Com a conquista inédita da Copa do Brasil, o Athletico sobe um degrau a mais para se fixar entre os clubes mais relevantes do país. A caminhada ainda é longa e conta com fatores limitantes como a localização geográfica, o que dificulta a projeção do time, mas o Furacão garantiu um passo à frente. Além de toda a visibilidade alcançada por conta do título, o Rubro-Negro está colhendo excelentes frutos financeiros na temporada. A escolha de como esses valores serão aplicados, poderá determinar os rumos da equipe nos próximos anos e, assim, ajudar a fixar de vez a ’Athleticomania’ no cenário nacional.

Um time que começou o ano com um desafiador calendário a ser cumprido, repleto de competições relevantes, e que chega à reta final da temporada com excelente aproveitamento. O Athletico tem conseguido aproveitar as chances dos compromissos “de gala” de 2019 e está convertendo suas participações em títulos, ou, pelo menos, boas cifras ao clube. O Furacão gravou seu nome como o primeiro time do estado do Paraná a vencer a Copa do Brasil e segue em processo de franco crescimento, que deu início ao levantar a taça de campeão da Sul-Americana, em dezembro do ano passado.

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Somente em 2019, o Athletico já faturou R$ 91,2 milhões referentes a premiações e cotas de transmissão. E deve embolsar mais. Com a Copa do Brasil, foram R$ 64,35 milhões ao total, enquanto as cifras por chegar às oitavas de final da Libertadores foram de R$ 16 milhões. Por vencer a J.League YBC Levain Cup, o clube levou R$ 3,6 milhões e a Recopa Sul-Americana pagou R$ 1,4 milhão pelo vice-campeonato do Rubro-Negro. A Turner – detentora dos direitos de exibição – repassou R$ 5,83 milhões ao Furacão.

Com somente o Brasileirão pela frente, o Athletico também vai se dedicar a faturar com a disputa. O time segue na busca por colocações melhores e pode levar até R$ 33 milhões (prêmio máximo dado ao campeão). A premiação conta com uma porcentagem referente às transmissões da Rede Globo, algo que o Rubro-Negro não tem. Portanto, haverá um desconto desse total informado. Longe do título, ainda assim, o lucro poderá ser expressivo. O nono lugar garantiria R$ 19,2 milhões, enquanto um sétimo, por exemplo, renderia R$ 23,1 milhões.

Título da Copa do Brasil deixou o Athletico ainda mais em evidência. Foto: Albari Rosa.
Título da Copa do Brasil deixou o Athletico ainda mais em evidência. Foto: Albari Rosa.

Tudo isso sem contar os ganhos com a venda do lateral-esquerdo Renan Lodi ao Atlético de Madrid, uma negociação que girou em torno de 20 milhões de euros. O consultor do Itaú BBA, César Grafietti, falou sobre os ótimos rendimentos do clube em 2019 e como isso pode impactar na marca do Furacão. “O Athletico poderá fechar seu ano com R$ 300 milhões de faturamento e isso faz com que uma série de fatores sejam agregados, como mais marketing em torno da marca, mais audiência e mais consumo”, disse Grafietti à Tribuna.

Na opinião do especialista, é necessário saber aproveitar o momento, uma vez que não é somente por conta do título nacional que o time passará a mudar de patamar de um dia para o outro. “É um longo trabalho a ser feito e que pode levar muito tempo. Será imprescindível que o clube saiba utilizar esses ganhos para continuar a se manter no topo e, assim, conquistar seu espaço em um mercado tão competitivo”, detalhou o consultor.

Os investimentos, para Grafietti, precisam ser usados, sobretudo, no futebol, para que o clube se mantenha na briga por títulos expressivos, porém, com um elenco realista que não comprometa o caixa do clube. “O Athletico já tem uma infraestrutura de padrão internacional, mas claro que é sempre necessário que isso seja renovado. Porém, acredito que seja essencial fazer investimentos no futebol com qualidade técnica, eficiência e sem gastos milionários, além de buscar mais atletas da base que possam trazer retorno”, analisou.

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A expansão da marca passa também pelo consumo do time nacionalmente. Fora do eixo ’badalado’ do mundo da bola, o Furacão terá uma difícil missão de fixar o time em demais regiões brasileiras, para que assim o Athletico se torne cada vez mais conhecido. “O futebol paranaense não tem apelo em outras regiões, por isso, é importante atrair atenção de novos torcedores, vencer competições, e assim, abrir mercado. Mas isso é algo a longo prazo”, ressaltou Grafietti.

A empolgação com a atual temporada vitoriosa do time traz reflexos também nas vendas diretas do time, o que gera mais receitas. Os consumidores da marca compram mais materiais oficiais e podem marcar mais presença no estádio, seja como sócio ou mesmo comprando mais ingressos avulsos. “É o momento ideal para o clube oferecer ao torcedor o sentimento de pertencimento ao time e fideliza-lo como consumidor”, arrematou o consultor.

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