Mortes na BR-373: só depois da tragédia descobrem que obras eram urgentes

Acidente mais letal dos últimos cinco anos no Paraná deixou 23 mortos. Foto: PRF
Acidente mais letal dos últimos cinco anos no Paraná deixou 23 mortos. Foto: PRF

Vinte e três mortos na BR-373. Menos de 24 horas antes, outros dois na BR-277. A investigação ainda precisa esclarecer a dinâmica da tragédia de Ipiranga, inclusive as condições do caminhão e a jornada do motorista. Mas fiscalização, manutenção dos veículos, condição das estradas e prevenção já precisam entrar na mesma conversa. Quando acidentes dessa dimensão se sucedem, chamar tudo de fatalidade começa a ser uma maneira confortável de não fazer perguntas.

A pressa atrasada

A tragédia da BR-373 já recolocou a duplicação da rodovia no discurso de lideranças dos Campos Gerais. A reivindicação é legítima e antiga. O curioso é o calendário brasileiro das urgências: algumas obras passam anos esperando prioridade e, depois de uma tragédia, todo mundo descobre que eram urgentes desde sempre. Seria melhor descobrir antes.

Dia de decisão

A Câmara de Curitiba decide nesta quinta-feira o futuro de Lórens Nogueira. A Comissão Processante recomendou por unanimidade a cassação por quebra de decoro no caso da suposta rachadinha. A defesa nega e sustenta que os valores eram relativos a empréstimo. São necessários 26 votos para a perda do mandato. Acabou a fase dos pareceres. Agora cada vereador terá de colocar o próprio voto na história.

O Pardal acordou

A campanha mal saiu do ninho e o Pardal da Justiça Eleitoral já contabiliza 102 denúncias de propaganda irregular no Paraná. Ainda faltam semanas de eleição, horário eleitoral, impulsionamento, santinho e toda a criatividade que costuma aparecer quando voto e regra eleitoral se encontram. Pelo ritmo da largada, o passarinho terá expediente cheio.

Do Pardal para o busão

E já que o Pardal está trabalhando, Curitiba resolveu colocar também os ônibus na pauta. A prefeitura publicou o edital da nova concessão: cinco lotes, 15 anos de contrato e R$ 3,9 bilhões em investimentos, com integração temporal e 250 ônibus elétricos previstos até 2031. O custo global estimado chega a R$ 18,75 bilhões. Agora falta descobrir se o novo sistema vai andar tão bem quanto o edital.

Mais força à Fundaseg

Avançou na Assembleia o projeto que amplia as atribuições da Fundação de Apoio à Atividade de Segurança Pública do Paraná, a Fundaseg. A proposta aumenta as possibilidades de captação e administração de recursos destinados a projetos, equipamentos e ações das forças de segurança. Se aprovado, o novo desenho poderá transformar a fundação num instrumento bem mais relevante de financiamento da política estadual de segurança. É assunto para acompanhar de perto, e para perguntar de onde virá o dinheiro e como será fiscalizado.

Cannabis e companhia

A Polícia Federal investiga negócios relacionados a medicamentos à base de cannabis em que Roberta Luchsinger dizia atuar em nome de Lulinha e chegou a encaminhar uma minuta de contrato relacionada ao Ministério da Saúde. Não há até agora acusação comprovada de crime praticado pelo filho do presidente. Politicamente, porém, o roteiro já vem pronto: filho de presidente, lobista, contrato, ministério e cannabis medicinal. A oposição nem precisa contratar roteirista.

Maria da Penha sem endereço

O Supremo decidiu por unanimidade que medidas protetivas da Lei Maria da Penha podem ser concedidas mesmo quando não existe relação doméstica, familiar ou afetiva entre vítima e agressor. O caso começou com uma mulher ameaçada por um vizinho. O critério passa a olhar principalmente para a violência de gênero, e não para o endereço da relação. A proteção saiu de casa sem perder o nome de Maria da Penha.

E a fonte?

A Polícia Federal concluiu não haver indícios de crime praticado pelo jornalista Luis Pablo, alvo de investigação que chegou a permitir a identificação de uma fonte jornalística. O resultado não encerra a discussão; faz exatamente o contrário. Se o jornalista não cometeu crime, fica ainda mais importante saber por que uma garantia constitucional tão sensível precisou ser atravessada para descobrir isso. Fonte protegida não é privilégio de jornalista. É proteção da notícia contra o poder.

A blusinha vota

A medida que zerou temporariamente o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 perde validade em setembro se o Congresso não agir. O problema é eleitoralmente perfeito: deixar o imposto voltar desagrada o consumidor; manter a isenção desagrada indústria e varejo nacionais. O Congresso descobriu que até uma blusinha de cinquenta dólares consegue vestir uma saia justa.

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