Tradicionalmente conhecido no Brasil inteiro como Coxa, o Coritiba talvez seja um dos clubes do Brasil mais chamados pelo apelido do que pelo próprio nome. Uma ‘alcunha’ que hoje é bem vista e aceita pelos torcedores. Mas nem sempre foi assim. O culpado, indiretamente, pelo apelido de time coxa-branca é o zagueiro Hans Egon Breyer, que completa 100 anos nesta quarta-feira (6).

Nascido no dia 6 de fevereiro de 1919, em Velbert, na Alemanha, ele veio para o Brasil como criança e logo se adaptou ao novo país e ao esporte. Foi vice-campeão brasileiro de pentatlo e o atletismo logo o levou ao futebol, quando treinava na pista de atletismo do Belfort Duarte, atualmente Couto Pereira.

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Rapidamente integrou o elenco do Coritiba. Primeiro, como ponta-direita, sendo campeão paranaense de 1939. Em seguida, virou zagueiro e em 1941 veio o apelido, que, no início não agradou. Na final do Estadual de 1941, contra o Athletico, Breyer, por ter a pela muito clara, foi insultado pelo adversário Jofre Cabral e Silva, que o chamou de ‘quinta-coluna’ e ‘coxa-branca’.

Breyer na época em que jogava no Coritiba. Foto: Arquivo
Breyer na época em que jogava no Coritiba. Foto: Arquivo

O ato de preconceito incomodou bastante Breyer, que parou de jogar com apenas 25 anos, em 1944, para largar o futebol e seguir a vida em outro rumo, e se afastou dos estádios justamente para evitar ouvir o apelido. Porém, em 1969, a história mudou. Quando o Alviverde conquistou o Paranaense daquele ano, a torcida adotou o apelido e gritou ‘Coxa!’ para comemorar.

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“Ficou uma identidade muito forte com o apelido. É um dos poucos clubes que o apelido se confunde com o nome. O clube é mais conhecido pelo apelido. E isso veio se consolidando. Isso aconteceu na década de 1940, mas na verdade depois de 1960 é que o apelido se consolidou. No início a explicação era meio genérica, mas depois a história foi se esclarecendo. Essa consolidação está em processo de todo mundo saber da real da história”, contou o filho de Breyer, Enio.

Com o passar do tempo, o Coxa virou um sinônimo do Coritiba e o apelido, antes pejorativo, se tornou carinhoso. O mesmo não pode se dizer do vínculo do ex-zagueiro com o clube.

Lápide de Breyer, com o apelido de 'O Coxa Branca'. Foto: Arquivo
Lápide de Breyer, com o apelido de ‘O Coxa Branca’. Foto: Arquivo

“Com o clube ele não teve muita ligação. Continuou sócio, mas sem nenhuma ligação formal. O que aconteceu, mas não ligado ao clube, é que teve o livro ‘Eterno campeões’, e nessa ocasião entraram em contato, pediram material e tem toda a história dele lá”, ressaltou Enio Breyer.

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Passado tanto tempo, o ex-defensor, hoje no hall de ídolos do Coritiba, comemora 100 anos. Não em vida, uma vez que faleceu no dia 21 de março de 2001. Mas, para quem conhece a história do clube, sabe o quanto ele foi importante. E para quem conviveu com ele no dia a dia, a saudade é ainda maior.

“Ele era uma pessoa muito correta, muito justo, rígido, mas defendia a família acima de tudo. Lutou muito para nos dar educação, para mim e para o meu irmão termos uma boa formação. É um marco, um centenário, uma data muito interessante e merece muito ser lembrada”, relembrou um emocionado filho.

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