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“Match” pra gravidez

Foto: Pixabay
Maria Luiza Piccoli

É cada vez mais comum ver pais e mães, impossibilitados de engravidar, buscarem nas técnicas de reprodução assistida a grande chance de realizar esse desejo. Nos últimos anos, as buscas por métodos de fertilização aumentaram significativamente no Brasil, haja vista que muitas mulheres têm deixado para engravidar mais tarde – o que torna a gestação mais arriscada dependendo da idade. Sabendo das inúmeras dificuldades encontradas pelas mulheres que encontram na receptação de óvulos a única forma possível de engravidar – seja por conta da idade, seja por complicações do próprio organismo – um ginecologista mineiro criou a “Rede Óvulo Doação”, um aplicativo que promete facilitar o encontro entre receptadoras e doadoras, acelerando o processo de gravidez.

De um lado, a busca pela realização profissional e estabilidade financeira, de outro, a vontade de ter filhos. O dilema provoca um nó na cabeça de muitas mulheres profissionalmente ativas hoje, no Brasil, que adiam a maternidade até os 45 do segundo tempo. Fato é que quando uma mulher decide ser mãe não há nada que tire isso da sua cabeça e, mesmo sob o risco de terem gravidezes complicadas, muitas mulheres não abrem mão do sonho. Dados divulgados em 2017, pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de mulheres que se tornaram mães após os 40 anos, no país, subiu 49,5% em 20 anos, passando de 51.603 em 1995 para 77.138 em 2015.

Os números mostram que, em 2015, 72.290 das novas mães brasileiras tinham entre 40 e 44 anos e outras 4.475 estavam entre os 45 e os 49. Curiosamente, no mesmo período, 373 brasileiras engravidaram depois dos 50 anos e 21 já tinham mais de 60 quando deram à luz.

Haja vista que, depois dos 35 anos, engravidar se torna cada vez mais complicado por conta dos fatores biológicos, a saída que grande parte dessas mães encontrou para conseguir gerar filhos foi a reprodução assistida. Dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2017, apontam que mais de 66 mil embriões foram congelados no Brasil em clínicas de fertilização. Muita gente não sabe mas boa parte desses embriões jamais seria gerada sem a contribuição de doadores, totalmente voluntários, que que não recebem nada em troca para doar seus óvulos ou espermatozoides àqueles que precisam.

O processo não é tão simples, já que – além da compatibilidade entre receptora e doadora – para “presentear” alguém com um óvulo saudável é necessário passar por uma série de exames e procedimentos médicos. Ciente do problema, o ginecologista mineiro e diretor do Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida (Ibrra), Bruno Scheffer, criou o aplicativo “Rede Óvulo Doação”, que funciona como o “Tinder” só que, ao invés de combinar casais, conecta mulheres que querem doar óvulos àquelas que desejam ser mães, mas não produzem gametas de boa qualidade.

Cadastros

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

Lançado em fevereiro, o app já conta com 400 usuárias cadastradas. Destas, 298 são receptadoras e 216 são doadoras. De acordo com Bruno, as duas maiores vantagens do aplicativo são a agilidade em encontrar doadoras compatíveis e na rapidez da viabilização da doação e implantação dos óvulos. “Quando essa busca é feita por intermédio das clínicas tradicionais, as mulheres têm que esperar até 6 meses para achar uma doadora que reúna as características compatíveis com a sua. Nisso já se perde um tempo muito grande. A vantagem da plataforma é que você encontra rapidamente aquelas pessoas que têm as características que você procura sem pagar para que alguém faça essa conexão”, explica.

Funciona da seguinte forma: ao baixar a ferramenta, tanto doadoras quando interessadas em receber os óvulos preenchem um formulário com informações detalhadas sobre suas características físicas e de personalidade. Como a lei proíbe a revelação da identidade de ambas as partes (resolução CFM nº 2.168/2017), tudo é feito de forma sigilosa e virtual, por meio de avatares (bonequinhos) com as características físicas de cada uma.  “A ideia é conectar mulheres que tenham características parecidas e que, por meio dos avatares, têm a possibilidade de avaliar essas semelhanças”, explica.

Anonimato

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

Feito o “match”, uma consulta presencial é marcada com o médico numa das unidades parceiras da plataforma em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre ou Bahia. Cada mulher é examinada e, caso seja aprovado, o tratamento tem início. É importante lembrar que, em nenhum momento, doadora e receptadora se encontram e todas as informações são mantidas em sigilo. É, então, só depois da primeira consulta que as receptadoras tiram dinheiro do bolso, caso queiram de fato realizar a implantação do óvulo. “A partir daí o tratamento segue como em qualquer clínica. O objetivo do aplicativo é encurtar a busca pelo óvulo ideal”, explica Scheffer.

Conforme às normas brasileiras, o aplicativo em nenhum momento comercializa óvulos, apenas viabiliza a doação, que pode ser feita de duas maneiras previstas em lei: espontaneamente pela doadora (que não pode cobrar nada por isso), ou de forma compartilhada – quando a receptadora do óvulo ajuda a pagar pelos medicamentos e procedimentos necessários para indução e retirada do óvulo da doadora. Em ambos os casos, a doação é totalmente anônima.

O app é gratuito e já está disponível nos sistemas Android e IOS.

Saiba mais neste link: http://conteudo.ibrra.com.br.pages.services/rede-ovulo-doacao/?ts=1518196513941

https://www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/curitiba/nada-de-lactose/

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Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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