Próximo de assinar com a Rede Globo para a transmissão do Brasileirão, o Coritiba negocia com a emissora um modelo de contrato especial, diferente dos rivais da Série A.

Ao invés de uma cota dividida em três critérios (igualitária, número de transmissões e performance) e com validade até 2024, o Coxa receberá um valor único pela temporada. O acordo ainda não foi formalizado porque algumas situações contratuais, como a programação de pagamentos, ainda não foram definidas.

Dois motivos que se correlacionam levaram ao modelo de quantia fixa, exclusivo para o campeonato de 2020.

  • A gestão do presidente Samir Namur termina em dezembro. Ou seja, houve preocupação em não deixar um contrato longo, não tão vantajoso, para quem assumir no próximo triênio.
  • A pandemia da Covid-19 alterou a lógica da negociação, especialmente para quem vive um momento delicado financeiramente. Em 2021, em outro cenário, o clube pode ter mais poder de barganha para assinar um novo acordo, incluindo luvas de assinatura, por exemplo.

O vínculo com a Globo engloba não só TV aberta, mas também o pay-per-view (PPV). A inclusão da mídia, que não tinha sido negociado pelo Coritiba, foi condição uma imposta pela emissora. Na TV fechada, o Coxa segue vinculado à Turner, que vive um gigantesco impasse com seus parceiros.

Lembrando que com a edição da MP 984, que altera o direito de arena para o mandante do jogo, o clube poderia transmitir suas partidas em casa em plataformas de streaming pago, por exemplo, já que mantinha os direitos de PPV.

Ganho e risco

Caso tivesse aceitado o contrato de televisão com a divisão tradicional, Coritiba poderia receber um valor superior ao fixo que estipulou com a Globo. Mas, ao mesmo tempo, correria risco de ficar com uma receita muito mais baixa. A diferença dependeria da performance do clube e do número de partidas transmitidas pela TV.

O Alviverde teria, garantido, apenas R$ 12 milhões – cota que pertence aos 40% divididos igualmente entre os times. A cada jogo exibido, levaria aproximadamente mais R$ 1 milhão.

O dinheiro referente à performance, contudo, é onde está o maior risco. A premiação depende da colocação final. O campeão levou R$ 33 milhões no ano passado, enquanto o 16º colocado ficou com R$ 11 milhões. Os rebaixados não recebem nada, situação que deve se repetir em 2020.

No caso do Coxa, porém, há ainda um desconto importante na premiação. Por ter acordo com a Turner, o clube receberia apenas cerca de R$ 6 milhões, assim como foi o caso do Ceará. Se terminasse em quinto, como fez o Athletico em 2019, a cota seria na casa de R$ 14,4 milhões.

Levando em consideração o momento e a necessidade, a diretoria coxa-branca decidiu fazer um contrato fixo, sem as variáveis. Assim, o clube tem mais segurança do que terá em mãos para poder organizar a temporada.

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