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Curitiba

Fusca do Papai Noel faz a alegria do Natal de Curitiba desde 1985

Alex Silveira
Escrito por Alex Silveira

Um Fusca 1965 conversível vermelho todo decorado para o Natal tem sido o carro do Papai Noel e da Mamãe Noel em Curitiba desde 1985. São 34 anos atraindo os olhares pelos bairros onde passam, na capital e nas cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A transformação do veículo foi idealizada pelo proprietário, o policial rodoviário estadual aposentado Ori Stoco, de 72 anos. Todos os anos sem falhar, em dezembro, ele e a esposa Maria Inês Razzolin Stoco, 76, secretária aposentada, carregam o Fusca com pacotes de balas e brinquedos e fazem a alegria da criançada e dos adultos, que se encantam com o Papai Noel acenando e distribuindo balas, com as renas, trenó, sino, músicas natalinas e um Menino Jesus amparado pela manjedoura que fica no capô.

É uma iniciativa que reforça a mensagem para um Natal do Bem, construído por pessoas com um coração enorme. Mas não se engane ao ver o Fusca por aí. Ori Stoco não é o Papai Noel, não. Ele é o motorista do carro e faz questão que seja assim, desde o tempo em que dirigia as viaturas da Polícia Rodoviária (PRE).

“Eu sempre fui o piloto da viatura”, brinca Stoco. O Fusca ele comprou em Balsa Nova (RMC), em 1982. O carro capotou em uma rodovia e ficou danificado. Ori conta que ninguém se feriu no acidente, mas o dono do carro ficou chateado e quis vender. “Foram os filhos que estragaram o Fusca. Era de único dono e o sujeito não teria condições de arrumar. Eu comprei e transformei em conversível”, revela. Fotos antigas de família mostram que a cor vermelha não foi escolhida só para o Natal. O Fusca já era assim, mesmo antes de se tornar o Fusca do Papai Noel.

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A relação com o Natal e a disposição para receber doações de brinquedos todos os anos, ajeitar a caracterização de Papai Noel, decorar o carro e comprar balas vem de família. O pai de Ori Stoco foi o primeiro Papai Noel a passear de Fusca conversível. “Foi em um Natal do Movimento Familiar Cristão (MFC) de 1984. Eu trabalhava lá como voluntário e levei o Papai Noel. A decoração do carro era simples. Na volta, demos um giro de carro pela rua, também BR-277, com o Papai Noel dando tchau e jogando bala para a criançada. Foram cinco quilos de bala. Gostamos daquilo e, em 1985, começamos a fazer o Papai Noel todos os anos”, explicou o dono do Fusqueta.

Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná.

O Natal seguinte, de 1985, foi o da PRE. “Era no tempo em que se usava a farda azul. Aí, já era com as renas e o trenó. Ganhei as renas de uma decoração que havia sido feita no antigo Banestado. Eram de madeira. Um latoeiro fez uma adaptação nos paralamas para fixar. Também tinha o trenó de madeira. Papai Noel e Mamãe Noel”, contou. Depois desse Natal, o Fusca se tornou atração para todos os anos. “Minha casa passou a ser uma bagunça em dezembro. Muitos brinquedos doados, balas. Hoje em dia, isso diminuiu um pouco. Há uma dificuldade para conseguir as doações. Contamos com o apoio dos amigos e empresários para conseguir as balas e a gasolina para rodar o mês inteiro”, lamentou o ex-agente rodoviário.

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Cada saída com o Fusca, atualmente, significa que serão distribuídos 40 quilos de bala. São 40 pacotes. Segundo Ori, cada pacote custa em média R$ 4. Em 2018, só em dezembro, foram distribuídos 980 pacotes. Em uma conta rápida, são R$ 3,9 mil. “Se vamos para o Centro, naqueles eventos que sempre têm de Natal, de 60 a 70 pacotes de bala que vão, em uma única saída”, disse.

A decoração do carro foi se transformando com o tempo. As renas e o treno já não são mais de madeira faz 15 anos. “É tudo de fibra. Na época custou R$ 750. E tem um Menino Jesus no capô. Porque Natal com Jesus é Natal”, reforça Ori, relembrando a mensagem religiosa plotada na traseira do Fusca. “Ao longo do ano eu retiro essas peças adaptadas para usar o carro de vez em quando. Geralmente, no finalzinho de dezembro eu começo a transformar o Fusca de novo em carro do Papai Noel. Os paralamas… São dois paralamas velhos, adaptados. Ao longo do ano eu recoloco os originais”, explica.

E, claro, tem a mão da Mamãe Noel na decoração. “Minha esposa que idealizou os enfeites”, conta Ori. E a Maria Inês confirma, mas faz questão de incluir o trabalho de todos em seu discurso. “O mais pesado da decoração tem o mecânico que ajuda, mas decoração mais leve sou eu que faço”, orgulha-se. O Fusca tem luz de Led, autofalantes que vão tocando músicas natalinas pelo caminho, um sino de verdade que tem uma cordinha amarrada no espelho retrovisor do carro, e que Ori vai tocando no ritmo do Natal.

“A gente passa o ano todo trabalhando meio atribulado. Acontece isso, acontece aquilo. Aí, chega o Natal, parece que lava a alma da gente. Porque não é uma exibição, mas a gente tem uma missão de ajudar alguém e a criança que precisa. Nós dois na mesma missão”, refletiu a Maria Inês sobre a disposição da família em fazer um Natal do Bem.

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O Papai Noel que estava no Fusca na tarde de sexta-feira (20), Jean Carlos de Oliveira, 49 anos, sargento da reserva do Exército, diz ser gratificante a sensação de levar a alegria para as pessoas. “Tu olha para as crianças, até para os adultos com olhar de criança. É muito satisfatório. E andar nesse carrão é melhor ainda”, exclamou.

Já Ori, questionado sobre o que ele ganha ao participar do Natal de maneira tão intensa, deixou uma mensagem sobre a paz: “Desejo que todos vivam em paz. Uma paz verdadeira, uma paz do coração. O mundo tem jeito, se a paz estiver no teu peito. Isso é o fundamento principal de muitas coisas. Humildade também é fundamental, junto com o perdão. O perdão faz com que a vida seja mais linda e mais bela. Feliz Natal”.

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