Neymar é, obviamente, o campeão, com seus 17 contratos de patrocínio, em que “vende” de cueca a óleo lubrificante, passando por carros e aparelho de televisão. A onda da Copa do Mundo, porém, está ajudando vários atletas da seleção brasileira e o técnico Luiz Felipe Scolari a ganhar um “dinheirinho” extra como garotos-propaganda de todo tipo de produto. Até mesmo o coordenador técnico Flávio Murtosa, apesar de não estar sempre na mira dos holofotes, conseguiu pegar uma carona e usar seu bigode para reforçar a conta bancária.

Tratam-se de contratos individuais, que rendem de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões cada, dependendo de fatores como número de peças publicitárias, variação de canais de veiculação e participação em eventos. De maneira geral, cada contrato tem duração de um ano.

A Copa, o carisma de alguns jogadores, a imagem positiva de outros, o fato de o torcedor/consumidor brasileiro ter passado por um hiato de grandes ídolos e a oportunidade de as empresas anunciarem seus produtos gastando menos do que se patrocinassem a seleção (via CBF) são motivos apontados por especialistas em marketing para a “explosão” atual. E não é preciso nem o jogador ter ligação com clubes brasileiros. Basta ter boa imagem.

É o caso do zagueiro David Luiz, com carreira feita quase totalmente na Europa e há quatro anos um ilustre desconhecido do público. A partir de sua chegada à seleção, mostrou empatia com o torcedor, espírito nacionalista e pronto. Hoje tem nove contratos de patrocínio. E quem investiu nele está comemorando.

“Antes da Copa das Confederações, ninguém fazia publicidade com o David Luiz. Ele salvou um gol em cima da linha na decisão (com a Espanha), é um rapaz falante, articulado, atencioso. Hoje, todos querem tê-lo associado a sua marca”, afirmou Roberto Rodrigues, diretor comercial da empresa De Ponta Marketing Esportivo. Para ele, esse “boom” de patrocinadores de jogadores da seleção é pontual por causa de um grande evento, o Mundial.

BOM NEGÓCIO – O consultor de marketing esportivo Amir Somoggi considera vantajosa a relação entre empresa e jogador. “Patrocinar um atleta custa menos do que a seleção. O jogador muitas vezes tem mais apelo (de imagem) do que a própria seleção”, disse. “E não é só o jogador que valoriza a marca. A marca também valoriza o jogador”.

De acordo com Somoggi, o bom comportamento dos atuais atletas da seleção também impulsiona a maioria deles a fazer propagandas. “Hoje, o jogador está se posicionando de maneira diferente. Não se envolve em polêmica, é simpático com o público”.

Mas a enxurrada de propaganda veiculada em vários tipos de mídia também traz problemas. O excesso de exposição pode vir a ser negativo para a marca e para o atleta, alerta o consultor de marketing. “Pode chegar um momento em que o torcedor, que é potencial consumidor, não aguente mais a repetição da propaganda. E, caso a seleção não vá bem, o atleta pode ser tachado como garoto-propaganda e não como um atleta eficiente”.

VEZ DOS VETERANOS – Atletas vencedores da seleção brasileira no passado também estão surfando na onda da Copa. Capitão da equipe campeã em 2002, no torneio disputado na Coreia do Sul e no Japão, Cafu é o maior exemplo. Participa de várias campanhas publicitárias, inclusive de órgãos governamentais – é possível vê-lo até na divulgação de métodos de prevenção contra a dengue. Recentemente, admitiu estar ganhando até mais dinheiro do que quando jogava.

Rivellino, campeão em 1970, no México, e Marcos, o goleiro titular da seleção em 2002, também estão entre os “craques do passado” que emprestam a imagem à divulgação de produtos.

Mas não há fenômeno publicitário que se compare a Pelé. Estimativa feita em março pela agência Sport 10, que gerencia sua imagem, calculou em R$ 58 milhões os ganhos dele com publicidade apenas em 2014. Trata-se, afinal, do Rei do Futebol.