O Seminário de Patrimônio Imaterial Cidade de Curitiba, que acontece nos dias 1 e 2 de setembro, no Centro de Criatividade de Curitiba, espaço da Prefeitura Municipal, reúne os três projetos de Patrimônio Imaterial selecionados por meio de edital do Fundo Municipal da Cultura, além de apresentar um levantamento inédito das manifestações culturais organizadas de Curitiba. Com temas que remetem às memórias, celebrações e ao cotidiano da capital do Paraná e de sua população, o seminário apresenta um pequeno recorte dos bens imateriais da cidade. O seminário começa às 9h, no sábado, e às 10h, no domingo. A entrada é franca.
Na definição da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, patrimônio imaterial são expressões, conhecimentos, práticas, representações e técnicas, além de instrumentos, objetos, artefatos e lugares que as comunidades reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Dentro dessa definição, o seminário sobre o Patrimônio Imaterial de Curitiba, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba, mostra trabalhos sobre o centro da cidade, manifestações religiosas e memórias circenses.
Circo e religião
Outro trabalho que integra a programação do seminário é de autoria de Luciana de Morais, historiadora e cientista social que mapeou 83 terreiros de umbanda em Curitiba. "O trabalho mostra um pouco da diversidade dos terreiros e as suas denominações. Os discursos são distintos e encontramos desde terreiros pequenos, que atendem cinco pessoas e trabalham somente com consultas, até aqueles que recebem 1.500 pessoas e realizam trabalhos aqui – como as giras – e nas praias, em datas comemorativas", diz Luciana.
O mapeamento revela que a Regional do Boqueirão é a que possui maior concentração de espaços umbandistas. Um pouco do trabalho da historiadora pode ser visto no documentário "Para ver a Umbanda passar: do esquecimento à lembrança", do diretor Luciano Coelho. O cineasta acompanhou a visita aos terreiros e no documentário de 60 minutos apresenta oito espaços, selecionados pela diversidade e pela representação. "A umbanda é uma religião que sofre com muito preconceito e trabalha com rituais de muita alegria. Curitiba é uma das capitais que mais tem terreiros e a população não sabe disto", diz historiadora.
Cotidiano em fotos
Lina dispõe hoje de um rico acervo documental sobre Curitiba, que está à disposição do público no site que ela mantém e atualiza – www.olhodarua55.com. A fotógrafa acrescenta às imagens pequenas crônicas, nas quais expõe suas impressões pessoais sobre determinadas cenas. A pesquisa visual é delimitada geograficamente, mas abrangente em termos de conteúdos.
Nessa reflexão sobre a cidade, Lina Faria divide sua pesquisa em temas como "A vida no vermelho", em que retrata as pessoas que vivem e trabalham em situações de risco; "Pentimentos", pinturas que, em ruínas, ainda sobrevivem ao tempo; "As mocinhas da cidade", que são as cariátides (rostos femininos esculpidos nas fachadas dos edifícios neoclássicos) curitibanas; e a Rua das Flores em suas 24 horas de atividades.
Levantamento inédito
– Além dos trabalhos selecionados pelo Fundo Municipal da Cultura, a programação do Seminário apresenta um levantamento inédito das manifestações culturais organizadas de Curitiba, dividido em três – O trabalho "No Olho da Rua e na Rua do Olho", da fotógrafa Lina Faria, traça um amplo painel fotográfico da vida no centro de Curitiba. A fotógrafa fez uma "imersão" no universo urbano, quando alugou um apartamento no centro da cidade para retratar o entorno do Marco Zero. O resultado é uma importante documentação que capta a história e as transformações da cidade por meio da rotina dos moradores, freqüentadores, trabalhadores do centro, arquitetura, paisagens urbanas e recantos. – O escritor e jornalista Luiz Andrioli fará a palestra "Circo e a Cidade – Histórias do grupo circense Queirolo em Curitiba", antecipando o livro que está escrevendo sobre a relação dessa importante família circense com a história curitibana.