No Maracanã, pela semifinal da Sul-Americana, Atlético Paranaense 2×0 Fluminense.

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Só mesmo um aforismo bíblico para tratar dessa vitória do Furacão: com a consciência daqueles que têm e transmitem fé, jogou no Maracanã como se fosse no Mar da Galileia: “andando sobre águas”.

Foi tão soberbo no sentido de extraordinário, porque foi um time perfeito no sentido de união de gente, de ideias e de talentos. Bem por isso, não deixou nenhum enigma: num Brasil, em que o seu campeão usa um jogo rústico tendo como referência o choque físico para ganhar a bola, tornou-se finalista da Sul-Americana moldado em variedades conceituais, modernas e antigas, mas todas elas a partir da tomada de bola pela consciência de jogo.

O Furacão jogou tanto e foi tão diferente, que parece ter um jogo exclusivo, só dele, criando a falsa ideia de que o futebol é coisa simples, coisa de primário. E, no entanto, o futebol é complexo. Só os eleitos conseguem mostrar essa certeza.

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Lucho González (Ah! Lucho, meu ídolo) foi o farol que serviu de referência para o time jogar. Distribuindo bolas, expandiu o jogo pelos lados com Lodi e Jonathan; por Cirino e por Nikão. Nem precisou que Pablo fosse um número 9. Bastou ser um falso 9. E isso foi o segredo de tudo.

A partir de Lucho, o Atlético fez do Fluminense um simplório coadjuvante da sua maravilhosa noite no Maracanã. Logo aos cinco minutos, Nikão marcou. Coitados dos tricolores, tão poderosos no seu código jurídico especial, entregaram-se.

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Vejam só, nem bem tinha começado, o jogo já estava liquidado com o gol de Nikão. É que a matemática passou a ser ilógica diante da diferença do jogo do Furacão sobre o Fluminense.

E quando se esperava tudo igual, o treinador Tiago Nunes fez o Furacão voltar melhor para o segundo tempo. Então, Bruno Guimarães fez 2×0, com o time trocando passes, como se escrevesse um folhetim.
O Atlético vai decidir com o Junior de Barranquilla.

Essa coluna é uma homenagem ao responsável por tudo: Tiago Nunes, o treinador.

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