Dono de uma defesa sólida, o Corinthians encontrou o equilíbrio que procurava quando o técnico Fábio Carille conseguiu fazer o ataque engrenar na reta final do Campeonato Paulista. O entrosamento de Jadson e Rodriguinho no meio de campo e a movimentação de Jô deram a sustentação que faltava ao setor ofensivo do time alvinegro. A fórmula colocou fim à desconfiança que rondava o clube do Parque São Jorge desde o início da temporada.

A evolução do grupo foi colocada à prova no Chile na última quarta-feira e ratificada com a classificação do Corinthians à segunda fase da Copa Sul-Americana. Para o treinador, seus comandados tiveram uma das melhores atuações no ano. A vitória sobre a Universidad de Chile por 2 a 1, em Santiago, foi construída a partir dos pés de Rodriguinho e Jadson, com participação direta de Jô. A dupla também marcou no triunfo por 2 a 0, no estádio Itaquerão, em São Paulo, na partida de ida. A parceria de sucesso rendeu até um apelido dado pela torcida alvinegra: “Jadriguinho”.

Principal contratação da equipe na temporada, Jadson elogiou os colegas pelo passe que o deixou livre para balançar as redes. “Jô e Rodriguinho fizeram uma jogada muito bonita e eu acabei pegando aquela ‘promoção’, sem goleiro”, destacou, no desembarque em São Paulo nesta quinta-feira.

Depois de vestir o número 77 no Campeonato Paulista, o meia está pronto para reassumir a camisa 10 no Campeonato Brasileiro. O posto está vago desde que Guilherme foi cedido por empréstimo ao Atlético Paranaense.

Jadson também exaltou a boa fase do companheiro. “Esse ano, ele começou com o pé direito, tem nos ajudado armando jogadas e fazendo gols também. É um jogador muito importante e está vivendo grande momento.” Decisivo, Rodriguinho chegou a oito gols com a camisa alvinegra em 2017 e assumiu a artilharia isolada do time.

MUDANÇA – A consolidação como goleador está relacionada à mudança de posicionamento promovida por Fábio Carille. Com Jadson responsável pela criação e armação de jogadas, Rodriguinho ganhou mais liberdade para se aproximar da área e finalizar. Além disso, teve papel fundamental na conquista do título paulista, mesmo suspenso da finalíssima. Autor de dois gols e uma assistência na vitória por 3 a 0 na partida de Campinas (SP) contra a Ponte Preta, Rodriguinho colocou o time em posição confortável para a decisão no Itaquerão. A taça veio com o empate por 1 a 1.

Na artilharia, o camisa 26 desbancou Jô, que balançou as redes sete vezes no ano. O centroavante, por outro lado, ganhou a confiança da torcida com gols decisivos contra os principais adversários do Corinthians, que lhe renderam a alcunha de “God of Clássicos” (Deus dos Clássicos). No Paulistão, somou três gols sobre o São Paulo, um diante do Palmeiras e outro contra o Santos. Destacou-se também na função de “garçom”, com assistências e distribuição de gols entre os companheiros.

“Comecei na base como jogador de ponta, no profissional joguei pelos lados; me tornei centroavante quando fui para a Inglaterra. Não sou centroavante goleador nato como Romário, Ronaldo e Fred, jogadores que têm faro de gol enorme. Procuro me movimentar, ajudar a equipe dando assistência. Não consigo ficar preso por muito tempo, procuro fazer o melhor para minha equipe”, analisou.

O papel de Jô no Corinthians não se restringe ao gramado. Revelado nas categorias de base, o atacante é referência para os mais jovens e, em reconhecimento, assumiu a braçadeira de capitão em três oportunidades, entre elas contra a Ponte Preta. Jadson, três vezes, e Rodriguinho, cinco, também tiveram a honra.

Para o treinador, as últimas atuações da equipe dão fôlego às pretensões antes da estreia no Brasileirão: “Vamos longe”. O Corinthians estreia neste sábado, às 19 horas, no Itaquerão, contra a Chapecoense. Com o calendário apertado, os jogadores não tiveram tempo de curtir a boa fase. Mas a empolgação não tira o foco de Jadson, que já pensa no próximo compromisso. “A classificação na Sul-Americana nos deixa muito concentrados para o jogo contra a Chapecoense.

TRADIÇÃO – Assim como Jadson, Rodriguinho e Jô são referência no time de Fábio Carille, outros trios de ataque fizeram sucesso e levaram o Corinthians ao topo no passado. Depois de um ano de 2008 difícil, com a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, Dentinho, Jorge Henrique e Ronaldo lideraram a volta por cima do time alvinegro no ano seguinte.

A estreia do Fenômeno, em março, foi o pontapé para recuperar o prestígio do Corinthians com os torcedores. Em 2009, o conjunto levou a equipe comandada pelo técnico Mano Menezes à consagração com a conquista do Paulistão e da Copa do Brasil.

Dez anos antes, o Corinthians entrava para a história com o trio formado pelos meias Ricardinho e Marcelinho Carioca, com seu passe preciso, e pelo atacante rápido e habilidoso Edílson. Juntos, garantiram o título do Campeonato Brasileiro em 1998, sob o comando do técnico Vanderlei Luxemburgo, e repetiram a dose no ano seguinte, desta vez com Oswaldo de Oliveira. Além de faturarem o título paulista de 1999 e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000.