Fazer sucesso é bom e todo mundo gosta. Mas, às vezes, também cansa. Afinal, não é todo dia que os atores estão dispostos a parar o que estão fazendo para dar atenção ao público, tirando fotos ou dando autógrafos. Por isso mesmo, muitos aproveitam as férias para viajar ao exterior. O que alguns parecem esquecer, no entanto, é que as novelas brasileiras já foram vendidas para mais de 150 países. Em outras palavras: nem mesmo no exterior, em terras distantes como Rússia, Hungria ou Portugal, eles estão livres do sempre caloroso assédio dos fãs…

O ator Tony Ramos, por exemplo, já foi reconhecido até mesmo no Museu do Louvre, em Paris. Em 2001, ele estava passeando com a família quando foi cercado por turistas russas, que o reconheceram de Laços de Família. “Era uma verdadeira delegação!”, exagera ele, com seu habitual bom humor. Atualmente, a Rússia é um dos países que mais importam novelas brasileiras. Em recente viagem ao país, onde gravaram Começar de Novo, Giselle Itié e Erik Marmo não fizeram outra coisa senão dar autógrafos nas ruas de Moscou. “Estava saindo de um teatro quando crianças começaram a gritar ‘Eulália!’. Eu quase não acreditei”, confessa Giselle, referindo-se ao seu personagem em Esperança.

Na maioria das vezes, a abordagem é feita mesmo por gritos do nome do personagem. No hotel em que ficou hospedado na Rua 49, em Nova Iorque, Stênio Garcia cansou de ser chamado de Tio Ali por ascensoristas e camareiras. “Em menos de dois anos, O Clone já foi reprisado três vezes pela Telemundo. A novela faz o maior sucesso nos Estados Unidos”, constata, orgulhoso. Como viajou a trabalho, o ator evitou passar por certos lugares, como a Rua 46, famoso reduto de brasileiros na Big Apple. “Quando tinha de fazer algo por lá, dava a volta no quarteirão. Não posso ser descortês com o público”, justifica, sincero.

Às vezes, o preço que um ator paga, numa dessas abordagens internacionais, é um tanto alto. Priscila Fantin que o diga. Ela estava em Portugal gravando o programa de turismo Oi Mundo Afora, do GNT, quando resolveu entrevistar uma moradora da região. Por muito pouco, a tal entrevista não aconteceu… “Ela me reconheceu de Chocolate com Pimenta e ficou repetindo que eu era muito ‘mazinha’. Tive de convencê-la de que a Olga era uma personagem e que eu era totalmente diferente dela”, diverte-se Priscila, que vai interpretar Luísa na minissérie Mad Maria.

Mas não são apenas as novelas da Globo que fazem sucesso no exterior. Taís Araújo perdeu a conta dos países que visitou por conta do sucesso de Xica da Silva, da extinta Manchete. Nos Estados Unidos, onde morou por um ano a convite da Telemundo, a atriz chegou a gravar uma participação na novela Betty, a Feia, já exibida no Brasil pela Rede TV!. “Quando soube que a novela passaria por aqui, morri de vergonha. Estava enorme de gorda na época…”, exagera.

Emoção

Atualmente, a novela recordista em vendas para o exterior é Terra Nostra, já comercializada para 120 países. Durante muito tempo, o primeiro lugar no ranking das mais vendidas foi ocupado por A Escrava Isaura. No rastro do sucesso da novela, Lucélia Santos e Rubens de Falco, intérpretes de Isaura e Leôncio, visitaram diversos países, como Cuba, China e Polônia. Na Hungria, Lucélia viveu um dos momentos mais emocionantes de sua vida. Num shopping de Budapeste, ela autografaria um livro sobre a novela. Apesar de enfrentar uma forte nevasca, a população compareceu ao evento até seis horas antes do previsto. Na fila, um menino de 9 anos, cego de nascença, chamou a atenção da atriz. “Até hoje, não entendo o que aconteceu. Se ele não podia sequer me ver, como conseguiu se afeiçoar tanto a mim?”, indaga a atriz, ainda emocionada com a repercussão da personagem no exterior.

Além de autógrafos e aplausos…

Tirar fotos aqui, distribuir autógrafos ali… Nem tudo, porém, são aplausos nas viagens que os atores fazem ao exterior. Muitos deles passam por verdadeiros perrengues quando são escalados para gravar novelas em algum canto distante do planeta. Imprevistos sempre acontecem. Os 30 dias de gravação da novela Esperança na Itália, por exemplo, foram marcados por contratempos. José Mayer teve a bagagem extraviada em Roma, Eva Wilma levou um tombo nas gravações e Raul Cortez teve uma indesejada laringite.

O ator Reginaldo Faria, atualmente no ar em Cabocla, passou por maus bocados no Marrocos. Digamos que ele tenha estranhado um pouco a exótica culinária local… “O carneiro que eu comi num restaurante da capital Rabat não caiu muito bem. Fiquei desarranjado por quatro dias”, entrega. Já Stênio Garcia recorreu ao tradicional chá de hortelã, que funciona como isolante térmico, para enfrentar temperaturas, como a do Deserto do Saara, que chegam a 53º C. “Só no primeiro dia, devo ter tomado uns 20 litros”, calcula Stênio.

Até honras de chefe de Estado…

# Na República Dominicana, Taís Araújo foi recebida com honras de chefe de Estado, com direito a limusine na porta e escolta militar. “Eu me senti num filme de ação. Volta e meia, a gente pegava a contramão, com as sirenes ligadas”, relata a intérprete de Xica da Silva.

# Para Rubens de Falco, uma de suas viagens preferidas ao exterior foi à Polônia, nos anos 80s. De Varsóvia a Cracóvia, foram seis horas para fazer um percurso que, normalmente, é feito em menos de duas. “Até hoje, guardo em casa um saquinho com moedas falsas que os poloneses me deram para comprar a alforria da Isaura”, brinca ele.

# Durante o período em que protagonizou Malhação, Henri Castelli foi convidado a marcar presença na inauguração de uma boate no Japão. Numa de suas andanças por Nairóbi, o ator foi abordado por jovens nipônicas. Só depois de já ter distribuído um sem-número de autógrafos, ele sofreu uma baita decepção… “Elas me confundiram com um ator qualquer de Hollywood”, entrega, frustrado.