E agora, Coritiba? Os alertas do gramado e as críticas durante o Campeonato Paranaense e a Copa do Brasil foram tomados como postura de quem queria tumultuar o ambiente ­ e respondidas pela diretoria com a garantia de que o planejamento feito no início do ano e o projeto eleito em dezembro passado seriam seguidos. Mas a derrota por 2×0 para o Sampaio Corrêa na estreia da equipe no Campeonato Brasileiro da Série B mostrou que tudo que vinha sendo dito e alertado era real. O Coxa está muito abaixo do que se espera para o time com maior potencial de investimento e principal candidato ao acesso para a primeira divisão.

A rigor, o futebol apresentado na temporada retira do Coritiba o status de favorito ao acesso. “Não jogamos uma partida bem”, disse, com sinceridade, o ex-técnico Sandro Forner, que foi demitido após a derrota. Durante o Paranaense, ele foi o porta-voz e o executor da política da diretoria, de privilegiar os jogadores da base em uma avaliação de quem poderia ser útil para o restante do ano. “Fizemos esse trabalho, trocamos muitas peças, e sei que eu acabei me prejudicando com isso”, comentou.

Mas não foi só isso. As más atuações vieram com titulares (derrotas para Paraná Clube e Goiás, além da final do Estadual diante do Atlético) ou com reservas (derrotas em pleno Couto Pereira para Foz do Iguaçu e Maringá). E o que era exaltado por Forner e pelo presidente Samir Namur em entrevistas, da força da base coxa-branca, ficou para trás na estreia da Série B. Meninos que eram titulares (como Romércio, Marcos Moser e Vitor Carvalho) perderam espaço e viraram reservas na partida contra o Sampaio Corrêa. Dos nove atletas da base relacionados para o jogo, apenas três começaram ­- e um deles, Abner, reestreava após um período na Europa.

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Com jogadores experientes e recém-contratados (além de Abner, estrearam Jean Carlos, Vinícius Kiss, Bruno Moraes e Chiquinho, este entrando no segundo tempo), o Coxa foi presa fácil diante do voluntarioso, mas apenas razoável time do Sampaio. Foi um passeio maranhense, com os visitantes tendo apenas um arremate a gol, e já nos últimos minutos da partida, quando os donos da casa empilhavam oportunidades para marcar o terceiro gol.

Os jogadores do Coritiba em foco. E sob pressão. Foto: Divulgação/Coritiba FC
Os jogadores do Coritiba em foco. E sob pressão. Foto: Divulgação/Coritiba FC

O choque de realidade desnorteou todos no Alto da Glória. E deixou o presidente Namur refém de seu próprio discurso. Em entrevista ao canal oficial do clube no YouTube, o cartola prometeu ação rápida em qualquer momento da Segundona, caso o time apresentasse dificuldades. “O planejamento com que a diretoria e a comissão técnica trabalham é do Coritiba disputando as primeiras posições da Série B desde o início. As decisões que tomamos, as contratações que fizemos, é para que isso aconteça e os resultados venham desde os primeiros jogos da Série B. Se isso for colocado em risco, não acontecer, o nosso torcedor pode ficar bastante tranquilo porque todas as medidas necessárias serão tomadas”, afirmou.

A sensação que a derrota no Maranhão deixou foi exatamente essa – o risco está escancarado. “Agora, nosso torcedor pode ficar tranquilo que o período de observação acabou. A partir da primeira rodada da Série B estamos dentro de um período de resultados. A cobrança, principalmente porque já trouxemos os reforços pedidos e que supririam as carências, é por resultados”, também disse Samir Namur.

Nesta terça (17), o Coxa recebe o Atlético-GO no Couto Pereira, às 21h30. No banco estará Tcheco, auxiliar que encarará a pressão como interino. Pressão que será maior do que nunca. “A torcida está cobrando e o jogador fica mais tenso, mais nervoso. Mas eu sei que se eu estivesse na torcida, estaria pressionando da mesma forma”, resumiu Sandro Forner, na sua última entrevista como técnico do Coritiba.