Foi por influência de seus primos – Paulo e João Buso – que já pilotavam carreteiras, que o curitibano Plínio Meider Magrin começou a se interessar, por volta de 1958/59, pelas competições automobilísticas.

Isto quando Magrin, filho de Evaristo e Vitória Magrin e formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Paraná em 1953, contava com apenas 21 anos de idade.

Foi então que Plínio adquiriu um automóvel Ford 1937 cupê que, segundo ele não oferecia boas condições para ser colocado em corridas, pois, apesar de ter o sistema de freios à varão já substituído por um sistema hidráulico, era ruim de freio.

Vendeu esse carro e comprou um Ford 1940 cupê também que, na época, era o automóvel mais utilizado pelos pilotos de carreteira. Aí sim, colocou no novo carro um motor Ford V8 modelo 8BA, rebaixou os cabeçotes originais, aliviou ao máximo o peso do volante da gremalheira, montou um diferencial mais longo com relação 11/39 e ingressou nas corridas na categoria Turismo que, como se recorda, tinha regulamento que não permitia maiores modificações na carroçaria e na mecânica do veículo como acontecia com a categoria Força Livre, das legítimas carreteiras. Quanto ao câmbio, permaneceu o original do Ford 1940, com três marchas à frente.

“O mecânico preparador do meu carro – diz Plínio Magrin – era o próprio João Buso, que possuía oficina na rua Alferes Poli esquina com avenida Guaíra, hoje avenida John Kennedy, em Curitiba.

Lembro-me bem – acrescenta Magrin hoje aos 75 anos de idade – que tinha boa amizade com Oscar Horst, dono da loja de auto-peças Tabor, que me fornecia as peças de reposição e os pneus que precisasse mas, que fazia uma exigência: nada de propaganda da loja na carroçaria do carro, a fim de evitar que outros pilotos de carros de corrida pedissem patrocínio a ele.

Enchia o tanque com gasolina de avião vendida pelo senhor Inocêncio, no hangar do Aeroclube, aeroporto do bairro do Bacacheri e aos sábados à tarde ia treinar na pista do circuito da vizinha cidade de São José dos Pinhais, no chamado “Chiqueirinho”, preparando-me para as corridas, tendo ao lado a minha esposa Ilze.”

Na sua primeira prova oficial, em 1960, na categoria Turismo, quando conseguiu o quarto lugar, Magrin competiu com pilotos que depois se tornaram famosos na categoria das carreteiras, tais como Miroslau Socachewski, Altair Barranco e Germano Schlögl, êste, o mais perfeito piloto de carreteira que conheceu.

Além do “Chiqueirinho”, competiu no circuito do Asilo (rua Mal. Floriano Peixoto), em Curitiba. “Numa prova em Porto Alegre /RS – fala Magrin – assisti o extraordinário piloto e preparador argentino João Galvez chegar com sua carreteira em cima de uma camioneta furgão e anunciar numa rádio local que venceria a corrida, competindo com os melhores pilotos e carros gaúchos. Já na terceira volta pegou a ponta para não perde-la mais.”

Na sua trajetória como piloto de carros de corrida, o que mais marcou a vida desse curitibano, que gosta de automobilismo até hoje, foram as amizades que angariou, as quais conserva até hoje com satisfação. Nos flagrantes, Plínio Magrin e o seu Ford (com direito a pneus faixa-branca!).

Ari Moro