Guto Silva voltou ao Palácio Iguaçu nesta quarta-feira, acompanhando uma comitiva da Indonésia em reunião com Ratinho Junior. Ex-secretário da Casa Civil, do Planejamento e das Cidades, reúne experiência técnica e traquejo político, combinação que nem sempre aparece no mesmo currículo. Vez por outra, seu nome surge nas especulações sobre o secretariado de Sergio Moro, embora não exista convite confirmado. A impressão é que essas conversas procuram mais produzir ruídos nos ouvidos de Ratinho Junior do que propriamente preencher uma pasta. Pode até ter havido alguma sondagem, mas não há confirmação disso.
Se a intenção era criar constrangimento, o reencontro no Palácio não demonstrou que tenha funcionado. Na política, às vezes o boato quer mais provocar ciúme do que conseguir emprego.
O VICE NÃO ESTÁ DE FÉRIAS
Enquanto Sergio Moro descansa na França, o vice-governador eleito Edson Vasconcelos tem compromisso nesta quinta-feira em Cascavel, onde participa de um encontro sobre o futuro da indústria. Presidente da Fiep, Edson continua movimentando uma agenda própria, com interlocução no setor produtivo e forte presença no Oeste. A movimentação alimenta uma curiosidade política: será que pretende exercer uma Vice-Governadoria apenas protocolar ou participar efetivamente das decisões do futuro governo? Até agora, não há definição pública sobre as atribuições que receberá.
Uma coisa é substituir o governador nas ausências. Outra é conquistar espaço quando o titular está sentado na própria cadeira. E Edson parece interessado em demonstrar que vice também pode ter agenda.
OS BARROS ENTRARAM EM CAMPO
O tornado que atingiu Maringá mobilizou muito mais do que as equipes de emergência. Silvio Barros coordena a recuperação da cidade, enquanto seu irmão, Ricardo Barros, trabalha junto aos ministérios em Brasília para viabilizar apoio federal. Ratinho Junior esteve no município nesta quarta-feira e anunciou R$ 175 milhões em linhas de crédito para empresas atingidas, sendo R$ 100 milhões do BRDE e R$ 75 milhões da Fomento Paraná. São financiamentos, não repasses gratuitos. A situação coloca em evidência a capacidade de articulação dos irmãos Barros e a necessidade de cooperação entre governos de diferentes campos políticos.
A disputa por protagonismo pode ficar para depois. Agora, a eficiência será medida pela velocidade da reconstrução.
HOSPITAL NA SALA DE ESPERA
O Hospital de Retaguarda de Cascavel continua exigindo explicações da administração de Renato Silva. A ampliação, superior a R$ 8 milhões, acumulou atrasos, enquanto a licitação para conceder a gestão da unidade por dez anos foi declarada fracassada após receber apenas uma proposta. A empresa recorreu, e o procedimento ainda depende de definição. A estrutura ampliada deverá elevar a capacidade para 95 leitos, mas a expectativa de atendimento continua condicionada à conclusão das etapas necessárias. A Prefeitura precisa esclarecer quando os novos espaços entrarão em funcionamento e qual será o destino da concessão. Com um custo operacional próximo de R$ 3 milhões mensais, o hospital não comporta indefinições prolongadas.
O edital pode voltar à mesa. O paciente continua esperando atendimento.
O NOVO NÃO QUER SAIR DA FILA
O Novo não pretende perder seu lugar na linha sucessória da Prefeitura de Curitiba. Paulo Martins deixará a Vice-Prefeitura para assumir mandato de deputado federal, e o próximo presidente da Câmara Municipal passará a ser o primeiro na linha de substituição de Eduardo Pimentel. A vereadora Amália Tortato aparece nas articulações para comandar o Legislativo no biênio 2027-2028. A eleição ocorrerá em dezembro, com voto nominal dos vereadores. Não existe candidatura vencedora antecipadamente, mas o interesse partidário é evidente. A saída de Paulo Martins deixará a Vice-Prefeitura vaga, sem eleição de substituto. O Novo poderá perder o cargo de vice e, ainda assim, conservar uma posição estratégica. Para isso, precisará conquistar a presidência da Câmara.
A sucessão não é hereditária, nem mesmo entre companheiros de partido.
ANTONINA VOLTA À URNA
Os moradores de Antonina terão de escolher novamente prefeito e vice-prefeito. O Tribunal Regional Eleitoral marcou a eleição suplementar para 7 de março de 2027, depois da cassação dos diplomas de Rozane Osaki e Diogo Alves Machado por abuso de poder político relacionado à implantação do programa Tarifa Zero durante o ano eleitoral de 2024. O município possui aproximadamente 15,6 mil eleitores. As convenções partidárias ocorrerão em janeiro, quando também serão apresentados os novos candidatos. É uma situação politicamente curiosa: enquanto o país acaba de encerrar uma eleição geral, Antonina já precisa organizar outra campanha.
O transporte gratuito, que deveria facilitar a vida do passageiro, acabou levando a política municipal de volta ao ponto de partida.
O ORÇAMENTO QUER DONO
Uma proposta de emenda à Constituição estadual pretende reservar 1,55% da receita líquida do Paraná para emendas parlamentares de execução obrigatória. O valor poderia ultrapassar R$ 1 bilhão, distribuído entre os deputados estaduais. A iniciativa reúne assinaturas suficientes para tramitar, mas enfrenta resistências, inclusive de Sergio Moro e de Alexandre Curi. A discussão coloca em disputa uma parcela importante do poder sobre o orçamento de 2027, que será executado pelo próximo governo. Os deputados argumentam que conhecem as necessidades dos municípios. O Executivo precisa preservar sua capacidade de planejamento.
No fundo, a questão envolve uma velha disputa da política: quem escolhe onde gastar e quem responde quando o dinheiro não produz resultado.
LONDRINA PROCURA O DINHEIRO
Londrina continua tentando encontrar uma saída para suas dificuldades financeiras. A Prefeitura estima encerrar 2026 com déficit de R$ 205 milhões, apesar das medidas de contenção adotadas pela administração de Tiago Amaral. A Câmara instalou uma comissão especial para examinar a situação das contas e do patrimônio municipal, presidida por Chavão, com Jessicão na relatoria e Matheus Thum como integrante. O prefeito atribui parte das dificuldades a compromissos assumidos anteriormente, enquanto os vereadores procuram esclarecer a evolução das despesas. A investigação poderá ajudar, desde que não se limite à procura de culpados.
A cidade precisa compreender como chegou a essa situação e, principalmente, como pretende sair dela. Encontrar explicações é importante. Encontrar dinheiro para pagar as contas, mais ainda.
CALAMIDADE COM HOLERITE
A Câmara de Apucarana aprovou auxílio de R$ 2.190,30 para servidores municipais que tiveram suas casas atingidas pelo temporal de setembro. A proposta de Rodolfo Mota poderá beneficiar até 500 funcionários e prevê pagamento em parcela única, após sanção e regulamentação. A medida procura alcançar trabalhadores que não têm acesso ao saque-calamidade do FGTS e que, em muitos casos, participaram do atendimento à população enquanto enfrentavam prejuízos nas próprias residências. É uma iniciativa importante de proteção ao funcionalismo. Mas a situação também lembra que uma calamidade não distingue o vínculo profissional das vítimas.
A recuperação das cidades exige políticas capazes de alcançar todas as famílias atingidas, sejam seus integrantes servidores públicos ou trabalhadores da iniciativa privada.
A CHUVA TAMBÉM PRODUZ BOATOS
Além dos estragos provocados pelo tornado, Maringá enfrentou uma tempestade de informações falsas. Um áudio espalhado por aplicativos anunciava a chegada de um fenômeno ainda mais destrutivo e falava até numa suposta previsão de 95% de probabilidade. A Defesa Civil desmentiu a mensagem e esclareceu que não existe confirmação de outro tornado. O Simepar mantém avisos sobre a possibilidade de chuvas fortes, mas a previsão de tempestades não equivale à certeza de um fenômeno extremo. O prefeito Silvio Barros também precisou desmentir boatos sobre um suposto lockdown.
Em situações de emergência, o medo já costuma ser grande o suficiente. Não precisa receber reforços fabricados por quem confunde compartilhamento de mensagens com prestação de serviço.
O SOL SAIU DE CENA
Foz do Iguaçu viveu uma tarde de filme de catástrofe. Uma gigantesca formação de nuvens negras avançou sobre a cidade, encobrindo a luz do sol e transformando o dia numa espécie de noite antecipada. As imagens que circulam nas redes sociais impressionam pela velocidade com que o céu escureceu e pelo aspecto ameaçador das nuvens carregadas. Não foi eclipse, muito menos efeito especial de Hollywood. Foi a natureza mostrando sua capacidade de produzir espetáculos tão fascinantes quanto assustadores.
Depois do tornado que atingiu Maringá, cenas assim deixaram de provocar apenas curiosidade. O céu virou atração, mas também motivo de preocupação.
OS JUROS TIRARAM FÉRIAS
Depois de cinco reduções consecutivas, o Banco Central resolveu interromper o passeio dos juros para baixo. O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, citando aumento das incertezas, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da economia. A decisão chega depois da reeleição de Lula e num ambiente de preocupação com o futuro das contas públicas. Para empresas e consumidores, especialmente aqueles que dependem de financiamento, significa continuar convivendo com crédito caro. No Paraná, indústria, comércio, construção civil e agronegócio acompanham diretamente essas decisões.
O governo pode prometer estimular investimentos e consumo, mas o dinheiro emprestado continua cobrando seu preço. E o Banco Central não demonstrou pressa de oferecer desconto.
A CONTA FICA PARA QUEM CHEGAR
O Congresso pretende votar o Orçamento de 2027 até 17 de dezembro, antes da posse dos deputados e senadores eleitos em outubro. O calendário prevê apresentação de emendas entre 16 e 27 de novembro e conclusão das votações na Comissão Mista de Orçamento em dezembro. O detalhe político é que a atual composição parlamentar decidirá boa parte das condições financeiras que encontrarão os novos integrantes do Legislativo. Lula foi reeleito, mas terá de administrar compromissos definidos por um Congresso cuja composição já foi alterada pelas urnas. É uma situação conhecida da política brasileira: uma legislatura aprova a conta, outra começa tendo de acompanhar sua execução.
Quem chega depois nem sempre escolheu o cardápio, mas participará da discussão sobre a despesa.
IMPOSTO BAIXO, ROMBO ALTO
O Paraguai, celebrado pela tributação simples e pela Lei de Maquila, acaba de descobrir que nem todo milagre econômico resiste a uma auditoria bancária. O ueno bank, com quase três milhões de clientes e cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos sob sua administração, entrou em processo de resolução. A crise derrubou o presidente do Banco Central, levou executivos à prisão e provocou até um pedido de impeachment contra Santiago Peña. No Brasil, o Banco Master já demonstrou que a proximidade entre dinheiro, bancos e poder político também pode produzir estragos consideráveis. O Paraguai tem avanços reais, mas quem vende a mudança para o país vizinho como solução para todos os males brasileiros precisa atualizar a propaganda. Imposto baixo atrai investidores. Banco quebrado, depositantes sem dinheiro e suspeitas de promiscuidade financeira não atraem confiança.
O paraíso pode até cobrar menos impostos, mas não oferece imunidade contra problemas que atravessam fronteiras.
O SALÃO DE BAILE E A DERROTA
Donald Trump escolheu uma maneira curiosa de enfrentar a ressaca eleitoral. Enquanto os democratas comemoravam a conquista da Câmara e do Senado, o presidente americano apresentou aos jornalistas as obras do salão de baile que está construindo na Casa Branca. A oposição já reúne pelo menos 54 cadeiras no Senado e ampliou sua presença na Câmara, inclusive em redutos tradicionalmente republicanos. O custo de vida e a guerra com o Irã pesaram na votação. Trump conserva o poder de veto e continuará governando, mas terá pela frente um Congresso disposto a fiscalizar sua administração e dificultar parte de sua agenda. A ironia é que, justamente quando perde espaço político em Washington, o presidente parece especialmente interessado em ampliar o espaço para recepções.
O salão cresce. A margem de manobra política diminui.
