O celular estava na delegacia, mas a prova sumiu: escândalo de R$ 10 mil pode custar cargo de investigador

Gaeco investiga sumiço de celular de dentro de delegacia. Foto ilustrativa: Pexels
Gaeco investiga sumiço de celular de dentro de delegacia. Foto ilustrativa: Pexels

A história parece escrita de trás para a frente. Um celular é apreendido porque pode conter provas e vai parar dentro de uma delegacia, exatamente onde deveria ficar protegido. Segundo denúncia do Gaeco, um investigador da Polícia Civil de Bandeirantes teria usado advogados como intermediários para cobrar R$ 10 mil e permitir acesso ao aparelho para apagar dados.

Três pessoas foram denunciadas. O Ministério Público pede também a perda do cargo do investigador em caso de condenação.

O celular estava apreendido. A prova, segundo a acusação, tinha preço.

MARINGÁ TIRA FÉRIAS. A CAMPANHA NÃO

Silvio Barros sai de férias da Prefeitura de Maringá na segunda-feira e pretende usar parte do período para fazer campanha. A vice, Sandra Jacovós, começou as dela nesta quinta e também vai para a campanha. No encontro das duas agendas eleitorais, Majô Capdeboscq, presidente da Câmara, assume temporariamente a Prefeitura e Sidnei Telles passa a comandar o Legislativo.

É campanha suficiente para movimentar dois Poderes de uma vez.

72 MULHERES E UMA PORTA QUE NÃO ABRIA

Setenta e duas mulheres. É o número que dá dimensão ao que o Ministério Público investiga numa clínica terapêutica de Terra Roxa.

Mulheres teriam sido impedidas de sair, submetidas a castigos, trabalho sem remuneração, restrições de visitas e sedação forçada. Há suspeitas de cárcere privado e tortura. O responsável teve a prisão temporária decretada.

Uma história dessas não precisa de adjetivos. Precisa explicar como uma estrutura com dezenas de internas conseguiu chegar até aqui.

PERGUNTE O QUE QUISER. REQUIÃO ESCOLHE COM QUEM BRIGAR

Dias atrás, esta coluna perguntou até quando o Requiãozinho paz e amor deixaria para Michele Caputo Neto o serviço de rosnar. A entrevista à RPC respondeu: não por muito tempo.

Perguntaram sobre Carlos Lupi, apareceu Moro. A aliança com o PT levou ao bolsonarismo. Copel trouxe Ratinho e Sandro para a conversa. É o velho Requião: aperte de um lado e ele escolhe rapidamente com quem prefere brigar. Michele Caputo já pode descansar a garganta.

CADA PESQUISA ENCONTRA UM PARANÁ

Sai pesquisa, muda a fotografia. Em uma, Sandro Alex aparece em segundo. Em outra, Requião Filho ocupa a posição. Agora a Atlas* produz mais uma mudança na ordem, enquanto Sergio Moro permanece na liderança.

O troca-troca começa a colocar em xeque qualquer tentativa de ler a sequência dos levantamentos como uma linha contínua de crescimento ou queda. Se a posição muda conforme o instituto, convém guardar a euforia e esperar que as próximas fotografias revelem alguma coisa além da diferença entre os fotógrafos.

AGORA O ESTRAGO TEM PRANCHETA

Passada a fase mais dramática dos temporais, equipes técnicas estão em Adrianópolis e Cerro Azul vistoriando estradas, pontes, acessos e outras estruturas atingidas. Na BR-476, o DNIT avalia erosões, deslizamentos e pontos de bloqueio.

É a etapa menos visível da emergência: transformar danos em projetos, obras, prazos e custos.

UMA ACUSAÇÃO QUE NÃO CABE NA FARDA

Dois guardas municipais de Paranaguá tiveram a prisão preventiva decretada num processo em que são acusados de tortura. A Justiça terá de estabelecer responsabilidades e aos acusados cabe o direito de defesa.

Mas a combinação das palavras já incomoda: guarda e tortura. A farda não condena ninguém. Tampouco pode funcionar como escudo.

BRB: O BANCO PÚBLICO E A CONTA QUE NÃO PARA DE CRESCER

Para quem acompanha o caso longe do Distrito Federal, o ponto de partida é simples: o BRB é um banco público controlado pelo governo local e entrou no escândalo do Banco Master depois de comprar bilhões em ativos ligados à instituição de Daniel Vorcaro.

Agora, relatório do Banco Central aponta perda potencial de R$ 11,4 bilhões nessas operações. A estimativa que vinha frequentando a discussão era menor, enquanto o governo busca R$ 6,6 bilhões para reforçar o banco.

Antes de descobrir quem pagará a conta, convém descobrir onde ela termina.

O JURO CAIU. NÃO PRECISA SOLTAR FOGUETE

A Selic caiu para 13,75%. É o quinto corte consecutivo e interessa a quem toma crédito, investe ou produz.

Antes do champanhe, porém, vale olhar outra vez para o número: 13,75%.

Estamos descendo. Só não confundamos a direção da viagem com a chegada ao destino.

A GUERRA EXPULSA. O MAR VIRA FRONTEIRA

Mais de 125 mil pessoas foram deslocadas pela nova ofensiva dos houthis na costa do Mar Vermelho, no Iêmen. Do outro lado está Djibuti, pequeno país africano para onde milhares já começaram a fugir.

A guerra faz dessas geografias uma escolha brutal. Quem abandona a própria casa não procura necessariamente o melhor lugar para viver. Procura primeiro um lugar onde consiga continuar vivo.

Para milhares de iemenitas, essa fronteira agora é o mar.

*Metodologia: AtlasIntel entrevistou 1.794 pessoas no estado do Paraná do dia 11 a 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-02671/2026.

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