Fachin arrumou a sala. Dino mexeu nos móveis

O ministro do STF Flávio Dino. Victor Piemonte/STF
O ministro do STF Flávio Dino. Victor Piemonte/STF

Na quinta-feira escrevemos que Edson Fachin havia pegado o leme do Supremo e imposto um freio de arrumação à guerra entre ministros. A sensação de ordem durou pouco. Enquanto o presidente cancelava sessões, conversava reservadamente com colegas e tentava levar a Corte inteira até terça-feira, Flávio Dino autorizava a operação que colocou Mario Frias e a estrutura ligada a Dark Horse novamente no centro da turbulência.

Fachin está descobrindo a diferença entre presidir o Supremo e controlar dez ministros com caneta própria. A primeira função existe. A segunda ainda não foi regulamentada.

CASSAÇÃO DO CANDIDATO OU DO FAKE?

Arilson Chiorato pediu à Justiça Eleitoral a cassação da candidatura de Jeffrey Chiquini, acusando-o de usar a campanha para promover cursos, criptomoedas e empresas às quais estaria ligado. Chiquini devolveu a pancada dizendo que uma das peças usadas contra ele é um perfil falso no Telegram, criado com seu nome e fotografia, que já teria sido denunciado ao TRE e à polícia.

A Justiça agora ganhou um problema anterior à própria cassação: descobrir se estava falando com o candidato ou com alguém fantasiado digitalmente de candidato. Em 2026, até o fake corre o risco de ser chamado a explicar a campanha.

FALTOU PESQUISAR O PREÇO DA PESQUISA

Maringá gastou R$ 246 mil, sem licitação, numa plataforma chamada Banco de Preços, criada justamente para ajudar a administração pública a pesquisar preços. O TCE considerou a contratação irregular porque não ficou demonstrado adequadamente que a competição era inviável.

A ironia dispensa esforço: para contratar quem ajudaria a pesquisar o mercado, faltou pesquisar melhor o próprio mercado. Às vezes o Tribunal de Contas encontra o problema. Em outras, basta ler o objeto do contrato.

AGOSTO VENCEU. A PENDÊNCIA NÃO

Paranaguá continua aparecendo no sistema do TCE com pendência relacionada ao cumprimento de determinação envolvendo recursos consignados em folha, conciliações bancárias e eventual ressarcimento ao erário. O prazo registrado terminou em 10 de agosto e setembro já anda com alguma desenvoltura.

Prefeitura costuma ser rigorosa quando explica ao contribuinte que prazo vencido produz consequência. O Tribunal agora tenta descobrir se o calendário administrativo funciona também de dentro para fora.

R$ 3 MIL AGORA. A CONTA TODO MÊS

A Caixa colocou um bônus de R$ 3 mil na mesa para tentar encerrar a greve, antecipou a PLR e mexeu na proposta do Saúde Caixa. É justamente aí que mora o conflito: o prêmio chega uma vez, enquanto o custo do plano acompanha o empregado mês após mês. Se a categoria disser não nesta sexta-feira, o banco já deixou o dissídio coletivo estacionado na porta.

A negociação entrou naquela fase em que uma mão oferece o dinheiro e a outra já segura a petição

A RODOVIÁRIA PROCURA QUEM QUEIRA O VOLANTE

Londrina avança na modelagem para conceder a rodoviária à iniciativa privada. O patrimônio continua público, mas administração, investimentos e operação passariam para outro comando.

É uma fórmula cada vez mais apreciada pelos governos: fica-se com a propriedade e terceiriza-se a dor de cabeça. Se funcionar, a prefeitura terá concedido modernidade. Se der errado, pelo menos ninguém poderá alegar dificuldade para encontrar o terminal das reclamações.

CONFIRA A FOTO ANTES QUE A URNA CONFIRA POR VOCÊ

Partidos, federações e coligações têm até sábado para validar nome, número e fotografia dos candidatos que aparecerão na urna. Depois de meses de alianças, pesquisas, vídeos, santinhos, redes sociais e tratamentos caprichados de imagem, chegou a hora mais elementar da campanha: verificar se o candidato realmente aparecerá como imagina.

Na política, até a vaidade precisa respeitar prazo processual.

105 MUNICÍPIOS E UM GPS

A Justiça Eleitoral alterou locais de votação em 105 municípios do Paraná, entre eles Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Francisco Beltrão. O eleitor já precisa escolher presidente, governador, dois senadores e deputados, decorar uma pequena coleção de números e resistir à propaganda até outubro.

Convém agora acrescentar uma última providência: descobrir onde colocaram sua urna. Democracia exige participação. Em alguns casos, também localização ativada.

SETE NAVIOS VIRARAM ALÍVIO

Apenas sete embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira enquanto o petróleo continua acima dos US$ 100 e o mercado acompanha cada cargueiro quase como quem acompanha apuração eleitoral. Mais curioso que o número é a rapidez com que o mundo aprende a normalizar o extraordinário.

Quando sete navios circulando por uma das principais artérias energéticas do planeta começam a produzir sensação de alívio, talvez o problema já não esteja apenas no estreito. Está também na nossa régua.

25 ANOS DEPOIS

O 11 de Setembro completa hoje 25 anos. As torres caíram em poucas horas, mas o mundo construído sobre aqueles escombros atravessou um quarto de século. Vieram guerras, aeroportos transformados, sistemas de vigilância ampliados, fronteiras mais desconfiadas e uma política internacional que aprendeu a administrar o medo como instrumento de Estado.

Uma geração inteira nasceu depois dos atentados e já chegou à vida adulta. Para ela, as imagens pertencem à História. Muitas das consequências ainda fazem parte do presente.

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