirá o uso do FGTS para renegociar dívidas, um preço salgado visto que o FGTS prioritariamente tem outras aplicações. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a informação após reuniões com banqueiros em São Paulo nesta segunda-feira. O programa pretende reduzir a inadimplência no país, com foco em dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor e cheque especial.

Será possível usar todo o saldo do FGTS para pagar dívidas?

Não. Haverá um limite para o uso do FGTS no programa. Segundo o ministro Durigan, será permitido apenas um percentual do saque, vinculado ao pagamento das dívidas renegociadas. O valor sacado não poderá ser maior que a própria dívida. A medida busca proteger o fundo enquanto ajuda as famílias endividadas.

Quais tipos de dívidas poderão ser renegociadas no Desenrola 2.0?

O programa vai focar em três tipos de crédito considerados mais caros: cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial. Essas modalidades cobram juros que variam entre 6% e 10% ao mês, tornando difícil para as famílias saírem do ciclo de endividamento. O objetivo é oferecer condições melhores de pagamento.

Qual será o desconto oferecido nas dívidas renegociadas?

O ministro Durigan estima que os descontos podem chegar até 90% do valor da dívida. Além disso, as taxas de juros na renegociação serão muito menores que as praticadas atualmente nesses três tipos de crédito. Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil que cresceria para R$ 11 mil no mês seguinte poderá ser quitada com condições bem mais favoráveis.

Quantas pessoas devem ser beneficiadas pelo novo programa?

A expectativa do governo é atingir dezenas de milhões de pessoas pelo país. No primeiro programa Desenrola Brasil, lançado em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas foram beneficiadas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas. O novo programa contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações para viabilizar as renegociações.

O Desenrola será um programa permanente do governo?

Segundo o Ministério da Fazenda, não. O ministro ressaltou que o programa é uma medida pontual e excepcional, e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de iniciativa. Segundo Durigan, o governo está respondendo a uma situação excepcional, com impactos de fatores externos como guerras, mas não se trata de um programa de renegociação recorrente como um Refis periódico.

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