Brasilia (AG) – O governo Lula decidiu sair da defensiva e está reunindo documentos para demonstrar que o governo anterior, do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), também teria responsabilidade no escândalo Gtech-Caixa: a prorrogação, por 25 meses, do contrato da Caixa Econômica Federal com a multinacional. O ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz é suspeito de ter tentado favorecer a Gtech na operação.

A documentação que integrantes do governo e da administração da Caixa estão reunindo indica que políticos e autoridades ligados ao PSDB e ao PFL podem estar mais implicados no caso do que sugere o discurso ético que seus líderes adotaram. Um destes documentos é a “Resolução do Conselho Fiscal da Caixa” de setembro de 2000.

A ata da reunião de diretoria de número 1.472, de 25 de maio de 2000, afirma: “O novo contrato assinado em 25 de maio de 2000 não contou com o parecer jurídico da Caixa… Por outro lado o valor mencionado na ata 1.472 (R$ 688,90 milhões) não é transparente no novo contrato”.

Esta resolução sugere que a direção da Caixa deveria ter seguido orientação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do parecer da Azevedo Setta Advogados e “declarar a rescisão do contrato atual e proceder a contratação provisória da Gtech”. Quando esta sugestão foi feita, o presidente da Caixa era Emílio Carazzai, indicado pelo então vice-presidente da República, Marco Maciel.

O TCU já havia condenado o ex-presidente da Caixa Sérgio Cutollo, nomeado pelos tucanos, e outros cinco funcionários a ressarcirem a instituição em R$ 91,9 milhões. A condenação se deveu à prática de 33 irregularidades encontradas pelo tribunal na assinatura do primeiro contrato, em julho de 1997.