Na icônica rua Nascimento Silva, em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, um pedaço da história do rock brasileiro está à venda. O apartamento que foi lar de Renato Russo, líder da Legião Urbana, entre 1990 e 1996, está no mercado imobiliário por R$ 2,8 milhões.
O imóvel de 136 m², localizado entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e a praia de Ipanema, preserva características da época em que o músico viveu ali. Com três quartos, duas salas e cômodos amplos, o apartamento ainda mantém elementos como a mesa embutida onde Renato criou cinco discos e guardava sua vasta coleção de CDs e livros.
Jefferson Joviano, da Joviano Imóveis, responsável pela venda, relata um interesse misto no apartamento. “Tem muito curioso também”, diz ele, referindo-se aos fãs que tentam agendar visitas apenas para conhecer o local onde o ídolo viveu seus últimos anos.
O corretor conta que filtra as visitas para separar compradores sérios de admiradores curiosos. “Nos fins de semana meu telefone não para, todo mundo perguntando sobre o imóvel, querendo agendar visita, é DDD de fora direto”, revela Joviano.
O edifício, construído em 1938, mantém sua fachada original de tijolos aparentes. Sem elevador ou porteiro, oferece uma vaga de garagem por morador. O apartamento 201, fechado desde o falecimento de Renato em 1996, foi herdado por seu filho Giuliano Manfredini.
Mauricio Branco, ator e amigo próximo de Renato, compartilha memórias do apartamento. “Em uma sala tinha sofás, mesinhas com porta retratos da família; na outra, uma mesa de madeira de quatro lugares onde ele adorava fazer sessões de tarô para os amigos e oferecer jantares de comida japonesa”, recorda.
O imóvel ainda guarda alguns itens, como um sofá de dois lugares e um aparador de madeira, que podem ser negociados na compra. Um painel com a imagem do artista no palco também permanece na sala.
A venda discreta do apartamento, iniciada em 2023, atrai não apenas potenciais compradores, mas também fãs que visitam o local há quase três décadas. Eles tiram fotos e observam as janelas da sala, buscando uma conexão com o ídolo que marcou uma geração.
Em julho de 2023, o prédio recebeu a placa azul de Patrimônio Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro, integrando o Circuito da Música e solidificando seu lugar na história cultural da cidade.



