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Rebouças

Sem bera, só malaco!

Foto: Felipe Rosa
Escrito por Lucas Sarzi

Na internet, o endereço da unidade de Curitiba da Companhia de Bebidas das Américas, conhecida popularmente como Ambev, continua sendo o da Avenida Presidente Getúlio Vargas, no Rebouças. Na prática, isso já não existe há meses e moradores do bairro denunciaram à Tribuna do Paraná que o espaço, que ocupa um quarteirão e deve ser destinado ao governo do Paraná, está abandonado. “Se tornou um enorme mocó. Temos medo até de passar por ali”, desabafou uma vizinha do antigo endereço da Ambev.

Foto: Reprodução/GoogleMaps.

Foto: Reprodução/GoogleMaps.

O complexo, que abrigava o centro de distribuição de Curitiba, tem 20.252 metros quadrados, toma conta de um quarteirão e fica entre quatro ruas: além da Avenida Presidente Getúlio Vargas, também a Avenida Iguaçu, a Rua Rockfeller e a Rua João Negrão. Por ser uma região mais empresarial, pouca gente presencia o problema, mas alguns moradores procuraram a Tribuna do Paraná para dizer que a situação está cada vez pior.

Segundo quem vive na região, moradores de rua e, principalmente, usuários de drogas ocupam parte do complexo e trazem preocupação. “Tem uma parte do prédio, a que fica mais para os fundos, beirando à Avenida Iguaçu, que os seguranças nem vão mais, por orientação da própria empresa. Isso porque se tornou perigoso até pra eles, imagina pra gente, que passa na rua?”, denunciou outra moradora que passa todos os dias por ali.

Numa rápida passagem pelo local, a reportagem encontrou portões fechados e dois seguranças no interior do complexo. Por medo de possíveis represálias, eles não quiseram dar detalhes do que veem diariamente, mas confirmaram que o prédio abandonado tem sido motivo de preocupação até mesmo para quem foi contratado para cuidar da vigilância.

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

Lá dentro, porém, até a água teria sido cortada para os seguranças, que também trabalham com a falta de limpeza nos banheiros, por exemplo. Todo o maquinário e também tudo o que poderia ser furtado pelos bandidos foi retirado do local por uma empresa terceirizada que foi contratada pela Ambev, então, os seguranças ficam sempre sozinhos. “Tá tudo sujo, porque o lixo não é mais recolhido. Quando trabalhei, já era ruim, agora então, a situação está pior ainda. Tenho dó dos seguranças”, contou um funcionário de uma das empresas terceirizadas que prestou serviço à Ambev.

Drogas e sexo

O funcionário disse à reportagem que, tanto de dia como também à noite, ficam dois seguranças no complexo para cuidar de tudo. “Eles precisam lidar com péssimas condições de trabalho, sem contar na própria insegurança, porque a todo o momento alguém invade o local. Quando estávamos lá, só tinham luz, por exemplo, porque o bar que fica ao lado fornece. Se não, trabalhariam no escuro”.

A reportagem apurou que as invasões são diárias e que até alguns flagrantes já foram registrados pelos seguranças. A Polícia Militar (PM) informou que tem ido ao local quando é acionada, mas os bandidos conseguem sempre fugir. A intenção de quem invade o local, além de se abrigar para usar drogas e até mesmo fazer programas sexuais, quase sempre é para buscar por algum material que possa ser furtado como fios de cobre, alumínio ou alguma coisa que possa ser vendida.

“Rolo” na Justiça

Foto: Divulgação

“Contrato de parceria da Ambev com o bar, que vai até 2027, permite uso o espaço”, diz advogada. Foto: Divulgação

A posse do terreno deve ser passada ao Governo do Paraná. O que tem, de certa forma, atrasado o processo é o contrato da própria Ambev com o Bar Brahma, que fica em uma área dentro do terreno. O bar, que foi instalado no local em 1999 justamente para ficar próximo à cervejaria Ambev, está ameaçado. Nos últimos meses, uma ordem de despejo, concedida pelo Tribunal de Justiça a pedido da própria Ambev, foi suspensa, mas o futuro do bar tradicional de Curitiba ainda não é certo. “Acontece que, indiferente de a cervejaria ter vendido o terreno ou não, existe um contrato de parceria da Ambev com o bar, que vai até 2027 e que permite usar o espaço”, explicou a advogada Marina Martynychen.

Segundo Marina, que representa o bar, a Ambev não procurou a empresa para discutir a questão. “Soubemos da situação quando chegou a notificação extrajudicial. A Ambev esvaziou a fábrica, tem que entregar o terreno para o Estado, mas nós estamos no local porque temos a posse. Foi um erro de planejamento da cervejaria, que concedeu a propriedade para dois nomes ao mesmo tempo”.

Enquanto nada é decidido, até mesmo o futuro dos 30 funcionários do bar é incerto. “Não foi feita nenhuma tentativa de acordo. Em 2012, quando a Ambev assinou com o governo do Paraná, ela não pensou. Temos o compromisso não só com os fornecedores, mas também com os 30 funcionários, que não podem ser demitidos de uma hora para a outra”, completou a advogada.

O que diz a Ambev?

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

A Tribuna do Paraná procurou a assessoria de imprensa da Ambev, que disse, em nota, que há cerca de dois anos tem tentado entregar o imóvel, que já possui destinação, como é publicamente conhecido. “Uma pequena parte do imóvel está ocupada, o que tem nos impedido de resolver a situação. Estamos prontos para entregar o imóvel e esperamos resolver essa questão o quanto antes”, finalizou a empresa.

O governo do Paraná informou que ainda espera pela transferência de posse do imóvel. Só assim que o futuro do espaço, que antes abrigava a Ambev, vai poder ser discutido e os projetos levados adiante. Até foi iniciado um projeto do que fazer com o prédio, mas tudo depende da liberação das pendências judiciais.

Motel-mocó!

Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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26 Comentários em "Sem bera, só malaco!"


Sinézio Bernardo
Sinézio Bernardo
10 meses 4 dias atrás

Então o governo do Beto Richa fez o negócio com a AMBEV sem ver que a área não estava livre? Não viram que tinha um bar no local, com contrato até 2027? O Ministério Público devia chamar os responsáveis pela trapalhada e exigir explicações, punir os culpados, etc.

República do Paraná
República do Paraná
10 meses 8 dias atrás
Um dos projetos do governo do estado no terreno é a instalação do novo campus da Unespar, para unificar em um mesmo local a Embap (Campus I) e a FAAP (Campus 2) com uma melhor estrutura acadêmica, além de ampliar portfólio de cursos de outras áreas. No entanto, para que o imóvel não fique sujeito a depredação e vire definitivamente em um mocó, a Ambev tem a responsabilidade de ampliar a segurança no imóvel, bem como oferecer em conjunto com a empresa terceirizada, melhores condições de trabalho para os respectivos seguranças, até a resolução da situação com o bar. Entretanto,… Leia mais »
Rafael Ric
Rafael Ric
10 meses 10 dias atrás

Bora fumar um.. Antarticrack

Sandro Bezerra
Sandro Bezerra
10 meses 10 dias atrás

Nem sabia que a Ambev tinha saído do Rebouças

Cesar
Cesar
10 meses 11 dias atrás

Quem reclamava dos caminhões na região agora que ature os nóias.
Logo desaparece assim como a vizinha Mate Leão – Páginas importantes da história do desenvolvimento paranaense sendo jogadas no lixo.

Ribas Tiago
Ribas Tiago
10 meses 11 dias atrás

Além da reclamação é a famosa lei de zoneamento, a Prefeitura e os incompetentes do IPPUC implantaram as novas regras, mas e o povo vai viver do que na cidade? Quantas pessoas perderam seus empregos com essa saída da AMBEV? Vejam por exemplo a Linha Verde, tinham um polo de empresas em pleno funcionamento, vejo o que restou por la, ruínas e mais ruínas, varias empresas fecharam as portas…

Antenor
Antenor
10 meses 11 dias atrás

Antes tinha uma empresa gerando emprego, renda e tranquilidade na região. A empresa foi embora para outra cidade, deixou mais uma porcentagem %%%% de pessoas sem emprego, enfraqueceu o comércio na região e ainda de quebra deixou um lugar abandonado, parabéns aos envolvidos! Alias foi mais uma empresa se eu não me engano deixar Curitiba, entre outras que ja foram…

Maycon Silva
Maycon Silva
10 meses 4 dias atrás

Industria no centro? Querer criar problemas, além do trafico de caminhões.

Inversão de Valores
Inversão de Valores
10 meses 11 dias atrás

Deixa o povo transar.

Além disso, qualquer canto com marquise é mocó para bandidinho. Aqui na região do água verde, de 1 ano para cá, na republica argentina, começaram com alguns malacos vendendo Estar, e agora parece campo do MST. Cheio de favelado, de dia até de noite, roubando as pessoas nas ruas e ameaçando as mulheres que estacionam na avenida. Eu já mandei 3 se 1foder, hoje.

Kevin Mamar
Kevin Mamar
10 meses 11 dias atrás

Daqui a pouco a Universal já se apropria desse terreno também.

Cesar Augusto
Cesar Augusto
10 meses 11 dias atrás

Tem que aproveitar q está no começo e acabar com a bagunça agora do que deixar ploriferar mais , pq depois que estiverem bem acomodados vai ficar perigoso

jurandir Roedel
jurandir Roedel
10 meses 11 dias atrás

trabalhei ai no tempo em que era cervejaria brahma e a administração era excelente…depois que passou para ambev so importava o lucro final…grana.

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