Em entrevista à Tribuna do Paraná, o meia Rafinha, do Coritiba, falou pela primeira vez com a imprensa após fraturar a fíbula e romper ligamento do tornozelo na final do Campeonato Paranaense, contra o Athletico.

“Na hora em que tomei o carrinho, já escutei o osso quebrando”, revelou o camisa 7, que passou por cirurgia na última sexta-feira (7), levou 25 pontos no tornozelo e quer ficar de “cabeça boa” para enfrentar o processo de recuperação.

Identificado com o Coxa, o jogador de 37 anos contou que nunca havia sofrido uma lesão tão grave na carreira e que recebeu mensagem do técnico rival, Dorival Junior. Não houve, contudo, pedido de desculpas do lateral-esquerdo Abner Vinícius, responsável pelo carrinho que ocasionou a lesão aos 25 minutos do primeiro tempo do Atletiba.

Como você está se sentido?

“Bem chateado depois da notícia de fratura e rompimento de ligamento. É a primeira lesão grave da minha carreira, já no fim dela. Não esperava passar por isso. Foi uma entrada violenta, imprudente. Mas estou tentando ficar com a cabeça boa o máximo possível. Primeiro é pensar em recuperar bem e depois ver o que acontece. O mais importante é a cabeça”.

Como foi sua percepção do lance?

“Na hora em que tomei o carrinho, já escutei o osso quebrando. Quando o médico chegou, falei para ele não fazer nenhum teste no gramado porque tinha certeza que tinha quebrado algo. Quando estava sendo atendido, ouvi alguns jogadores falarem para eu não sair do jogo, mas eu só falava que não dava para continuar, que minha perna tinha quebrado”.

O Abner chegou a pedir desculpas?

“Não tive qualquer contato com o jogador do Athletico depois da lesão. O Dorival me mandou mensagem se desculpando pelo acontecido. No momento da lesão ele não tinha visto a gravidade da situação, não imaginou que eu tinha fraturado. Eu agradeci a preocupação, mas do atleta não veio nada. Olhando a imagem, foi um carrinho imprudente, por trás. Mas também não tenho mágoa, vida que segue”.

Você colocou uma meta de retorno?

“Como não tive contato com os fisioterapeutas do clube depois da lesão, a previsão de volta é mais pelo que o médico falou [quatro meses]. Mas o pensamento é recuperar bem primeiro, com o tempo necessário”.

Você tem filhos pequenos e sempre brinca muito com eles. Como está sendo esse processo?

“Isso está doendo muito. Sou um pai bem ativo, gosto de participar das brincadeiras, de jogar futebol com eles. Mas agora estou praticamente só sentado, fazendo gelo, com o pé para cima. Não posso fazer nada com eles, então é difícil de explicar, principalmente para o mais novo. Ele acha que o pai está machucado, mas que amanhã vai poder tirar a botinha e brincar”.

Como vai ser ter de assistir o Coritiba na televisão?

“Fico chateado por ter de ficar em recuperação em um momento tão esperado, de volta à Série A. Acho que a Natália [esposa] vai me proibir de assistir os jogos pela TV. A gente sofre muito mais ficando fora. Mandei mensagem no nosso grupo de jogadores após a lesão, mas depois da cirurgia já fiquei mais isolado, até mesmo do clube. Só os mais próximos vieram me visitar em casa, o Robson, o Giovanni e o Rhodolfo”.

O Giovanni, aliás, que está voltando de lesão…

“Passei as últimas semanas conversando com ele. Estava falando que ele tinha que estar com a cabeça boa na recuperação. E eu não esperava estar passando por isso agora. Dois dias depois, era ele quem estava me dando conselho”.

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