Os responsáveis pelo desenvolvimento da vacina russa Sputnik V contra o novo coronavírus pretendem usar o Brasil, além de Índia, Coreia do Sul e Cuba, para expandir a produção e exportação das doses. Atualmente, a Rússia tem capacidade de produzir 500 milhões de doses por ano. A vacina russa vem sendo criticada pela comunidade científica mundial por não passar por todas as etapas de testes antes de ser aplicada na população.

A declaração de que o Brasil pode ser um pólo de produção e exportação da Sputnik V foi dada pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia (FIDR), órgão do governo que financiou a pesquisa da vacina. Na próxima semana, a Rússia começa a aplicação das doses. Serão 40 mil pessoas que vão ser vacinadas.

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No Brasil, o governo do Paraná já tem acordo firmado com a Rússia para pesquisar, produzir e distribuir a vacina pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Quarta-feira (19), o governador Ratinho Jr afirmou que o governo de Vladimir Putin pretende mandar doses da vacina para cidadãos russos que vivem no Brasil agora no mês de outubro.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Ratinho Jr ressaltou a confiança na vacina russa, mesmo com a comunidade científica fazendo duras críticas à Sputnik V pelo fato de ela não passar por todas as etapas de testes. “A Rússia tem um histórico de inteligência muito grande e de eficiência nesta área de bioquímica e biologia”, afirmou o governador. No Brasil, a vacina só vai ser aplicada após passar por todos os testes exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Questionado sobre a capacidade de produção da vacina para atender a demanda, Kirill Dmitriev, diretor-presidente do FIDR respondeu que a solução será recorrer a países estrangeiros. “Estamos vendo que o fator-chave é a produção da vacina em outros países. E vou aqui destacar Índia, Brasil, Coreia do Sul e Cuba. Eles têm potencial para produzir a vacina e servir de hub, de base, para a produção”, disse o diretor.

Testes

Dmitriev também afirmou que os responsáveis pela vacina já possuem os resultados dos testes clínicos das fases 1 e 2, mas que esses dados só serão compartilhados com os países “parceiros”. A fase 3, quando a vacina é testada em humanos, é justamente a etapa não cumprida na fase de pesquisa da Sputnik V.

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“Temos contato com os embaixadores de vários países sobre a exportação. Já temos a informação sobre as primeiras fases dos testes e vamos divulgar essas informações para os ministérios da saúde dos países parceiros que mostram interesses”, disse.
“Quem mostrar interesse, vai receber as informações sobre a vacina. Claro que vamos priorizar os países que mostram maior interesse”, reforça Dmitriev.

Os pesquisadores russos também adiantaram que pretendem fazer alguns testes clínicos fora de seu país, como na Arábia Saudita e “talvez” no Brasil. No entanto, não ficou claro se esses testes fariam parte da aplicação da vacina nos 40 mil voluntários.


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