O som leve que sempre fizeram, mas de um jeito ainda mais abrasileirado. É assim que o duo OutroEu se apresenta com seu novo trabalho, o EP Encaixe, deste ano, que vem depois do primeiro disco, lançado em 2017 e que levou o nome da dupla para o país. Neste domingo (15), Mike Tulio e Guto Oliveira repetem a dose de uma passagem que fizeram no ano passado por Curitiba e num local que certamente os marcou, o Teatro Paiol. A apresentação é uma oportunidade única de ver de perto (diríamos que bem de perto) um pouco do que é a nova Música Popular Brasileira (MPB) e valorizar um espaço cultural curitibano que deveria ser cada vez mais cultuado.

À Tribuna do Paraná, a dupla comentou que o novo EP veio num momento significativo da carreira e que sentiam a necessidade de algo novo. “A galera tem feito muito single, mas nós optamos pelo EP porque ficamos um ano e meio compondo, tínhamos várias músicas e essas cinco combinavam muito. Se completavam. Sentimos que elas pareciam meio irmãs, tinham algo especial entre elas que decidimos lançá-las juntas”, explicou Mike. “De tantas músicas, nós tínhamos essas cinco que, além de conversarem bastante entre si, tinham uma pegada mais brasileira, que traziam também referências do primeiro álbum, do nosso som em si”, completou Guto.

+Viu essa? ‘Órfãos da Terra’: capítulos da última semana não serão antecipados no Globoplay

Ainda conforme a dupla de Mike, a resposta das pessoas com relação ao som, que veio de uma forma bem mais crua, foi imediata. “Além da galera que já gosta do que a gente faz, a mistura de folk com o pop trouxe um público diferente. Ficamos um tempo sem lançar nada, até pra gente se entender também, e esse lado de aproveitarmos para compor permitiu fazermos coisas mais abrasileiradas e acabou tendo um conceito que conversava bastante”, disse Guto.

Som único

Desde o começo, o som do duo, que já foi uma banda na época do programa da TV Globo, o Superstar, foi um dos diferenciais. Com leveza, mas ao mesmo tempo com arranjos bem feitos e uma sonorização que, por muitas vezes, se torna única, a dupla foi se destacando e ganhando espaço. “O nosso som, um ‘pop folk’ a gente vem amadurecendo desde 2013 quando sentamos para compor. Pegamos muito das nossas referências, improvisos e aproveitamos isso. Gostamos muito de misturar o som internacional com algo bem brasileiro, acho que tem um pouco a ver com isso o nosso diferencial”, comentou Guto, avaliando que quanto mais gente se une a essa mistura, já que muitos artistas ‘foram na onda’ do duo, mais grosso fica o caldo. “É ótimo, importante o estilo dar a mão, mas a gente sempre tenta botar um pouco do nosso jeitinho e talvez seja isso que soe um pouco único. A essência soa sempre a gente”.

Embora muito parecidos musicalmente e pessoalmente (Mike e Guto são de Nova Iguaçu, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e nasceram sob o signo de Áries – Guto em 1989 e Mike, um ano depois), os dois também têm diferenças e é essa mistura que faz com que a dupla se fortaleça. “Eu acho que o Guto e eu somos muito diferentes de gosto, ao mesmo tempo que gostamos de muita coisa igual. A gente se encontrou muito nessa coisa do folk, de gostar de Coldplay, do John Mayer que amamos muito, mas ele tem um lado mais rock’n roll, eu tenho um lado mais pop. Acho que essa mistura é bem boa, porque ao mesmo tempo também gostamos muito de MPB, de trocar ideia sobre esses gostos e isso ajuda muito. Se tem alguma coisa que pode estar ajudando, é gostar muito de música”, define Mike.

+Leia também: Novo programa de Fernanda Gentil tem data de estreia na Globo

O duo, que já emplacou músicas em novelas, como a parceria com Sandy, Ai de Mim, que foi tema de Outro Lado do Paraíso, e a música O Que Dizer de Você, trilha da novela Tempo de Amar e Coisa de Casa, que foi trilha de Malhação, atualmente continua naquela eterna busca por se manter no mercado e fazer do seu som um projeto de ainda mais sucesso. “Para a gente tem sido uma coisa de aprender muito, de música, de mercado, sobre como funcionam as coisas, mas é uma luta diária. É bem bravo, de ficar pensando o tempo inteiro, trabalho o tempo inteiro, se programar, músicas, composições, show, entre outras coisas. Mas do Superstar pra cá tivemos muito aprendizado, isso sem contar com o que aprendemos no programa em si, que estávamos muito expostos”, explicou Mike, completando que o esforço da dupla tem sido uma missão de sempre buscar as impressões corretas em cada feito. “Fazer o feedback do seu próprio trabalho mesmo. Mas fico feliz pela resposta do público, porque nossos fãs são muito carinhosos com a gente, e isso tem sido demais, fortalece”.

Para Guto, apesar do esforço diário, que não pára mesmo durante uma entrevista, o resultado tem sido satisfatório. “E esse novo EP trouxe uma cara nova para a gente, uma coisa que reacendeu a chama mesmo, porque estávamos desde 2017 sem lançar nada e queríamos muito lançar. Para um compositor, músicas são como filhos que criamos para o mundo, então queremos sempre soltá-las. Quando finalmente divulgamos o EP nos animou muito. O balanço é de que está sendo maravilhoso, mas com muito trabalho, não dá para parar”.

Vem disco aí!

O EP, que funcionou como um copo d’água para matar a sede dos fãs e dos próprios cantores em lançar algo novo, precede um disco completo, que está por vir e deve trazer um material totalmente diferente. “O CD era uma vontade nossa para o fim do ano, mas também não é certo, talvez fique mais para o começo do ano que vem. De qualquer forma estamos no processo de escolha do repertório, músicas novas surgindo e escolhendo o que entra, mas está vindo, nascendo, e acredito que ano que vem teremos ele”, adiantou Guto, explicando que o EP não tem relação com o disco completo. “O que rolou no EP foi algo mais experimental. Agora queremos resgatar um pouco mais do primeiro disco e, claro, mesclar com o que funcionou no EP. De qualquer forma, estamos encontrando esse som e vamos trazer para esse disco”.

Para o novo projeto, que já está em fase de gravação de guias, o duo tem uma vontade guardada que cada vez se faz mais forte: uma parceria com Caetano Veloso. “Querer a gente quer muito, mas ainda não temos nenhuma confirmação, é mais uma vontade do que algo certo”, disse Guto. “Por enquanto é só sonho, mas vamos trabalhar para isso”, brincou Mike.

Foto: Arquivo/Lucas Sarzi.
Show do ano passado foi marcante para o duo e para os fãs que encheram o Teatro Paiol. Foto: Arquivo/Lucas Sarzi.

Show intimista

Em 2018, o duo OutroEu tocou pela primeira vez no Teatro Paiol, em Curitiba. Mike contou que a turnê foi pensada a partir dos números de engajamento das plataformas digitais e a capital paranaense era uma das cidades que mais ouvia o som do projeto. Quase um ano depois, em meio a tantas novas opções na MPB, o público curitibano continua fiel e a cidade permanece entre as cinco que mais ouvem OutroEu: no Spotify, por exemplo, está em 4º lugar.

“Sabe que acompanhamos muito estes gráficos de onde mais ouvem nosso som? Justamente porque tentamos fazer o caminho dos maiores fãs, onde tem mais ouvinte, para estarmos mais perto, mais próximo. Curitiba é um dos lugares que, com o show de domingo, vamos tocar pela quarta vez e o show bem cru, voz e violão, mostra ainda mais sobre o nosso entrosamento entre a gente e com o público. Sem contar que a gente amou o teatro e foi por isso que quisemos voltar”, disse Guto.

No show, a dupla mostra ao público as músicas novas do EP, mas também alguns de seus sucessos  autorais como Ai de MimCoisa de Casa, Poemas de Lágrimas e Outrória, gravado em conjunto com Anavitoria. A apresentação tem um gosto ainda mais doce se os fãs levarem em conta que até o ano que vem o duo planeja lançar um disco completo e aí uma nova turnê virá. “O Teatro Paiol nos permite olhar para as pessoas e isso é muito maneiro. Estamos muito ansiosos por Curitiba, amo demais esse formato”, concluiu Mike. Os ingressos custam R$ 80 e podem ser comprados pelo site Alô Ingressos ou na hora, na bilheteria do teatro.

Foto: Lucas Sarzi/Arquivo.
Foto: Lucas Sarzi/Arquivo.

Roberto Carlos esgota ingressos em um único dia e abre sessão extra em Curitiba