Sem dinheiro em caixa para pagar salários de jogadores e funcionários até o fim do ano, mas ainda na briga pelo acesso na Série B, o Coritiba conseguiu um ‘socorro‘ de R$ 4 milhões via emissão de debênture. A operação, publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná no dia 2 de outubro, foi realizada com o fundo de investimento em direito creditório da Sports Partner, com sede em Luxemburgo e ampla atuação no mercado financeiro nacional.

O clube tem até dezembro de 2020 para devolver o valor total, somados a juros de 2% ao mês. O terreno do CT de Campina Grande do Sul (comprado em 2011 por R$ 1,7 milhão) foi colocado como garantia do negócio.

“Essa operação representa um esforço enorme da diretoria para que os salários dos funcionários do clube, que não jogam bola e estão lá todo dia, e dos jogadores sejam pagos em dia até o final do ano”, explicou o vice-presidente Eduardo Bastos de Barros, em entrevista à Gazeta do Povo.

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“Era a única alternativa legalmente viável para o problema… Qual banco nos daria um empréstimo?”, complementou o dirigente, ao justificar que a operação só poderia ser realizada por uma Sociedade Anônima, como aconteceu com a Coritiba Futebol S.A.

Promessa de salários em dia

No fim de março, o presidente Samir Namur afirmou que o Coxa conseguiria jogar toda a temporada sem atrasar vencimentos. A declaração foi feita pouco depois de o clube conseguir adiantar R$ 13,1 milhões do total de R$ 17 milhões que teria a receber da Turner como compensação por luvas extras pagas ao Palmeiras, na época da assinatura do contrato, em 2016.

De acordo com Bastos de Barros, no entanto, penhoras de receitas alteraram o orçamento e fizeram com que a injeção de capital fosse necessária para que a promessa fosse cumprida.

“O dinheiro da Turner foi o que fez com que o Coritiba chegasse até 7 de outubro com o salário em dia. Foi uma receita adicional, extra, que fez com que pagássemos as contas”, disse ele.

“Tivemos perdas de receitas originadas de penhoras de receitas de televisão da Globo, no contrato da Série B, nos processos do Rildo e do Martinuccio. Elas tomaram um dinheiro que já tínhamos como certo. Essa foi a causa primária. A secundária foram as contratações para o elenco, reforços pontuais”, completou o dirigente, que defendeu a necessidade de continuar pagando em dia para buscar o acesso.

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“Não existe alternativa. Se atrasarmos os salários, ficamos sem autoridade sobre o elenco. E aí não subimos de qualquer jeito”, falou o vice-presidente, citando que a folha de pagamento do Coritiba, incluindo funcionários, está na casa de R$ 2 milhões mensais.

Futuro?

Se conseguir a vaga para disputar a Série A em 2020, o Alviverde mudará de patamar em relação a receitas (e assim pagará pelo dinheiro emergencial). Neste ano, por exemplo, o clube recebeu apenas R$ 6,1 milhões por direitos de transmissão, sendo R$ 500 mil do Paranaense e R$ 5,6 milhões da Série B. Em 2018, quando ainda tinha, por contrato, valores da elite, a quantia foi de R$ 50,1 milhões – cerca de oito vezes mais.

O problema é se o acesso não vier. “Fica absolutamente inadministrável, inadministrável”, cravou Bastos de Barros, que lamentou que a legalidade da operação tenha sido colocada em dúvida por parte da torcida e mídia.

“Uma coisa é você não gostar da gestão, mas não é possível deixar o ódio pelas pessoas prejudicar a instituição. E é isso que está acontecendo no Coritiba”.

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