RATINHO GARANTIU. XAROPINHO APRONTOU!
Ratinho mal tinha aparecido na propaganda de Flávio Bolsonaro garantindo a preservação dos programas sociais quando Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, resolveu falar em dois anos de transição no Bolsa Família para quem conseguir emprego ou abrir negócio. Não anunciou o fim do benefício, mas a declaração bastou para a oposição levantar a suspeita de cortes e Flávio correr para desmentir.
No programa de televisão, Xaropinho costuma aprontar e deixar Ratinho às voltas com suas provocações. Desta vez, Daniella resolveu fazer o papel do boneco. E nem precisou do famoso “Rapaaaz!” para criar a confusão.
KASSAB E O MILAGRE DOS SORRISOS
Gilberto Kassab visitou Ratinho Junior nesta segunda-feira e, pelo menos nos corredores políticos que orbitam o Palácio Iguaçu, a notícia parece ter devolvido o sorriso a muita gente. Curioso como a presença de um homem pode mudar o humor de quem ainda tenta digerir uma derrota eleitoral. Kassab conhece os caminhos do poder, inclusive aqueles que não aparecem nos mapas. Sabe conversar com adversários, preservar aliados e encontrar uma cadeira até quando a sala parece lotada. Nenhum acordo veio a público, mas isso não impede ninguém de fazer suas contas.
Quando Kassab aparece, até quem perdeu a eleição começa a desconfiar que talvez ainda tenha alguma coisa para ganhar.
DOUTOR GERALDO MEDE A FEBRE
Geraldo Alckmin chega nesta terça-feira a Curitiba para participar do Movimento da Virada, um ato da campanha de Lula marcado para as 11 horas, no Espaço Torres. Também estão previstos encontros com empresários e lideranças políticas. O vice-presidente, que é médico, encontrará um paciente eleitoral complicado. O Paraná deu uma demonstração de força à direita e Sergio Moro e Ratinho Junior estão empenhados na campanha de Flávio Bolsonaro.
Alckmin tem o perfil moderado de quem consegue conversar com gente que evita até passar perto de uma bandeira do PT. Mas uma coisa é encontrar quem aceite ouvir a receita. Outra, bem diferente, é convencer o eleitor a comprar o remédio.
FUZIL, COLETE E HOLOFOTE
Tinha fuzil, colete da Polícia Civil e câmera para registrar tudo. O que faltava, segundo o Ministério Público, era autorização para a operação. O deputado estadual Tito Barichello e sua mulher, a vereadora curitibana Tathiana Guzella, ambos do PL e integrantes da carreira policial, foram denunciados por abuso de autoridade numa diligência realizada em 2024, quando estavam afastados das funções policiais. A ação foi divulgada nas redes sociais e, para os promotores, teria servido também à promoção pessoal e eleitoral. Os dois contestam a acusação e afirmam confiar na Justiça. Não há condenação.
O episódio, que já teve sua temporada nas redes, agora terá de enfrentar um público bem menos interessado em curtidas.
LOTEAMENTO COM PEDÁGIO?
Maringá cresceu, o mercado imobiliário prosperou e, pelo visto, há suspeita de que alguém tenha enxergado uma oportunidade particular nesse desenvolvimento. Uma gerente da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação foi presa em flagrante, acusada de exigir propina para permitir a conclusão de processos relacionados a loteamentos. A investigação começou com denúncia ao Ministério Público e chegou à Polícia Civil. A prefeitura anunciou medidas administrativas e colaboração com as autoridades. Tudo ainda será apurado, naturalmente.
Mas o episódio expõe um problema conhecido de quem precisa de autorização do poder público. Existem as taxas previstas em lei e existem cobranças que jamais poderiam aparecer numa tabela. A polícia investiga justamente as da segunda espécie.
ATÉ O CARIMBO PEDIU VISTA
Cartório é um daqueles lugares onde o cidadão costuma entrar por necessidade e sair fazendo contas. Agora, a Assembleia Legislativa discute um projeto do Tribunal de Justiça que modifica os critérios de cobrança de emolumentos, aqueles valores pagos por escrituras, registros e outros serviços. O G7, que reúne entidades empresariais, teme aumentos expressivos. O deputado Luiz Fernando Guerra pediu vista e a votação foi adiada. O Tribunal defende atualização das regras e maior transparência. É uma discussão que merece mesmo atenção. Afinal, ninguém discorda de que os serviços precisam funcionar.
A curiosidade é saber se, depois de modernizar a tabela, sobrará algum dinheiro para quem precisa assinar o documento.
O TARIFAÇO ENTROU PELA SERRARIA
Donald Trump talvez não saiba localizar Jaguariaíva ou Telêmaco Borba num mapa. Mas os empresários dessas cidades certamente sabem onde fica Washington, especialmente quando olham os números das exportações. Estudo da Confederação Nacional de Municípios aponta que as vendas paranaenses aos Estados Unidos caíram 38,3% entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os doze meses anteriores. São US$ 598,8 milhões a menos, com a indústria da madeira entre as mais atingidas. Nos Campos Gerais, o problema já alcança trabalhadores, empresas e arrecadação.
Trump gosta de apresentar suas tarifas como demonstração de força. Para quem vive da produção, o espetáculo tem um inconveniente: a plateia é que acaba pagando a conta.
O BARRIL NÃO VOTA
O petróleo voltou a ultrapassar os 110 dólares por barril, embalado por uma combinação pouco recomendável de conflitos no Oriente Médio, insegurança no Estreito de Ormuz e receio de falta de abastecimento. O mercado internacional reage, investidores fazem contas e governos procuram administrar as consequências. No Brasil, a cotação não se transforma automaticamente em aumento nas bombas, mas ninguém ignora seus possíveis efeitos sobre transporte, frete e produção. Tudo isso acontece na última semana de uma campanha presidencial em que os candidatos já têm problemas suficientes para explicar.
O barril não vota no domingo, não aparece na propaganda eleitoral e tampouco participa dos debates. Ainda assim, consegue deixar muita gente preocupada com o resultado de suas oscilações.
SOJA NA FILA, TRIGO DE MOLHO
No Sudoeste do Paraná, a chuva resolveu trabalhar em regime de dedicação exclusiva. Foram 504 milímetros acumulados em 45 dias na região de Pato Branco, segundo o Deral. O trigo está produzindo cerca de 35% menos que o esperado, enquanto o plantio da soja enfrenta dificuldades para avançar. O problema não se resume ao que já foi perdido. O atraso de agora pode comprometer o calendário das próximas culturas. Quem vive no campo conhece a importância de cada janela de plantio e de colheita.
Chuva é bem-vinda, claro. Mas até a natureza poderia aprender que existe diferença entre colaborar com o agricultor e resolver fazer hora extra justamente quando ele precisa entrar na lavoura.
O IPVA EMAGRECEU. O ROMBO NÃO.
A redução do IPVA foi recebida com entusiasmo pelos proprietários de veículos. Nas prefeituras, porém, o sorriso não aparece com a mesma facilidade. Londrina enfrenta um déficit projetado de R$ 205 milhões, e a frustração dos repasses do imposto entrou na lista de preocupações da administração de Tiago Amaral. O problema financeiro é mais antigo e envolve despesas acumuladas e outras receitas abaixo do previsto. A prefeitura já anunciou contenção de gastos e revisão de contratos. O contraste é interessante: uma mesma decisão pode trazer alívio para quem paga o imposto e aumentar o trabalho de quem depende de parte dessa arrecadação.
O motorista olha o boleto e comemora. O prefeito olha o caixa e procura a calculadora.
ATÉ O MAPA VAI ÀS URNAS
Enquanto o Brasil discute quem ficará com a Presidência da República, os eleitores de Chopinzinho e São João, no Sudoeste, terão uma decisão mais próxima de casa. No domingo, além do segundo turno presidencial, vão votar num plebiscito para decidir se a comunidade do Alto Mirim deixa Chopinzinho e passa a integrar São João. A localidade fica muito mais perto da sede do município vizinho, e essa diferença tem consequências práticas para o acesso aos serviços públicos. A Justiça Eleitoral organizou a consulta nas mesmas urnas da eleição presidencial.
É uma situação curiosa. Em boa parte do país, o voto decidirá quem governará o Brasil. Ali, também ajudará a escolher qual prefeitura ficará do outro lado da porta.
FOZ ACENDEU MAIS QUE A PIRA
Estive na abertura dos Jogos da Juventude, em Foz do Iguaçu, e foi daquelas cerimônias que emocionam pela grandeza e pelo significado. Quase cinco mil jovens atletas, delegações da Argentina, Paraguai e Japão e uma festa que reuniu gerações do esporte. O prefeito, general Joaquim Silva e Luna, deu as boas-vindas aos participantes. Lá estavam Marco La Porta, presidente do COB, o campeão olímpico Emanuel Rego e Bernard Rajzman, da histórica Geração de Prata do vôlei e integrante do Comitê Olímpico Internacional. A medalhista Ágatha Rippel acendeu a pira. Merece reconhecimento o secretário estadual do Esporte, Helio Wirbiski, pelo empenho em trazer os Jogos para Foz, numa parceria com o COB e a Prefeitura. Sua mensagem sobre a formação de futuros atletas olímpicos resumiu o espírito da noite.
Foi bonito ver campeões consagrados ao lado de milhares de jovens que ainda começam a construir seus sonhos.
LONDRINA ENTRE A REDE E A CORDA BAMBA
O torcedor de Londrina terá de dividir suas atenções nesta terça-feira. No futebol, o Tubarão recebe o Cuiabá, às 19h30, precisando vencer para continuar respirando na Série B. No voleibol feminino, a cidade faz sua estreia na elite nacional com o Sancor Londrina enfrentando o Fluminense, no Rio de Janeiro. São situações curiosamente opostas. Enquanto uma equipe luta para não deixar a divisão em que está, a outra celebra a chegada à principal competição de sua modalidade.
O esporte tem dessas coisas. Numa mesma noite, é capaz de colocar uma cidade diante do medo de cair e da alegria de ter chegado lá em cima.
RISADA NÃO TEM SEGUNDO TURNO
Paranaguá começa nesta terça-feira a nona edição do Hahanaguá, festival de humor que reúne nomes como Maurício Dollenz, Cícero Viana, Gio Lisboa, Sérgio Mallandro e Nany People. As apresentações acontecem no auditório da Isulpar, com programação até 29 de outubro. É uma boa notícia para o Litoral, que também precisa de vida cultural quando as praias não estão lotadas. E a escolha do momento não poderia ser mais apropriada. Depois de semanas de campanha presidencial, acusações, promessas e discursos atravessados, talvez o público esteja precisando mesmo de alguém que saiba fazer graça profissionalmente.
Pelo menos no teatro as pessoas já entram sabendo que vão ouvir piadas. Na política, essa descoberta costuma acontecer depois.
