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“Samba”, de Di Cavalcanti, é destruída após incêndio no Rio

Obra do pintor brasileiro estava em posse do colecionador Jean Boghici

Peritos da Defesa Civil e técnicos da empresa de seguros iniciaram na manhã de hoje uma avaliação dos danos causados pelo incêndio no apartamento do colecionador Jean Boghici.

O fogo começou no início da noite de ontem e atingiu o primeiro pavimento do dúplex localizado na rua Barata Ribeiro, em Copacabana, zona sul do Rio. A pintura “Samba”, de Di Cavalcanti, foi destruída pelo fogo. A lista com as outras obras danificadas, no entanto, ainda não foi divulgada.

A família de Boghici ainda não teve acesso ao apartamento, que acabou interditado após o incidente. O incêndio ocorrido na noite de ontem na cobertura do marchand e colecionador Jean Boghici deixou em estado de alerta o mercado de arte brasileiro.

Dono de uma galeria em Ipanema, ele mantinha em seu apartamento um acervo com pinturas de Tarsila do Amaral, Milton Dacosta, Cícero Dias, o quadro “Samba” de Di Cavalcanti, e outras dezenas de obras emblemáticas, brasileiras e estrangeiras.

Até as 22h desta segunda, ainda não se sabia a extensão dos estragos. Segundo os bombeiros, a família de Jean estava em casa quando o fogo começou, mas conseguiu escapar das chamas. Dois gatos morreram.

Diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, Jones Bergamin classifica o acervo de Boghici como “a mais valiosa coleção particular de arte brasileira”.

Repercussão

“Não dá para calcular o valor das obras de Boghici. É algo na ordem de centenas de milhões de reais. Um pintura como ‘Samba’, de Di Cavalcanti, por exemplo, não tem preço”, disse Jones, em entrevista por telefone, com a voz trêmula.

Nascido na Romênia, Boghici, 84, desembarcou no Rio, em 1949, e virou uma referência no mercado de arte da cidade, como galerista e colecionador. Ivo Mesquita, diretor-técnico da Pinacoteca do Estado de São Paulo, chegou a ver de perto a coleção de Boghici. “Cheguei a visitar duas vezes o apartamento dele. É uma coleção valiosíssima, formada por artistas-chaves para a arte brasileira. E o Jean ajudou a construir a história de muitos desses nomes. É um homem que ajudou a consolidar o circuito de arte no país”, avaliou Mesquita, que recebeu a notícia quando participava da inauguração de uma exposição na segunda no Rio.

Amiga de Boghici, a curadora Vanda Klabin estava atônita diante da possibilidade de destruição das obras. “Ele estava separando uma boa parte das obras na casa dele para o MAR [Museu de Arte do Rio, com inauguração prevista para setembro]”, disse Vanda.

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