Quem nunca teve que lidar com algum tipo de mentira, às vezes daquelas até mais simples, para não acabar com uma amizade, ou daquelas mais pesadas, para esconder algo ou até mesmo para proteger a nós mesmos? Esse é o assunto da peça A Mentira, com Miguel Falabella e Zezé Polessa, que chega a Curitiba neste sábado (30) e domingo (1), no Teatro Guaíra. O espetáculo ainda tem os atores Karin Hils e Frederico Reuter no elenco.

A Mentira é uma comédia sobre a arte de esconder. Na história, Alice [Zezé Polessa] surpreende o marido de sua melhor amiga com outra mulher, o que cria um conflito: ela deve ou não contar à amiga o que viu? Seu marido, Paulo [Miguel Falabella], tenta convencê-la a esconder a verdade. Mas essa mentira é para defender o amigo ou ele também tem algo a esconder?!

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“A peça trata exatamente dessa coisa do comportamento para manter uma situação confortável, mas aquele conforto humano, não ético. A mentira num relacionamento para você não desestabilizar aquilo, porque o que nós vemos, na verdade, são personagens que querem ter o controle da situação controlando os outros”, explicou Zezé Polessa à Tribuna do Paraná.

Segundo a atriz, o texto busca uma proximidade do real. “De situações verdadeiras e de comportamentos que a gente reconhece em nossa sociedade, com o foco no casamento. São dois casais e nessa coisa de contar ou não que viu o amigo beijando outra, a história se desenvolve. É uma situação de comédia mesmo, ele vai ficando em pânico porque não quer que conte e as coisas vão aparecendo ao longo da peça”.

Como em qualquer peça de teatro, o público é sempre muito importante, mas Zezé disse já ter percebido que em A Mentira, as pessoas participam até sem que percebam. “O público vai acompanhando e vai entrando naquele labirinto, nos meandros de mentira. Nunca vi plateia tão atenta e tão ligada. A gente percebe que as pessoas estão sendo envolvidas a acompanhar a trama, até mesmo pelas reações que ouvimos do palco, é demais”, comentou.

Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.
Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.

Teatro e suas experiências

Aos 66 anos, Zezé Polessa é uma atriz que já teve a chance de desenvolver, ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, papeis de diferentes tipos, seja na TV ou nos palcos dos teatros. Apesar disso, fazia tempo que não contracenava com Miguel Falabella, o que para ela é também um presente. “Fui dirigida por ele em algumas peças, em cena nós fizemos mais coisas juntos quando formamos o grupo. Fiz novelas dele, escritas por ele, trabalhei em programa de TV escrito por ele, mas em cena fazia muito tempo mesmo, ainda mais como um casal. Está sendo maravilhoso”.

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Para a atriz, poder trazer um pouco de cultura às pessoas, ainda mais num momento tão crítico como o que estamos enfrentando nos últimos anos, é cumprir com seu objetivo de vida. “É uma peça que, nesse momento, não estamos fazendo para levantar bandeira política, social e tal, estamos fazendo uma peça de muita qualidade, uma montagem que nos preparamos muito. Pensamos que as pessoas estão precisando de coisas boas, bonitas, que vejam a beleza, a necessidade e a importância do teatro, nem que não seja necessariamente falando de uma situação política”.

Zezé considera que as pessoas deveriam valorizar cada vez mais o teatro, simplesmente por ser um trabalho de gente feito para gente. “É por isso que se faz importante que se mantenha, que exista. Essa nossa peça, por exemplo, é um tipo de peça que respeita, apoia e precisa da presença ativa do público, da inteligência das pessoas para acompanhar aquele emaranhado, pois são quatro personagens num labirinto. Ao mesmo tempo é quase que uma metalinguagem do teatro dentro do teatro e no final tem uma brincadeira com isso. É um louvor ao teatro”.

Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.
Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.

Chances únicas!

A Mentira, que foi escrita por Florian Zeller e adaptada e dirigida por Miguel Falabella, que também atua como protagonista, deve percorrer o país depois de Curitiba, por isso os dois dias em cartaz podem ser considerados chances únicas. “Confesso que estou muito feliz em poder ir a Curitiba, pois minha última ida foi há uns três anos e senti uma emoção gigante. É uma cidade que tem uma característica parecida com São Paulo, com um público mais exigente, que tem mais experiência com o teatro, é um público que é criado vendo teatro, então é mais importante ainda para a gente”.

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A grosso modo, a narrativa de A Mentira abre um diálogo instigante sobre fidelidade, honestidade e a realidade da monogamia em casamentos, conseguindo momentos tensos de mentiras – ou confissões acidentais – que fazem a audiência prender sua respiração, dosados habilmente com momentos de grande comédia. Os ingressos, para sábado ou para o domingo, custam a partir de R$65 e são vendidos pelo Disk-Ingressos.

Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.
Foto: Gustavo Arrais/Divulgação.

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