Circo e religião
Outro trabalho que integra a programação do seminário é de autoria de Luciana de Morais, historiadora e cientista social que mapeou 83 terreiros de umbanda em Curitiba. "O trabalho mostra um pouco da diversidade dos terreiros e as suas denominações. Os discursos são distintos e encontramos desde terreiros pequenos, que atendem cinco pessoas e trabalham somente com consultas, até aqueles que recebem 1.500 pessoas e realizam trabalhos aqui – como as giras – e nas praias, em datas comemorativas", diz Luciana.
O mapeamento revela que a Regional do Boqueirão é a que possui maior concentração de espaços umbandistas. Um pouco do trabalho da historiadora pode ser visto no documentário "Para ver a Umbanda passar: do esquecimento à lembrança", do diretor Luciano Coelho. O cineasta acompanhou a visita aos terreiros e no documentário de 60 minutos apresenta oito espaços, selecionados pela diversidade e pela representação. "A umbanda é uma religião que sofre com muito preconceito e trabalha com rituais de muita alegria. Curitiba é uma das capitais que mais tem terreiros e a população não sabe disto", diz historiadora.
Cotidiano em fotos
Lina dispõe hoje de um rico acervo documental sobre Curitiba, que está à disposição do público no site que ela mantém e atualiza – www.olhodarua55.com. A fotógrafa acrescenta às imagens pequenas crônicas, nas quais expõe suas impressões pessoais sobre determinadas cenas. A pesquisa visual é delimitada geograficamente, mas abrangente em termos de conteúdos.
Nessa reflexão sobre a cidade, Lina Faria divide sua pesquisa em temas como "A vida no vermelho", em que retrata as pessoas que vivem e trabalham em situações de risco; "Pentimentos", pinturas que, em ruínas, ainda sobrevivem ao tempo; "As mocinhas da cidade", que são as cariátides (rostos femininos esculpidos nas fachadas dos edifícios neoclássicos) curitibanas; e a Rua das Flores em suas 24 horas de atividades.
Levantamento inédito
– Além dos trabalhos selecionados pelo Fundo Municipal da Cultura, a programação do Seminário apresenta um levantamento inédito das manifestações culturais organizadas de Curitiba, dividido em três – O trabalho "No Olho da Rua e na Rua do Olho", da fotógrafa Lina Faria, traça um amplo painel fotográfico da vida no centro de Curitiba. A fotógrafa fez uma "imersão" no universo urbano, quando alugou um apartamento no centro da cidade para retratar o entorno do Marco Zero. O resultado é uma importante documentação que capta a história e as transformações da cidade por meio da rotina dos moradores, freqüentadores, trabalhadores do centro, arquitetura, paisagens urbanas e recantos. – O escritor e jornalista Luiz Andrioli fará a palestra "Circo e a Cidade – Histórias do grupo circense Queirolo em Curitiba", antecipando o livro que está escrevendo sobre a relação dessa importante família circense com a história curitibana.


