Valquir Aureliano
Pedro Ken tentou ?passar por cima? da marcação, mas o Vermelhinho não deu chances
e está na decisão.

Os aplausos da torcida do Coritiba para o Paranavaí foram mais do que merecidos, ontem, no Couto Pereira. Tal qual guerreiro, o Vermelhinho segurou o ímpeto do Coxa e vai disputar a sua segunda final na história, desta vez contra o Paraná Clube. Muito nervoso e desordenado, o Coxa até que tentou, mandou bola na trave, pressionou o goleiro Vanderlei de todas as formas e teve gol anulado pela arbitragem, mas sucumbiu aos próprios erros e se despede da competição com o empate por 1 a 1.

Bastava uma vitória simples para o Coritiba ir à final. Com meio time titular no estaleiro e necessitando do resultado, restou ao técnico Guilherme Macuglia escalar um meio-de-campo altamente criativo. Parecia o mais acertado, não fosse a disposição do Vermelhinho em se defender e lutar com unhas e dentes pela chance de ouro de ir à final. De um começo arrasador, o Coxa voltou a repetir alguns velhos erros, permitiu o gol de Tiago e viu desandar a maionese.

Numa pixotada de Douglão na zaga, Tiago aproveitou e mandou para a rede. A torcida continuou apoiando a equipe, que foi para cima e foi parando na consistente defesa armada por Amauri Knevitz. Ou nas próprias pernas. Fazia tempo que a torcida não via tantos gols ?feitos? perdidos assim no Couto Pereira. O próprio Douglão teve uma chance de ouro, mas se atrapalhou com a bola. Em outro lance, ele não aproveitou um rebote e parou nas mãos de Vanderlei. Para aumentar ainda o desespero coxa, Keirrison fez um gol em posição duvidosa, mas a arbitragem anulou. A pressão aumentou e o gol de empate saiu dos pés de Caíco, que cruzou para Henrique fazer na única falha defensiva do ACP. Mas ainda tinha mais emoção com a galera pulando cada vez mais nas arquibancadas do Couto. Por cera na hora de ser substituído, Edenílson foi expulso. A pressão aumentou e Ígor, livre, chutou na trave a última chance clara de gol da partida.

Vialle assume a responsabilidade pelo fiasco

?A culpa é minha.? Abatido com a desclassificação no Campeonato Paranaense, o coordenador de futebol do Coritiba, João Carlos Vialle, assumiu toda a responsabilidade pela situação do time no momento e já antecipou que a semana será de muitas avaliações. ?Vamos ver onde nós erramos para que possamos combater esses possíveis erros e, no final do ano, não tenhamos outra decepção?, apontou. O dirigente voltou a ressaltar que o principal objetivo do clube na temporada continua sendo o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro.

Segundo Vialle, não é o momento de se fazer nenhum tipo de alteração na comissão técnica, porque o time ainda tem um jogo pela Copa do Brasil na quarta-feira, diante do Botafogo. ?Com relação à partida de hoje (ontem), não vejo nenhuma culpa do Macuglia. Ele não estava dentro do campo, ele não chutou as bolas na trave e os nossos atletas fizeram dois gols e um foi lamentavelmente anulado?, destacou. No entanto, após a partida contra os cariocas, algumas decisões deverão ser tomadas.

?Vamos fazer uma avaliação em conjunto com a comissão técnica, esteja o Coritiba classificado ou não, para vermos o que pode ser feito e o time continue na sua caminhada e atinja o seu objetivo, que é a volta para a primeira divisão?, avisou. Por isso, até quarta-feira, nada muda. ?O clube vai para o Rio, continua o mesmo grupo trabalhando e, depois, poderemos ver o que pode ser feito?, finalizou. A tendência dentro do Alto da Glória é que a comissão técnica permaneça e uma lista de dispensa seja divulgada, se o time for desclassificado também na Copa do Brasil.

Protesto

A confraria Movimento Unido Coritibano começa hoje, às 14h30, a colher assinaturas para o movimento ?Fora Gionédis?, na Boca Maldita. ?O protesto, mais do que nunca, é para salvar o Coritiba dessa barrocada.

A insatisfação foi geral ontem no Couto Pereira e isso ficou provado com os gritos de ?vergonha? e ?fora Gionédis??, disse Édson Fink, um dos líderes do movimento.

A idéia é conseguir 200 mil assinaturas para destituir o presidente alviverde, que já passou por processo semelhante no ano passado e conseguiu se manter no cargo.

Macuglia sem medo do futuro

Pressionado por parte da torcida, o técnico Guilherme Macuglia demonstrou tranqüilidade sobre a seqüência de seu trabalho no Coritiba. ?Não estou preocupado?, disse o treinador alviverde após o empate de ontem com o Paranavaí e a eliminação no Campeonato Paranaense. De acordo com ele, o objetivo do trabalho era formar uma base para a disputa da Série B e passar algumas fases na Copa do Brasil e no Estadual.

?A base foi criando corpo, os resultados começaram a aparecer e deu uma motivação para buscar o título, mas perdemos a grande oportunidade?, analisou.

Na opinião de Macuglia, o time sofreu com várias dificuldades ao longo do início da temporada, principalmente com o excesso de contusões. ?Tivemos que resgatar jogadores que estavam cinco meses sem jogar para colocar em campo e eu sempre enalteci a força do grupo, mas perdemos jogadores importantes de criação no momento crucial do campeonato e pagamos por isso?, apontou. No entanto, para ele, faltou um ?algo mais? nos momentos decisivos. ?Isso serve de avaliação para o departamento de futebol ver onde houve as deficiências e ver o que se pode fazer no futuro?, destacou.

Sobre o empate de ontem, Macuglia lamentou ter tomado o gol muito cedo. ?Pressionamos de todas as maneiras, tivemos oportunidades, mas faltou um pouco mais de tranqüilidade nas finalizações. Eles se retrancaram e nós não tivemos a capacidade de reverter o resultado?, afirmou. Para ele, o time se abateu demais com o gol sofrido e isso prejudicou o desenvolvimento de um melhor futebol. ?Desequilibrou um pouco a equipe, mas pressionamos, criamos e, infelizmente, a bola não entrou?, disse.

Para os jogadores, a derrota começou em Paranavaí, na primeira partida. ?Tínhamos o jogo na mão e acabamos cedendo a virada para eles.

E hoje (ontem), a bola realmente não entrou. Tentamos de todas as formas e a sorte não estava do nosso lado?, analisou o meia Pedro Ken. Segundo o volante Juninho, o importante foi a luta dos jogadores. ?A gente criou o máximo, mas o futebol é assim mesmo?, finalizou o jogador.