Neste domingo (24), a partir das 15h45, a RPC reapresenta o jogo decisivo do Campeonato Brasileiro de 2001, a vitória do Athletico sobre o São Caetano que deu ao Furacão a maior conquista de sua história. Aquela tarde de 23 de dezembro, um domingo muito chuvoso no Anacleto Campanella, está na memória de todos – imagine pra quem esteve lá. Cobri a partida pela rádio Transamérica e vi momentos incríveis de torcedores, jogadores, comissão técnica e dirigentes.

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Vou ter a experiência de “estar” de novo naquele Athletico 1×0 São Caetano na ancoragem do jogo na RPC, ao lado do Rogério Tavares. E pra entrar no clima, vamos lembrar dos bastidores daquele momento histórico!

1) O gol do Athletico não visto

No jogo de ida, aquela vitória por 4×2 na Arena da Baixada, eu não vi o gol de pênalti de Alex Mineiro. Nem eu nem o Rubens Pozzi, que estava lá pela ESPN. E, coitado, ele se fiou no que eu falei na transmissão da Transamérica, que foi exatamente o contrário do que o Alex tinha feito na cobrança. Espero que ele não tenha levado uma bronca do Zé Trajano por minha culpa.

Alex Mineiro e a Bola de Ouro na tranquilidade do lar. Foto: Albari Rosa/Arquivo

2) A superstição

Nos jogos contra São Paulo, Fluminense e na ida com o São Caetano, a equipe de transmissão da Transamérica tinha sido a mesma – Luiz Augusto Xavier na narração, Valmir Gomes comentando e Moisés Gonçalves e eu nas reportagens. Após o jogo diante dos paulistas, Alexandre Zraik, então nosso coordenador, deu a ordem: nada mudaria porque “tinha dado certo“. Mas nunca saberemos se a escala dava sorte, pois na final Fernando Gomes bateu o pé e comentou a partida.

3) A viagem

Teve jornalista indo de todo jeito para lá. Houve quem foi de avião junto com a delegação do Athletico, a maioria foi de carro (nós fomos numa S-10 tunada dirigida pelo Índio, o faz-tudo do Fernando) e teve gente que foi no ônibus com a torcida organizada. Sabe-se lá como todos chegamos inteiros até o hotel Paulista Wall Street, concentração do Furacão e também da imprensa paranaense – outros tempos, né.

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4) A entrevista maluca

Precisava de pilhas, então ao chegarmos em São Paulo corri num shopping acompanhado do Xavier e do Marcelo Fachinello. E toca meu celular – era da rádio Bandeirantes de Porto Alegre, pedindo pra conversar dali a uns 20 minutos. Disse que tudo bem e esperei.

Passado o tempo, o produtor da emissora liga. Pergunta pra mim onde estava. Respondi que em SP pra acompanhar a final do Brasileirão. Aí ele pergunta quando iria para Porto Alegre. Respondi que não sabia, mas que iria visitar os amigos. A reação dele: “Mas que Cris é você?“. Disse que era o jornalista. O produtor responde assustado: “Ainda bem que perguntei antes. Estamos procurando o Cris jogador do Coritiba”. Vindo do Prudentópolis com Liedson e Messias, Cris deixou o Coxa rumo ao Internacional no final de 2001.

Esse era o Cris que eles queriam entrevistar. Foto: Luidi Hara/Arquivo Gazeta do Povo

5) A noite

Aquele Athletico era campeão dentro e também fora de campo. A ponto de, mesmo confinados no CT do Caju, armarem festas inacreditáveis lá dentro. Aquela geração de jornalistas também não era fraca. Todos saímos na véspera da final, pra jantar, pros bares, pro ‘algo mais’ e pra baladas fortíssimas. E ainda houve tempo de todos se encontrarem para um brinde com Barcímio Sicupira e Valmor Zimmermann, que ficaram no bar do hotel. O colega que dividia quarto comigo chegou às 4h30, completamente doido.

6) A chuva

Fomos todos cedo para o Anacleto Campanella, o acanhado estádio do São Caetano. E desde as 10h encaramos uma chuva torrencial. Não havia capa que salvasse, e o que era grama rapidamente virou lama onde ficávamos. O clima e a confusão nas ruas que circundavam o palco da final atrapalharam a chegada do Athletico.

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7) A torcida

A torcida rubro-negra chegou praticamente em bloco. Muitos que foram de carro entraram no comboio da torcida organizada e formaram uma caravana festiva pela rodovia Régis Bittencourt. Como não havia rivalidade entre Athletico e São Caetano, o ambiente no estádio era muito tranquilo.

8) A festa

Após a vitória por 1×0, gol de Alex Mineiro, a torcida entrou em êxtase – no Anacleto Campanella e em Curitiba. Ninguém arredou pé do estádio, e como homenagem foi todo mundo, jogadores, dirigentes e comissão técnica, para onde estavam os atleticanos. Para os mais corajosos, era possível até tocar nos campeões brasileiros, pois o alambrado separava os torcedores dos heróis.

Gustavo festeja com a galera no alambrado. Foto: Rodolfo Bührer/Arquivo Gazeta do Povo

9) O último

Mário Celso Petraglia foi o último a deixar o gramado do Anacleto Campanella. Então diretor de marketing, havia tido problemas com o presidente Marcus Coelho, que invocou a caneta para contratar Souza, o que Petraglia não queria. Mesmo assim, foi ele o cartola mais festejado pelos torcedores. E naquele dia ele deu entrevistas para todo mundo.

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10) A volta

Cansados, mas satisfeitos pelo trabalho e pelo desfecho com título do Athletico, pegamos a S-10 e tocamos para a estrada. A viagem foi longa, mas não fazíamos ideia do chá de aeroporto que a delegação campeã brasileira tomou em São Paulo. No final das contas, chegamos em Curitiba por volta das 4h, pouco depois dos jogadores desembarcarem no Afonso Pena. E para os rubro-negros a festa ainda iria longe, em pleno 24 de dezembro.

A chegada em Curitiba. Gustavo eufórico, Nem em transe e Antônio Carletto com estilo. Foto: Arquivo Gazeta do Povo

11) As capas

A manchete da Tribuna daquela véspera de Natal era simples: “No céu”. Era o desfecho de uma série de capas feitas pelo então diretor de redação, Carlos Roberto Tavares, o Charles. E aquelas que foram as páginas mais festejadas pelos torcedores do Athletico foram pensadas por ele, um coxa-branca. Charles partiu para o céu cedo demais, menos de dois meses depois daquela manchete, aos 47 anos.

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