Propaganda eleitoral

TRE-PR multa vereador de Curitiba por impulsionar vídeos contra Renato Freitas

Fotografia em plano médio de um homem jovem de pele clara, cabelos castanho-escuros repartidos ao meio e óculos de grau de armação preta. Ele veste terno preto, camisa social branca e gravata preta, e fala ao microfone enquanto gesticula com a mão direita elevada. Ele está sentado em uma bancada de madeira em um plenário, e à sua frente há uma placa de identificação com o nome "GUILHERME KILTER". Ao fundo, veem-se cadeiras de couro preto, outras bancadas e colunas do ambiente.
O TRE-PR condenou Guilherme Kilter ao pagamento de multa de R$ 5 mil por conteúdo. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

O vereador de Curitiba e candidato a deputado federal Guilherme Kilter (Novo) foi multado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) pelo compartilhamento e impulsionamento de vídeos que defendiam a cassação do deputado estadual e também candidato a deputado federal Renato Freitas (PT). A decisão acolheu o recurso da Federação Brasil da Esperança do Paraná (PT/PCdoB/PV), em julgamento realizado na quarta-feira (26).

A denúncia apresentada pela federação listou sete vídeos patrocinados publicados entre maio e junho. Veiculados no Facebook e no Instagram, os anúncios chamavam Freitas de “bandido”, “meliante”, “escória”, “criminoso” e “agressor”. No site de Kilter, também é divulgado um abaixo-assinado em defesa da cassação de Freitas, que coleta dados de apoiadores.

Em primeira instância, a desembargadora Claudia Cristofani julgou a ação improcedente e não determinou punições ao vereador. Segundo a decisão de julho, a desembargadora indicou que, para ser considerada propaganda eleitoral, deveria haver uma alusão ao pleito futuro. Nesse caso, as postagens focavam exclusivamente no processo de cassação e não mencionavam as eleições de 2026, pedidos de voto ou candidaturas futuras.

Como as postagens cessaram em junho de 2026 e coincidiam com as datas do processo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a desembargadora entendeu que não foram usadas como pretexto para propaganda antecipada. “A postagem está focada em objeto extremamente delimitado e de existência real comprovada, além de precisa a congruência temporal, e por isso é um indiferente eleitoral relativamente ao pleito vindouro”, diz a decisão.

Publicações em alusão à cassação do deputado citada no processo. Foto: Reprodução/Processo 0600451-15.2026.6.16.0000.

No recurso julgado na quarta-feira (26), porém, a maioria do Tribunal entendeu que Kilter violou a legislação eleitoral. O artigo 57 da Lei das Eleições estabelece que o impulsionamento de conteúdo deve ser utilizado exclusivamente para promover ou beneficiar candidaturas ou suas agremiações, o que impede o uso da ferramenta para propaganda negativa contra adversários.

O voto que prevaleceu no julgamento foi o da desembargadora Nicole Trauczynski. Para ela, “a atribuição de grave teor ofensivo, tratando Renato Freitas como ‘meliante’, ‘agressor’, macula a honra objetiva do pré-candidato perante o eleitorado” e, portanto, os conteúdos não poderiam ter sido impulsionados.

Vereador acusa perseguição política

Além de determinar a exclusão das postagens consideradas irregulares, o TRE-PR condenou Kilter ao pagamento de multa de R$ 5 mil por conteúdo. Em nota à Tribuna do Paraná, a coordenação de campanha do vereador afirmou que as publicações faziam parte de uma manifestação legítima e classificou a decisão como uma forma de perseguição política. Leia na íntegra:

“O vereador Guilherme Kilter informa que não teve acesso ao inteiro teor da decisão, mas está tranquilo e confia na Justiça. Afinal, já venceu o pedido liminar apresentado pelo deputado Renato Freitas, que tentou censurar uma crítica política legítima.

Defender a cassação de um deputado que agrediu um trabalhador em plena rua não é crime. É uma cobrança pública, compartilhada por mais de 40 mil paranaenses que assinaram o pedido de cassação.

Em nenhum momento houve mentira, distorção dos fatos ou falsa acusação. Houve a descrição de um episódio público e a manifestação legítima de quem não aceita violência nem impunidade. Punir um vereador por isso seria perseguição política e uma grave afronta à liberdade de expressão”, diz a nota.

A reportagem tentou contato com o deputado Renato Freitas por meio de sua assessoria nesta sexta-feira (28) e neste sábado (29), mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

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