Há poucos dias, uma carta aberta de Paulo André, diretor de futebol do Athletico, fazia a defesa do discurso do clube e garantia que não haveria contratações de vulto só para ‘agradar a terceiros’. Agora, a apenas dois dias do final das inscrições para a primeira fase da Copa Libertadores, a diretoria corre contra o tempo para reforçar o time. De volta ao batente, o presidente Mário Celso Petraglia comanda a força-tarefa.

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Isso me lembra um colega que tive. Comentarista, ele mais defendia as próprias opiniões do que realmente analisava os fatos. Ele passava a ser o que chamo de ‘torcedor de opinião’. Após falar sobre uma determinada situação, ele vibrava se ela se confirmava e lamentava – muito – caso acontecesse o contrário.

Ser torcedor de opinião é um dos maiores perigos para quem vive de analisar o futebol. Por mais que tenhamos idéias definidas sobre fatos e pessoas, não temos o direito de transferir isso para o comentário. Vivemos um esporte em que a realidade está na nossa cara, e não no nosso pensamento. Por isso, quando algo que projetamos não acontece, é dever avaliar e caso necessário reconhecer o erro.

Correção de rota

O Athletico não precisa vir a público dizer que estava errado em ficar alardeando que os ‘terceiros’ queriam se intrometer na política interna. O ideal seria mesmo ter uma ação afirmativa no mercado a partir de dezembro. Dorival Júnior, você que tá do outro lado, Petraglia, eu e até a população da China sabia que Bruno Guimarães seria negociado. Mas aos poucos o Furacão foi perdendo peças.

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E um elenco campeão, com ótimas opções para quase todos os setores, perdeu bastante força. Sem Bruno, Léo Pereira, Marco Ruben e Rony, o time titular ficou carente. E sem Marcelo Cirino, Madson, Camacho, Pedro Henrique, Thonny Anderson, Bruno Nazário e Matheus Rossetto, o grupo também sentiu. Dorival Júnior imaginava que não seriam tantas baixas no Athetico. Pelo menos foi o que se disse a ele.

Dorival espera pelos reforços. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Agora, o Athletico precisa trazer mais jogadores de afogadilho. Um lateral-direito para brigar pela posição com Adriano. Um zagueiro experiente, o que pode ficar para a sequência da temporada com a permanência de Robson Bambu e a chegada de Pedrão. Um armador que jogue vindo de trás, um ‘camisa 8’ dos velhos tempos. E o centroavante, necessidade mais evidente, inclusive para que Guilherme Bissoli não seja absurdamente pressionado.

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Ir ao mercado é mais do que uma admissão de erro de planejamento. É uma postura obrigatória para, como disse Paulo André no início do ano, manter o Athletico no patamar que conquistou. E justificar o que se espera do Furacão para 2020.

PS: Que os cartolas rubro-negros ouçam mais Antônio Carletto Sobrinho. É quem mais entende de futebol na Baixada.

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