“Posto Ipiranga” abriu uma filial na Fazenda do Paraná

Paulo Guedes validou nome da nova secretária da fazenda do Paraná. Foto: Fábio Rodrigues-Pozzobon / Agência Brasil

O POSTO IPIRANGA ABRIU FILIAL

Paulo Guedes, o famoso Posto Ipiranga do governo Bolsonaro, voltou a abastecer uma equipe de governo. Desta vez, a de Sergio Moro. O governador eleito anunciou Pricilla Santana para comandar a Fazenda do Paraná, após consultar Guedes e Daniella Marques em busca de indicações. A escolhida não é nenhuma novata: administra as finanças do Rio Grande do Sul e tem longa experiência no Tesouro Nacional. Moro começa pelo cofre, o que também é uma maneira de avisar aos interessados em integrar seu governo que haverá alguém cuidando das contas.

O Posto Ipiranga ajudou a indicar o caminho. Agora, quem vai dizer quanto combustível existe no tanque é Pricilla.

GRECA FAZ O L

Rafael Greca resolveu tocar uma música diferente da escolhida por seus companheiros de campanha. Candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex, apoiada por Ratinho Junior, o ex-prefeito de Curitiba manifestou apoio a Lula, enquanto seus antigos aliados trabalham pela eleição de Flávio Bolsonaro. Diante de uma plateia de músicos, Greca encontrou uma explicação à sua maneira: não existe música de direita ou de esquerda, porque o gaiteiro precisa das duas mãos para tocar. Alckmin agradeceu a melodia durante sua passagem por Curitiba. Ratinho e Sandro certamente preferem outro repertório.

Greca, que nunca dispensou uma boa apresentação, parece bastante confortável com a escolha da partitura.

CÂMERAS ONDE NÃO CABEM

Alunos do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, descobriram câmeras disfarçadas de sensores nas áreas dos banheiros. Vieram protestos e investigação policial. A direção sustenta que os aparelhos registravam apenas os acessos, versão contestada por estudantes. A Secretaria da Educação informou que os equipamentos foram retirados. É preciso esclarecer quem autorizou a instalação, o que era filmado e quem tinha acesso às imagens. A direção chegou a classificar como vandalismo a retirada dos aparelhos.

Mais grave, porém, seria a eventual violação da intimidade dos alunos. Segurança escolar não é licença para invadir a privacidade de ninguém.

ONZE JÁ SENTARAM À MESA

Em Ponta Grossa, a eleição para a presidência da Câmara ainda vai acontecer, mas onze dos dezenove vereadores já puxaram suas cadeiras. O grupo anunciou apoio a Paulo Balansin e reúne o atual presidente, Julio Kuller. O deputado estadual eleito Ricardo Zampieri também participa das articulações. Com a maioria encaminhada, as conversas avançam para os demais cargos da Mesa Executiva. Naturalmente, política não conhece resultado definitivo antes da votação, e acordos podem mudar de endereço com surpreendente facilidade.

Por enquanto, Balansin tem gente suficiente para organizar o jantar. Resta saber se todos aparecerão na hora de pagar a conta.

RESSACA SEM PROMESSA

Tenho encontrado e conversado por telefone com candidatos que não se elegeram. Alguns receberam votações muito abaixo do que esperavam. A resignação começa a aparecer, mas acompanhada daquele gosto amargo de quem se sente deixado na mão. Há até um sentimento de traição, embora sentimento e traição comprovada sejam coisas diferentes. A situação lembra a ressaca do sujeito que, depois de exagerar na bebida, jura nunca mais encostar num copo. Curiosamente, entre os muitos derrotados com quem conversei, nenhum jurou que jamais voltará a disputar uma eleição.

Na política, a dor de cabeça pode ser grande. Mas a vontade de tomar outra dose parece ainda maior.

O TELEFONE DA CONFIANÇA

O Tribunal de Contas lembrou à Prefeitura de Faxinal que cargo de confiança não é passe livre para nomeações. Encontrou funções comissionadas destinadas a atendimento telefônico, arquivamento, alimentação de sistemas e até coleta de lixo. A Constituição reserva esses cargos a atribuições de direção, chefia e assessoramento. O TCE determinou adequações na legislação municipal. A decisão chega em boa hora, quando tanto se fala em enxugar a máquina pública.

Confiança é importante em qualquer serviço, mas não parece razoável exigir afinidade política de alguém para atender um telefone ou recolher o lixo.

MAIS ALCKMIN, MENOS JANJA

A ex-senadora Kátia Abreu reclamou que Janja estava aparecendo mais do que Alckmin na campanha de Lula. Pois nesta terça-feira o Paraná recebeu uma boa dose do vice-presidente. Alckmin desembarcou em Curitiba, conversou com empresários, encontrou o arcebispo e participou de ato eleitoral. Enquanto isso, Janja acompanhava Lula no Maranhão. A curiosidade é que a primeira-dama nasceu em União da Vitória, aqui no Paraná. Ninguém anunciou mudança de estratégia, muito menos disse que a campanha resolveu seguir os conselhos de Kátia.

Mas a coincidência é saborosa. Justamente na terra de Janja, a receita foi cumprida à risca: mais Alckmin, menos Janja. E sem precisar repetir a dose.

ISENÇÃO TEM PREÇO

O deputado Professor Lemos colocou uma cifra incômoda na discussão do orçamento estadual: R$ 28 bilhões em renúncias fiscais previstas para 2027. Segundo ele, o equivalente a 40% da receita corrente líquida. O parlamentar quer rever benefícios concedidos a grandes empresas. Incentivos tributários, entretanto, também podem atrair investimentos e gerar empregos. A questão não é simplesmente acabar com eles ou mantê-los por tradição.

O contribuinte tem direito de saber quem recebe, quanto recebe e o que entrega em troca. Afinal, benefício fiscal não cai do céu. Alguém precisa fechar a conta.

O HOSPITAL NA SALA DE ESPERA

Em Matinhos, o Hospital Regional Maria José Piana já tem projeto, investimento anunciado de R$ 67,7 milhões e previsão de 90 leitos. Falta começar a construção. A obra, anunciada em janeiro, aguarda esclarecimentos sobre questões ambientais e urbanísticas levantadas pelo Ministério Público. A prefeitura afirma ter prestado as informações solicitadas e prefere aguardar a manifestação do órgão antes de autorizar os trabalhos. É compreensível que uma obra desse porte exija cuidados.

O problema é que a população também precisa de atendimento. E o hospital destinado a reduzir a espera dos pacientes continua esperando para sair do papel.

A GRAVIDADE VIROU NEGÓCIO

Em São José dos Pinhais, a gravidade ganhou uma utilização que vai além das aulas de física. A Horse Powertrain inaugurou uma linha de fundição de alumínio por gravidade, resultado de investimento de R$ 200 milhões. A tecnologia permitirá produzir cabeçotes de motores com maior eficiência, utilizando alumínio reciclado e inteligência artificial no controle das peças. O empreendimento amplia a capacidade industrial da região e reduz a dependência de componentes importados.

Num mercado automotivo em transformação, o Paraná mostra que a inovação também acontece dentro das fábricas. E, desta vez, a gravidade trabalha a favor da produção.

SOLTARAM OS MOSQUITOS!

A Prefeitura de Ponta Grossa resolveu combater a dengue soltando mosquitos. Não é erro de impressão. A cidade inaugurou uma biofábrica e começou a liberar insetos portadores da bactéria Wolbachia, que reduz a transmissão de dengue, zika e chikungunya. A operação prevê mais de cinco mil pontos de soltura, numa parceria com o Ministério da Saúde e a Fiocruz. Durante anos, a população ouviu recomendações para eliminar os criadouros.

Agora, outros mosquitos entram em circulação para ajudar no combate à doença. A diferença é que esses chegaram com uma missão sanitária. E, pelo menos desta vez, com autorização da prefeitura.

MARINGÁ PÔS ROBÔ PARA BRIGAR

Maringá entrou na semana da inovação e resolveu levar a tecnologia para uma arena de combate. A InovaWeek reúne especialistas, empresários e estudantes para discutir inteligência artificial, indústria e novas tecnologias. Nesta quinta-feira, haverá uma batalha de robôs construídos por equipes de estudantes. Vence quem conseguir empurrar o adversário para fora da arena. A competição aproxima os jovens da ciência e da programação.

E tem uma curiosidade: na disputa dos robôs, ao contrário de certas brigas humanas, todos já entram sabendo exatamente quais são as regras.

O MEL GANHOU SOBRENOME

O mel de Capanema, no Sudoeste, acaba de conquistar Denominação de Origem concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O reconhecimento valoriza as características do produto, ligadas à vegetação da Mata Atlântica e ao trabalho dos apicultores. A produção associada chega a aproximadamente 60 toneladas anuais, movimentando a agricultura familiar e abrindo oportunidades para o turismo rural. Com o registro, o Paraná alcança 29 Indicações Geográficas.

As abelhas continuarão fazendo o serviço de sempre. A diferença é que agora o resultado do trabalho delas tem procedência reconhecida em cartório.

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