Dona de si, de sua carreira e de uma voz incrível. Assim poderíamos definir Roberta Sá, que construiu sua música com o mérito de um trabalho que amadureceu e com sua própria verdade. A cantora, que já tem mais de 15 anos de carreira, se apresentou neste sábado (18) no Teatro Sesi, em Curitiba, num projeto que vai fazer com que as mulheres estejam em evidência.

Com um estilo próprio, que mistura o samba com um pouco do que aprendeu a capturar com suas experiências musicais tão vastas, Roberta disse gostar da fama de Curitiba ser mais exigente musicalmente falando. “Acho ótimo isso. O público tem que ser exigente mesmo, tá pagando ingresso, tem que receber uma coisa linda e o artista tem que ter essa consciência de que o público está ali para receber o melhor possível. Adoro vir pra cá, Curitiba é uma cidade que está sempre no meu mapa de afeto e estou muito feliz em passar por aqui com esse show, ainda que no fim da turnê”.

Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Lucas Sarzi.

A cantora, que prepara um disco inédito para o ano que vem, com músicas também inéditas de Gilberto Gil, atualmente trabalha na fase final de sua turnê “Delírio no Circo“, derivada de seu último disco, que leva o mesmo nome. Para Roberta, esse último trabalho traz o seu lado mais maduro, assim como deve ser naturalmente. “Amadurecer é a vantagem de envelhecer. Foi meu trabalho mais maduro sim, mas muito por estar mais a vontade no palco, com minha banda, na minha pele, gostando mais de quem eu sou”, disse ela.

Citando a frase de Moreno Veloso: “minha imperfeição é a voz da vez” como lema de sua vida atualmente, Roberta contou à Tribuna do Paraná que quase seguiu no jornalismo, sua formação inicial, e disse que nunca pensou em ser cantora. “Sequer ousava querer ser cantora. Pensava que trabalharia com cultura. No fim das contas, a música sempre foi minha grande paixão”.

Elas em evidência

Em Curitiba Roberta se apresentou num projeto do Sesi Música, que vai trazer somente mulheres neste segundo semestre de 2018. Antes da cantora de Natal, no Rio Grande do Norte, Zizi Possi também se apresentou por aqui. “Acho que estamos numa fase em que estão percebendo a importância de corrigir algumas minorias, alguns desprivilégios, e acho que a mulher está dentro desse contexto. É preciso mostrar o trabalho das mulheres, o valor que essas mulheres têm na música, que são compositoras, são artistas e têm tanto valor quanto os homens”, comentou Roberta.

Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Lucas Sarzi.

A cantora, que ganhou o país depois de se mostrar uma das vozes mais bonitas do extinto programa Fama, da Rede Globo, em 2002, disse que cada vez mais se faz necessário que as oportunidades sejam igualadas.”Porque existe sim um desequilíbrio de oportunidades. Por isso se faz importante um projeto que reverencie e ilumine essas artistas tão importantes. Não que os homens não sejam, temos muitos homens incríveis e talentosos, mas é só uma questão de equilíbrio”.

A analista de cultura do Sesi, Vilma Ribeiro, que também é cantora, disse que a ideia é trazer nomes de diferentes gerações e estilos. “E dedicar o olhar da curadoria para artistas mulheres é ouvir algo que está cada vez mais potente dentro de todas as áreas de trabalho. A escolha por estilos diferentes não é tarefa fácil, porém é possível identificar que é uma iniciativa que pode proporcionar espaço para tantas outras artistas”, explicou. Veja a entrevista completa:

Próximo show

Vilma, que foi a criadora da banda de reggae Namastê, explicou que o projeto também vai fazer conexões entre artistas paranaenses com outros nomes nacionais como forma de fazer com que mais gente conheça o que é feito por aqui também. “Fazer este conteúdo ser conhecido, divulgado e apreciado é de extrema importância”. O próximo show, no dia 1 de setembro, vai ser da paranaense Simone Mazzer convidando a paraense Fafá de Belém.

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