Depois de quatro anos afastada de projetos musicais, ela está de volta e por um motivo ainda mais especial: comemorar seus 20 anos de história. Com sua voz calma e seu jeito único, Maria Gadú conquistou público e sua trajetória permite que conduza à sua maneira a sua trajetória. É nesse ritmo, de comemoração e saudosismo, que ela se apresenta neste sábado (21), no palco do Teatro Guaíra, em Curitiba.

À Tribuna do Paraná, a cantora contou que se manteve afastada para se dedicar a um outro sonho. “Não gravei discos, não fiz shows, não quis, não queria. Me entendi hoje em outra profissão que estou estudando para praticar, a antropologia. Fico dividida nesse momento, confesso. Talvez essa tour comemorativa e o disco do ano que vem sejam meu passe para mais um longo período longe dos palcos. Estudar, mudar de hábitos, aprender o Brasil, tem sido mais urgente pra mim nesse momento”.

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Ao longo desses 20 anos, a partir do hit Shimbalaiê, que foi sua primeira composição, Gadú foi se renovando e se descobrindo. “A partir daí, desenvolvi um ofício na música. Respeito muito os vários caminhos nisso. A música não é um ofício de mão única: gravar discos, ter visibilidades extremas. Existem músicos em todos os setores e eu comemoro 20 anos atuando nessa profissão linda, fazendo o que me cabia em cada momento com a mesma intensidade. A luta é pra manter a acessibilidade à arte de pé. Em todos esses setores, e muitos estão ligados a educação, vivos”.

Para o show, Maria Gadú fez um resgate das músicas e disse que foi a parte mais legal de preparar uma turnê. “Foi delicioso. Poder fazer as canções nos arranjos originais, com as pessoas que os conceberam, é uma dadiva. Fizemos um recorte desse tempo discográfico e também das versões que arranjamos. É um show de memórias vivas”, comentou.

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Além da música, cantora está se dedicando à antropologia. Foto: Reprodução/Instagram
Além da música, cantora está se dedicando à antropologia. Foto: Reprodução/Instagram

Tocar em Curitiba, depois de tanto tempo, é sinal de que as coisas fluíram como deveriam ser. Estar no Teatro Guaíra é uma realização. “Isso é sinônimo de beleza. A gente está acostumado a ocupar lugares e transformá-los. O Guaíra tem isso. Fico feliz nesse tempo sombrio de ainda poder encostar minha colaboração em um lugar sagrado de tantas outras manifestações. Voltar a lugares é sempre construir histórias”.

Atualmente, além da turnê, Gadú trabalha em seu novo projeto, que vai vir carregado de muita mensagem, principalmente no que diz respeito ao Amazonas e os indígenas, já que tem influências do que ela aprendeu. “Sempre vivemos um conflito absurdo entre: meio ambiente/ pseudo evolução humana. O capitalismo e as facilidades que ele propõe ao longo desses anos tem destruído o planeta há tempos. Estamos vendo os resultados aparentes e nocivos disso tudo”.

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Junto com suas novas músicas, a cantora pretende, claro, protestar. “O lance é entender o Brasil verdadeiro e matriarcal. Indígena, com suas remanescentes 305 culturas diferentes, suas 274 línguas, sua subjetividade. Temos muitos biomas que estão sendo nocivamente atacados pelo consumo exacerbado, carne, plástico. O Brasil se esconde num Brasil prático e “estadunidencizado” . Nada é coincidência. Tudo vem sendo construído pela destruição. E me lembro da canção O Sal da Terra de Beto Guedes: “E quem não é tolo pode ver”. Tudo é protesto num mundo que não há respeito. Ou é floresta ou não é nada. A luta pela mãe Terra é a mãe de todas as lutas”.

A turnê Gadú 20 Anos, com apenas 30 datas, serve para matar a saudade dos fãs, contando histórias e transbordando corações. Os ingressos estão disponíveis e variam de R$50 (meia-entrada) a R$190 (inteira), de acordo com o setor. A venda é pelo Disk-Ingressos.

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