Respeito ao orçamento, aproveitamento das categorias de base e gestão profissional do departamento de futebol. É este o tripé que norteia a campanha de Samir Namur. Ele foi o terceiro sabatinado pela equipe da Tribuna – fechando, assim, a série de entrevistas com os candidatos, que se iniciou na terça com João Carlos Vialle e seguiu na quarta com Pedro Guilherme de Castro. Aos 34 anos, o mais novo dos postulantes à presidência do Coritiba, o líder da chapa Coritiba do Futuro fala em evitar loucuras e prejuízos no Alto da Glória. A eleição será amanhã, das 9h às 16h, no Espaço Belfort Duarte, no Couto Pereira.

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“Do final de 2011 para cá, o Coritiba acumula 97 milhões de reais de prejuízo, basicamente porque os diretores que lá estiveram fizeram dívidas e não pagaram. Com jogadores, com empresários e com outros clubes”, relatou Samir. “Isto é parte do diagnóstico que fizemos do clube e do que é preciso mudar. É fundamental ter um equilíbrio financeiro. E não adianta dizer que este aspecto não faz diferença. Faz muita”, completou o candidato.

O líder da chapa Coritiba do Futuro faz uma conexão direta entre os buracos do orçamento com as más campanhas recentes do Coxa – que desaguaram no rebaixamento para a Série B neste ano. “Não adianta dizer que não interfere. O clube vem neste mesmo período de dificuldade em campo com o histórico de fazer contas, criar despesas e não pagar”, disse Samir Namur. “Primeiro passo que temos que ter é cumprir o orçamento. Não criamos novas dívidas, não gastamos um dinheiro que não temos e poderemos cuidar das dívidas que já existem. A longo prazo teremos mais dinheiro para investir no futebol”, comentou.

Por conta do ajuste orçamentário, Samir admite que será muito difícil contar com Marcelo Oliveira na próxima temporada. “Todo mundo sabe que o salário dele e da comissão técnica é caríssimo. Não vou dizer o salário para não haver constrangimento, mas posso afirmar que a atual diretoria já tinha programado no orçamento um gasto bem menor do que o atual. Isto com o time na Série A. Na Série B, isto diminui mais ainda. Claro que não sei qual será a conversa com ele, se ele vai reduzir o salário, mas nos patamares atuais é incompatível com o orçamento”, explicou.

O candidato tem opinião diferente quando o assunto é a permanência dos dois principais jogadores do time. “Dou a minha opinião. Wilson e o Kléber são ídolos do clube, jogadores extremamente importantes. Claro que o Kléber teve um erro, nos prejudicou muito, mas isso não tira dele a capacidade de líder, de símbolo da torcida, de ator importante dentro da Série B. Com o Wilson é a mesma coisa. Portanto, se depender de mim, eles têm contrato e vão sim continuar no Coritiba”, garantiu.

Couto Pereira

Samir na entrevista. Foto: Maicon J. Gomes
Samir na entrevista. Foto: Maicon J. Gomes

Samir Namur é contrário a tratar de um “novo Couto” neste momento. “A nossa abordagem é totalmente oposta à diretoria atual, inclusive de crítica à forma que eles se posicionaram. Divulgaram especulações através da imprensa, geraram boatos. E isso provocou um prejuízo à imagem do clube e um desgaste com a torcida”, criticou o candidato da Coritiba do Futuro. “Não tem como falar em estádio novo porque não tem dinheiro. Ninguém vai colocar 300 ou 400 milhões no Coritiba pra que a gente construa um estádio”, disse.

Preocupado com a queda de recursos em 2018 (com sócios, patrocínio e bilheteria), o candidato confirmou que vai conversar com a Rede Globo sobre os direitos de transmissão do Campeonato Paranaense. “O Coritiba jamais pode ser refém de decisão política de outros clubes. Pode até seguir decisões, mas não copiar sem ser algo que seja interessante para o clube. Temos que restabelecer o diálogo com a Globo, independente do que o Atlético pense. Eles decidem a postura deles, nós decidimos a nossa. Não é um compromisso de que vamos fechar, mas vamos sim reabrir as negociações para o Campeonato Paranaense. Se for bom para o Coritiba, temos que assinar sim o contrato de transmissão”, finalizou Samir Namur.