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Piraquara

Baile do Pato fecha as portas e deixa curitibanos órfãos

Giselle Ulbrich e Gustavo Marques

“Não teve tempo nem para uma despedida”. A frase de impacto e de lamentação é de Rodrigo de Souza, um dos sócios da propriedade, confirmando o fechamento da casa de shows Baile do Pato, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. A decisão de ‘fechar as portas’ tem motivos financeiros e, com a queda de público, foi preciso encerrar as atividades após 56 anos consecutivos quinzenalmente nas noites de sábado.

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O anúncio oficial ocorreu na última terça-feira (2) no site oficial do Baile do Pato. A notícia se espalhou nas redes sociais e gerou enorme comoção naqueles que frequentaram, ou conheciam ao menos pelo nome, o tradicional evento que marcou época na vida dos curitibanos desde o fim da década de 1950.

A forte chuva do dia 30 de maio destelhou grande parte do salão e o piso também foi danificado. Mesmo com a ideia de reformar o telhado e deixar um “brinco” a pista, os valores orçados por empresas foram considerados altos pelos proprietários. “Fizemos três orçamentos e o maior pedido foi de R$ 70 mil. O preço neste momento está fora do nosso alcance até pela queda de público que tivemos nos últimos anos”, ressaltou Rodrigo.

>>> Conheça a Lenda do Baile do Pato

A concorrência e preços exorbitantes das bandas ao vivo, a distância da capital (22 km) e até um controle maior do consumo de bebida alcoólica pelas autoridades são alguns dos motivos que afastaram o público do Baile do Pato. Na “época de ouro”, o salão chegou a abrigar quase 2.500 pessoas mas, atualmente, se chegasse a 500 convidados era motivo de comemoração dos organizadores. “Isto é até natural, mas a casa sempre manteve durante todos estes anos uma particularidade pouca vista. Aqui é família e com a mudança de perfil das pessoas, infelizmente perdemos a luta. Em todo este período, lembro de pouquíssimas confusões.le  Além disto, aqui não toca funk e pagode. Gostamos das músicas mais clássicas como valsa e marchinhas que se pode dançar ”, afirmou o neto do fundador do Baile do Pato, o catarinense Heinrich de Souza.

Propriedade na imobiliária

Há quatro meses, o terreno – que tem 4.230 m² e está dividido em cinco lotes de familiares –  está para ser vendido. Os problemas ocasionados pela chuva no fim de maio só apressaram o fechamento dos bailes. A última dança ocorreu no dia 18 de maio e desde então, o salão está fechado ao público. Algumas pessoas demonstraram interesse em comprar o imóvel, que por enquanto segue para ser comercializado. O preço está avaliado em R$ 1,25 milhão de reais. “O comprador pode até manter o nome e usar o espaço para a festa. Seria algo bom para todos”, ressaltou Rodrigo.

Ajuda virtual

Local ficou bastante comprometido após as chuvas, que destruíram o telhado. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Local ficou bastante comprometido após as chuvas, que destruíram o telhado. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Nas redes sociais, algumas pessoas deram a ideia de iniciar uma ajuda virtual com uma “vaquinha”. Os interessados ajudariam financeiramente e o valor seria usado para reformar a salão de baile. No entanto, isto não vai vingar. “Seria algo errado nosso aceitar a oferta neste momento. Vai que reformamos e depois de seis meses vendemos o imóvel. Seria uma trapaça”, salientou Rodrigo de Souza.

Origem

Em 1958, Heinrich de Souza sentiu saudades dos bailes catarinenses e da música alemã. Assim teve a iniciativa de fundar o Clube Colonial e começou com uma salinha, um banco, um pato e a animação de um sanfoneiro. O tempo foi passando e o número de pessoas só crescia. A pequena sala se transformou em um salão e já havia até uma banda contratada, o “Conjunto Havaí”. No boca a boca, a turma apelidou a festança como “Baile do Pato”.

Frequentadores vinham de Curitiba e até de outras cidades do Estado para dançar, namorar e apreciar o famoso prato servido no local, o pato. A refeição era servida com elegância pelos garçons e a na cozinha era uma correria. “Eu era pequeno e ajudava meu avô com os patos. No terreno, chegamos a ter três mil aves e mais de cem eram mortos somente para servir aos clientes. Fazia aqui todo o processo de limpeza, armazenamento e tudo na perfeita organização. Hoje em dia, compramos embalados de Santa Catarina”, confidenciou o neto.

Casamentos, prêmios e até velórios

O salão do Baile do Pato tem muita história. Os primeiros beijos, pedidos de casamento e até velórios foram realizados ali. A imagem de um ambiente familiar ajudava na conquista, mas isto não poderia servir de estímulo para aqueles mais assanhados. Meu avô dava até bronca em casais quando passavam do limite. Sei que meus tios se conheceram aqui e estão juntos há mais de 30 anos. No salão também tivemos o velório do meu avô, que morreu em 2002”, lembrou o neto.

Saudades

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

No atual salão, estão posicionadas mesas, cadeiras, os balcões antigos, o palco das bandas, decoração e até a famosa roleta da sorte que dava prêmios para os sortudos. Cervejas, refrigerantes e até o pato no prato eram sorteados. O clima hoje é de tristeza para quem frequentou um dia o Baile do Pato e já deixa saudades naqueles que tiveram a honra de dançar e curtir os embalos de sábado à noite neste salão. “Vivemos aqui e adoecemos. Fica a história e a alegria do Heinrich, o nosso eterno Seo Souza”, concluiu o neto, orgulhoso da história da família.

Lenda urbana

No livro “Lendas Curitibanas” de autoria de Luciana do Rocio Mallon, um capítulo inteiro é dedicado ao Baile do Pato. A vó da escritora conta de onde surgiu essa história. Vale a pena conferir.

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Sobre o autor

Tribuna do Paraná

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13 Comentários em "Baile do Pato fecha as portas e deixa curitibanos órfãos"


Mirtão Lopes
Mirtão Lopes
19 dias 9 horas atrás

Desmanche de bregas e cornos.

Adriano
Adriano
19 dias 15 horas atrás

Uma pena esse lugar fechar, pelo visto teve o mesmo destino de outro ícone da noite curitibana, o Jatão de Santa Felicidade, que fechou as portas deixando um baita prejuízo no seu proprietário.

Paranito PentaCampeão
Paranito PentaCampeão
19 dias 21 horas atrás

Espelunca mais pulguenta nao tinha. So tem bebado e tribufu caçando, tem q acabar mesmo. Ja fui lá qdo era novo e burro, hj não passo nem perto de lugares assim, nao corro mais risco de graça!!!!!

Mohamed Al Jarrad
Mohamed Al Jarrad
19 dias 12 horas atrás

Vc vai em lugar pior seu esnobe como por exemplo Vila Capanema …

Melhor de todos
Melhor de todos
19 dias 21 horas atrás

É uma pena, fui varias vezes… Ja derrubei altos corpos lá… kkkkk
Voce esta completamente certo meu caro Joaquim…
Foi a época de curtição, o mundo é outro agora… Pena…
Sobrou apenas Historias Pra contarmos pros Netos…

Estou Triste Pelo baile do Pato fechar as portas…

JOAQUIM  TEIXEIRA IRA
JOAQUIM TEIXEIRA IRA
20 dias 2 horas atrás
Essa Lei seca acabou com o faturamento das casas noturnas. Fato. Eu não abriria uma se tivesse dinheiro para tal. O mundo está chato demais. Não pode beber, não pode fumar, não pode fazer fiu fiu, não pode soltar balão, não pode mais brincar com ninguém que é bullying, racismo, homofobia, misoginia. Que desgraça estamos deixando para nossos filhos e netos. Geração mimimi, cheia de síndromes, doenças, medos e um bando de intocáveis, que se olhar já acham ruim. Ainda bem que já percorri a maior parte do caminho. E quem achar que eu estou errado, to pouco me lixando.… Leia mais »
Flavio Steiner
Flavio Steiner
19 dias 10 horas atrás

Ótima, Joaquim! Naquele tempo a gente brincava com os amigos. Negro era negão,carvão, asfalto. E eles nos chamavam de branquela, gesso, que tinham que usar óculos de sol pra olhar pra nós…bons tempos que a gente voltava pra casa quando escurecia e ninguém entrava em pânico. Podíamos andar sozinhos à noite, em plena madrugada, sem qualquer preocupação. Tempo que não havia mimimi

Leonizia Aparecida Bastos
Leonizia Aparecida Bastos
19 dias 13 horas atrás
Concordo com você Joaquim Teixeira, essa garotada de hoje só querem saber de folia, droga e tudo mais, na época dos anos 60,70 e 80 a gente dançava e bebia todas, mais era com respeito e responsabilidade, os rapazes tinham educação para com as moças todos se vestiam socialmente para o baile e ia a família toda para a festa. Hoje em dia está tudo muito fácil para os adolescentes, os pais deixam a vontade, fazer o que quiserem e do jeito que achar melhor. As famílias estão acabando e o amor ao próximo também, essa falta de respeito das… Leia mais »
Jack Bouer
Jack Bouer
19 dias 13 horas atrás
“Bebia e dirigia, sem cinto, só que ia devagarzinho, quase parando”… Comentário típico de quem parou no tempo e é ignorante mesmo. É óbvio que na época que todo mundo tinha fusca e dirigia a 30km/h em estradas de terra o não uso do cinto causava, no máximo, um calombo na testa quando saía da estrada e parava no meio do mato ou batia numa vaca. Pesquise um pouco sobre o número de mortes antes e depois da lei seca e da cobrança pelo uso do cinto. Pergunte pra quem perdeu a família por causa de um bêbado “raiz” que… Leia mais »
Andende
Andende
19 dias 13 horas atrás

Concordo com você, Joaquim. A única restrição que faço é com relação à lei seca. Não deveria ser tão rigorosa pois uma lata de cerveja ou uma taça de vinho não causam tanto estrago. Porém tem muita gente que mal consegue parar em pé, senta atrás do volante e sai por aí fazendo porcaria! Mas em tudo que você comentou, exceto nessa pequena discordância (em parte), assino embaixo!

Ricardo Neto
Ricardo Neto
19 dias 14 horas atrás

Concordo plenamente com você! Tenho 34 anos mas dá nosso essa geração de mimimi…concordo também que os dias de hoje, são bem diferentes das gerações anteriores, e alguns limites precisam ser respeitados, mas da forma como está, é muito chato mesmo.

Ricardo Neto
Ricardo Neto
19 dias 14 horas atrás

*dá nojo essa geração de mimimi

Ricardo Ferreira
Ricardo Ferreira
20 dias 8 minutos atrás

Análise perfeita!

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