Neste domingo, às 15h45, a RPC reexibe pela primeira vez a final da Taça de Ouro de 1985, o jogo que fez do Coritiba campeão brasileiro. Aquela noite de 31 de julho no Maracanã, que só terminou mesmo na madrugada de 1º de agosto, tem alguns heróis – Rafael, Gomes, Dida, Lela, Ênio Andrade, Evangelino Neves. Heraldo, Índio e Tóbi foram destaques plenamente reconhecidos. Mas outros personagens, às vezes nem tão lembrados, serão o foco desse texto.

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Escrevi recentemente sobre esse título, e pra isso me debrucei não sobre apenas o jogo com o Bangu, mas sobre toda a campanha do Coritiba campeão brasileiro. E percebendo minúcias que ficam perdidas nas simplificações que se fazem daquele time, é possível pinçar participações fundamentais no título alviverde. Claro que todos merecem elogios, estão na história do Coxa e do futebol paranaense, mas registro aqui alguns dos ‘invisíveis’.

Jairo, a pantera enjaulada

Foto: Hugo Harada/Arquivo

O incrível Jairo, o maior goleiro da história do Coritiba, foi reserva na maior parte daquela Taça de Ouro. Afinal, com a camisa 1 estava Rafael Camarotta, “São Rafael”, talvez o maior nome daquele time. Jairão tinha história, personalidade e qualidade para se impor. Mas preferiu dar força ao grupo, apesar de algumas tretas com o parceiro de gol. Quando foi para o jogo, o Pantera Negra foi decisivo na semifinal contra o Atlético-MG.

André, a história sofrida

André Ranzani é um vencedor no futebol. Sua participação no Coritiba campeão brasileiro é fundamental. Com Dida brilhando na esquerda, o lateral-direito precisava ter mais funções defensivas. E ele era um jogador que gostava de apoiar, tanto que iniciou a carreira como meio-campista. Mas compreendeu a estratégia de Ênio Andrade e ajudou a manter a solidez defensiva na reta final da Taça de Ouro – nos novos jogos decisivos, até o título, o Coxa sofreu apenas quatro gols. André superou o sofrimento de lesões gravíssimas pra escrever seu nome na história do nosso futebol.

Vavá, o multireserva

Vavá foi zagueiro pela direita, pela esquerda e volante naquela campanha do título nacional do Coritiba. Prata da casa como André, ele era titular nos anos anteriores, mas acabou virando opção diante dos experientes Gomes e Heraldo. Mas apesar de ficar em segundo plano, Vavá foi decisivo cobrando o quinto pênalti coxa na final do Maracanã – se ele errasse, o Bangu seria campeão. Uma bomba, no meio do gol, que manteve o Coxa na briga.

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Almir, o discreto

Quando foi campeão paranaense em 1979, Almir era o ‘patinho feio’ do time de Luís Freire, Aladim e Freitas. Mas era fundamental, como um cão de guarda à frente da defesa, para permitir que os outros jogadores brilhassem. E assim o volante seguiu, discreto e campeão. Na “Máquina Tricolor” do São Paulo, sempre tentavam tirá-lo do time, mas ele acabava se mostrando necessário. De volta ao Couto Pereira, era a segurança do Coritiba campeão brasileiro.

Marildo, o contratado

Foto: Arquivo Gazeta do Povo

O Coritiba abriu 1985 indo ao mercado local para reforçar o time. Rafael veio do Athletico. E Dida e Marildo foram contratados pelo Colorado, egressos da base mas titulares do “Sele-Boca” do ano anterior. Tanto na Vila Capanema quanto no Couto Pereira, Marildo era o cara que se virava pra marcar. Fazia isso muito bem, foi titular absoluto do Coxa por quatro anos. E na campanha do título brasileiro, teve sua glória no Maracanã – não na final, mas na vitória com gol dele sobre o Flamengo na primeira fase.

Marco Aurélio, o abnegado

O 12º jogador do Coritiba campeão brasileiro era um estilista. Desde a formação no Fluminense e depois na longa passagem pela Ponte Preta, Marco Aurélio sempre gostou de tratar a bola com carinho. Veio para o Coxa em 1984 para ser o centro técnico do time. Mas no time de Ênio Andrade era preciso também ser um guerreiro. E o meia-armador cumpriu esse papel. Na final contra o Bangu, Marco Aurélio entrou para fechar o meio, e conseguiu.

Edson, o formiguinha

Dida, Marildo, Vavá, André, Edson e Tóbi. Foto: Antonio Costa/Arquivo

Apesar de ser rápido e driblador, Edson Gonzaga faz parte de uma gloriosa linhagem de ‘pontas recuados’ do futebol carioca. A inspiração, claro, é Zagallo, que como jogador (e depois técnico) abriu o caminho para que as equipes tivessem mais um meio-campista, mas sem perder o jogo de lado de campo. O jogo de Edson no Coritiba campeão brasileiro trazia ecos do Formiguinha da Copa de 1958, mas também de Paulo César Caju e Lico – estilo semelhante aos seus contemporâneos de base do Flamengo, Élder e Júlio César.

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Krüger, o eterno

Claro que Dirceu Krüger esteve presente no maior momento da história do Coritiba. Se como jogador o Flecha Loira não conseguiu chegar ao título brasileiro, a conquista veio como auxiliar técnico. Mas ele foi mais que isso. A base do time campeão foi formada na Taça de Ouro de 1984 – Jairo, André, Gomes, Vavá, Marco Aurélio, Tóbi, Lela, Índio, Edson, Eliseu e Hélcio estavam no elenco alviverde. E era Krüger o treinador.

Frega, o braço direito

Foto: Albari Rosa/Arquivo

“Quero meus jogadores preparados para correr 120 minutos”. A frase de Ênio Andrade ficou na mente de Odivonsir Frega desde que o treinador assumiu o Coritiba, já no decorrer do Campeonato Brasileiro de 1985. Com o aval do técnico, Frega botou a boleirada nos cascos. Com treinos exaustivos, principalmente no período sem jogos (por conta das Eliminatórias da Copa do Mundo), o preparador fez o Coxa chegar ao auge físico na hora do vamos ver. E na final foi preciso correr 120 minutos.

Osni Pacheco, o atleticano

Empresário falecido em 2015, Osni Pacheco era uma ‘eminência parda’ de Curitiba. E era um atleticano daqueles, tendo feito parte da diretoria rubro-negra que montou o time terceiro lugar na Taça de Ouro em 1983. Raposa que era, Evangelino Neves percebeu que precisava de um cara com o perfil de Osni. E colocou-o na diretoria do Coxa em 1985. O estilo discreto e resolvedor de problemas arrumou a casa. E Osni Pacheco entrou até na foto do Coritiba campeão brasileiro.


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