Curitiba ganhou, no último final de semana, um festival que reúne tudo que um bom curitibano gosta: motos, gastronomia, muito rock e tudo isso atrelado a um bem comum: solidariedade. Com o Festival Rock’n’ Road, a capital paranaense mais uma vez mostrou, através das pouco mais de 8 mil pessoas que foram até a Pedreira Paulo Leminski, que o gênero musical não morreu e tem ficado cada vez mais forte.

O evento tinha como objetivo reunir num único só espaço amantes do rock, motociclistas e solidariedade. Além de shows com Motorocker, Raimundos, Frejat, Marcelo Falcão e Ira!, o festival também teve exposição de motos e carros customizados e até estúdio de tatuagem para quem quis sair da Pedreira marcado para sempre. No outro palco, do Hard Rock Café, se apresentaram bandas locais que, em vários momentos do festival, chamaram muito a atenção do público.

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Foto: Divulgação.
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Antes de subirem ao palco, Raimundos atenderam a Tribuna do Paraná e se mostraram felizes com o evento, principalmente no que diz respeito a manter o rock vivo. “Sinto um certo renascimento do rock como movimento. A gente tem um dos maiores festivais do mundo, o Rock In Rio, e o dia mais lotado era o de rock, o que mostra que a conversa de que o rock acabou é furada. Estamos aqui para mostrar que isso não é verdade e que estamos em talvez um dos melhores momentos da carreira”, disse Canisso, o baixista do grupo.

Recentemente, a banda tem vivido uma turnê comemorativa pelos 25 anos do primeiro disco, gravado em 1994. Apesar disso, Canisso disse que o grupo entende que o momento é outro e que o álbum precisa ser entendido no contexto em que foi feito. “Pra você entender um álbum você precisa contextualizá-lo. Naquela época era um grito contra a censura, contra a mesmice, contra o pensamento totalitário conservador que vinha da época da ditadura e o Raimundos é uma cria do movimento do fim da censura”.

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Segundo o baixista, hoje em dia o som que era feito lá atrás pode até ser considerado ‘pesado demais’, mas que isso só faz sentido com o passado. “Hoje em dia a coisa fica meio esquisita se parar para perceber o porquê que tem tanta letra falando palavrão, de temas polêmicos, mas se você contextualizar e ver o que a gente estava passando naquela época, tem tudo a ver. No contexto atual já temos até um inconsciente coletivo que acaba censurando, é mais velada e acaba sendo uma autocensura, mas é interessante”.

Canisso disse que, nesse momento de revisitar o passado, a banda conseguiu não só se enxergar como também perceber o quanto as músicas cresceram. “Algumas músicas envelheceram bem, outras nem tanto, mas a gente tem que se adaptar. Não se pode mais fazer piada com as mesmas coisas, então acaba sendo complicado, mas ao mesmo tempo as pessoas têm que pensar nisso, no contexto de 25 anos atrás”. Veja a entrevista completa:

O show da noite!

Ele foi o terceiro a subir ao palco principal, mas com tamanha experiência podemos dizer que Frejat foi a grande cereja desse bolo do rock nacional. Transitando por vários tipos de shows diferentes, do simples voz e violão ao palco com orquestra ou banda, o músico consegue transformar cada apresentação em um momento diferente. “Isso na verdade tem sido a maior conquista do meu trabalho solo, de poder me adequar a várias situações diferentes, oportunidades diferentes e experiências musicais diferentes”, disse Frejat à Tribuna do Paraná.

Segundo o cantor, tocar ao vivo para ele é o que lhe dá gás para seguir. “Adoro mesmo, me agrada muito, e descobri que tenho várias maneiras de fazer isso. Com orquestra tem certa disciplina, voz e violão é mais livre e com banda tem uma pressão, um peso. São situações diferentes e eu gosto de todas elas, todas me satisfazem muito e é bacana ficar mudando de um para o outro, porque a cabeça não fica acostumada com nada, tem que estar o tempo todo alerta para não confundir um show com o outro. Para mim, estar na Pedreira é um prazer enorme, por exemplo”.

Frejat disse que o festival serve também para que os artistas vejam o quanto seus trabalhos podem ser atemporais. “Você saber que tem um público que gosta de ouvir as tuas coisas, curte seu trabalho, é o que dá estímulo. O artista faz porque tem que fazer, mas saber que tem uma resposta do público também te empurra muito e isso é que é o bacana”. Veja algumas fotos dos shows do palco principal:

Foto: Divulgação.
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Grana arrecadada

Com foco em alertar sobre o diagnóstico precoce do câncer, o evento mobilizou não só os adultos, mas famílias inteiras. Ao todo, a partir dos ingressos vendidos, aproximadamente R$ 400 mil foram arrecadados para o Hospital Erasto Gaertner, referência no tratamento em Curitiba. A expectativa é de que no ano que vem uma segunda edição seja realizada, mas ainda não foi divulgada a data oficial.

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