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Curitiba

Paciente cresce e vira enfermeira do hospital onde foi tratada na infância

Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Mayara Nascimento Majevski, 25 anos, tinha apenas 12 anos quando descobriu que tinha câncer no sangue, uma leucemia mieloide aguda. Seus pais a levaram ao Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, onde ela foi diagnosticada, tratada e curada. A atividade e o cuidado das enfermeiras chamaram tanto a atenção da adolescente, que ela decidiu ser enfermeira quando adulta para trabalhar no hospital e retribuir o amor e o cuidado que recebeu. Mas a realização dela vai muito além do retribuir. A fé que ela move ao contar sua história de cura tem levado uma legião de pacientes do setor oncológico a índices mais rápidos de cura.

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Mayara conta que descobriu o câncer dia 15 de novembro de 2006. Ela foi mordida por um cão da raça pintcher e a ferida não cicatrizava nunca. A mãe levou a menina ao HPP e o exame de sangue, todo alterado, e outros exames, confirmaram o câncer.

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Maraya ficou 30 dias internada, fazendo quimioterapia. O desespero de seus pais – ela é filha única – era enorme. “Foram os piores dias da minha vida. Foi quando caiu a minha ficha, porque fiquei afastada da escola, dos amigos. Caiu o meu cabelo, eu fiquei mais magra do que já era”, relata a jovem.

Carinho e positividade

Ela recebeu alta na véspera do Natal, sabendo que ainda teria muitas idas e vindas ao hospital para continuar o tratamento. Mas houve alguns episódios que fizeram Mayara superar mais facilmente essa fase ruim. Primeiro, foi que os médicos sempre explicaram as expectativas e certezas muito claramente a ela. Segundo, era a positividade da adolescente em relação ao tratamento. “Eu queria viver. Por isso nunca lutei contra a morte. Sempre lutei a favor da vida. Entende a diferença?”, analisa ela.

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Mas a acolhida que ela e sua família tiveram da enfermagem do hospital também fez toda a diferença. Isso passou a chamar a atenção de Mayara para a atividade de enfermagem. Ela observava atentamente a colocação de cateteres, os curativos, como as enfermeiras ministravam os medicamentos, como lidavam com as crianças, assustadas com tudo aquilo. “A minha atual chefe era quem fazia meus curativos na época que eu estive internada no HPP”, diz ela.

Profissão

Quando o tratamento de Mayara terminou, ela decidiu que faria por outras pessoas o mesmo que fizeram por ela. Quando atingiu a idade, decididamente prestou vestibular para Enfermagem. Das duas faculdades que ela fez prova, uma era a Faculdade Pequeno Príncipe, única a qual ela passou. Mayara considera isso destino, pois além do curso de quatro anos e meio na instituição, que iniciou aos 17 anos, também fez estágios e o trabalho de conclusão de curso no HPP.

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Mas ela ainda não estava satisfeita. Seu objetivo final era trabalhar no hospital, algo que ela não conseguiu imediatamente. Ainda ficou dois anos trabalhando em outro lugar, até que no fim do ano passado abriu vaga para trabalhar no HPP, justo no setor oncológico, onde ela ficou internada.

Troca de experiências

Mayara conta que a sua experiência de vida tem feito o seu trabalho ir muito além da enfermagem. São muitas famílias que chegam ao local desanimadas, desesperadas, achando que a vida acabou ali. Mas o relato de Mayara tem trazido muito alento, esperança e um gás novo às famílias.

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“Já peguei dois pacientes bem iguais a mim, com a mesma doença, na mesma idade que eu tinha na época. Eles chegam depressivos, sem esperança, com esse estigma de que câncer significa morte. Quando eu conto a minha história, trago uma energia boa para os pais. Eles veem que não é só uma história, porque eu sou a prova viva da cura. Eu sinto que atingi o meu objetivo de vida”, orgulha-se a enfermeira. Ela ainda ressalta que vencer o câncer não depende só de médicos e remédios e que a esperança faz toda a diferença.

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Giselle Ulbrich

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