Edson Fachin coloca o Paraná no leme do STF

O ministro Edson Fachin durante sessão plenária do STF. Foto: Alejandro Zambrana/STF
O ministro Edson Fachin durante sessão plenária do STF. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Esta coluna escreveu na terça-feira que Edson Fachin, gaúcho que construiu no Paraná a trajetória acadêmica e jurídica que o levou ao Supremo, estava com a mão no leme e precisava mostrar que não ficaria ali apenas segurando o volante.

Não demorou.

Fachin suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino, manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, convocou o plenário e classificou como grave o espetáculo de ministros desafiando decisões dos próprios colegas. Falou como juiz deve falar: pelos autos. Sem entrevista, live ou microfone, pegou o leme. Desta vez, o Paraná pode reivindicar um pedaço do protagonismo.

O SUPREMO MARCOU TERÇA-FEIRA

Fachin conseguiu interromper a guerra de canetas, mas não resolveu a guerra. Na terça-feira, dia 15, os dez ministros estarão frente a frente para discutir uma crise que já envolveu Moraes, Mendonça, Dino, Polícia Federal, Banco Master e o próprio funcionamento da Corte. Talvez seja a sessão mais importante do Supremo em muito tempo.

Fachin conseguiu fazer os ministros pararem de responder uns aos outros por liminares. Agora falta a parte difícil: colocá-los na mesma sala e fazê-los parecer integrantes do mesmo tribunal.

DARK HORSE ESTREIA NA PF

Dark Horse ainda nem chegou aos cinemas, mas a sua “superprodução internacional” ganhou uma avant-première nesta quinta-feira. Mário Frias, dublê de ator e político e produtor executivo do filme sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos. A operação foi autorizada por Flávio Dino.

Sem tapete vermelho, sem flashes e com agentes na porta, a estreia ficou menos hollywoodiana do que prometia o roteiro. Para Frias, uma ribalta particularmente desconfortável.

CASAMENTO COM SEGURANÇA REFORÇADA

No meio da maior crise do Supremo em muitos anos, Alexandre de Moraes ainda terá casamento na agenda. O filho Alexandre Barci se casa no dia 26 de setembro, na Casa Fasano, em São Paulo, e a circulação do “save the date” já provocou mobilização nas redes para um eventual protesto nas proximidades. Nada oficialmente confirmado.

A esta altura, porém, a preocupação deve ter saído do buffet e entrado na planilha da segurança. Família, convidados e, sobretudo, os donos da Casa Fasano certamente torcem para que a noite termine apenas com algumas taças quebradas.

25 PEDIDOS DE PAZ E AMOR

Se alguém ainda duvidava de que a eleição para o Senado virou a disputa mais nervosa do Paraná, a Band providenciou a ata. O debate de quarta-feira terminou com 25 pedidos de direito de resposta e oito aceitos. Deltan Dallagnol, Alexandre Curi, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Cristina Graeml estão separados por apenas seis pontos na pesquisa citada * durante a campanha, disputando duas cadeiras. Dr. Rosinha completa o grupo. Com tanta gente espremida na mesma porta, pedir licença já deixou de ser opção. Agora pedem direito de resposta.

O SEGUNDO VOTO É DE QUEM?

A eleição para o Senado tem uma perversidade particular: o eleitor vota duas vezes e o candidato precisa descobrir não apenas quem terá o primeiro voto, mas com quem dividirá o segundo. Curi e Cristina pertencem ao campo governista; Deltan e Filipe pescam em águas conservadoras muito próximas; Gleisi tenta consolidar a esquerda e avançar sobre o voto complementar. São duas vagas e uma quantidade bem maior de alianças que ninguém gostaria de admitir em público. Até outubro, muito adversário ainda vai torcer discretamente pelo voto no vizinho.

MORO E O VOTO INVISÍVEL

Sandro Alex resolveu cobrar de Sergio Moro a aprovação de Flávio Dino para o Supremo, agora que o senador critica duramente o ministro. Existe um pequeno inconveniente: a votação no Senado foi secreta. Há episódios e sinais políticos que alimentam a suspeita sobre a posição de Moro, mas não existe certidão de voto. É uma campanha eleitoral bastante moderna: o candidato precisa explicar publicamente um voto que ninguém consegue provar que ele deu secretamente.

DEBATE SOLO

Londrina preparou para sábado um debate entre Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho. Requião avisou que estará em Curitiba por causa da visita de Lula. Moro também não vai. Sobrou Sandro, e o debate virou sabatina.

Para o candidato do PSD, é uma oportunidade rara nesta campanha: adversários ausentes, jornalistas presentes e nenhuma possibilidade de Moro pedir direito de resposta. Se perder o debate, desta vez não haverá em quem colocar a culpa.

MORO DESCOBRIU A CADEIRA VAZIA

A desistência do debate de Londrina não é um episódio isolado. Sergio Moro, líder das pesquisas para o governo, vem escolhendo cuidadosamente os encontros dos quais participa. É uma estratégia compreensível para quem está na frente: debate oferece pouco para ganhar e bastante para perder.

O problema é que cadeira vazia também comunica. Moro passou anos cobrando que investigados aparecessem para responder perguntas. Em campanha, descobriu que algumas perguntas podem ser evitadas simplesmente não aparecendo.

O INQUÉRITO ENCONTROU A SAÍDA

Aberto em março de 2019, o Inquérito 4.781 atravessou sete anos, centenas de investigados, eleições, governos, prisões, bloqueios, sigilos e uma interminável discussão sobre os limites do próprio Supremo. Fachin retirou Moraes da condução e entregará à PGR a tarefa de separar o que ainda pode virar denúncia daquilo que deve ser arquivado.

Não é o fim imediato do inquérito, muito menos a anulação do que já foi feito. Mas depois de sete anos, o 4.781 finalmente descobriu que processos também podem ter porta de saída.

225 MUNICÍPIOS OLHANDO PARA CIMA

Enquanto a campanha discute quem vai governar o Paraná, boa parte do Estado tem hoje preocupação mais elementar: manter o telhado no lugar. O alerta para tempestades alcança centenas de municípios, com previsão de chuva intensa, granizo e rajadas que podem ultrapassar 100 quilômetros por hora. Defesa Civil, prefeituras, Copel e concessionárias entram em prontidão sem precisar pedir voto.

Em dia de temporal, promessa eleitoral vale menos que árvore longe da rede elétrica.

QUEM APANHOU AINDA ESPERA

Uma professora de 61 anos foi agredida a socos por um aluno de 14 dentro de um colégio estadual cívico-militar de Londrina. Duas semanas depois, Márcia Luciana da Rocha diz que ainda espera ser ouvida pelo Ministério Público. Ao adolescente foi aplicada liberdade assistida por seis meses e, transferido de escola, ele teria feito novas ameaças.

Justiça juvenil exige cuidado, recuperação e proteção ao menor. Só não deveria ser necessário lembrar que a professora que levou os socos também faz parte da história.

*Metodologia: 1.600 entrevistados pelo Real Time Big Data de 24 a 27 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Real Time Midia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-07845/2026.

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