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Curitiba

Dia das Mães: Uma história de superação de fotógrafa premiada que renasceu com a chegada dos filhos gêmeos

Alex Silveira
Escrito por Alex Silveira

A emoção que tomará conta do Dia das Mães, no domingo (10), será diferente neste ano. As comemorações ocorrem durante o isolamento social do coronavírus e não será fácil para ninguém ficar longe dos beijos, abraços e almoços em família. Será preciso superação. E já que a palavra é essa, a história que vamos contar representa todas as mães que estão buscando forças para enfrentar esse momento difícil de pandemia. Vamos provar que é possível passar pelo pior, se reinventar e cumprir uma promessa de dar, pelo menos, um sorriso por dia, pelo resto da vida.

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A fotógrafa curitibana Evelen Silveira Machado Torrens, 34 anos, é mãe dos gêmeos Fernando e Miguel Machado Torrens, de 5 anos. A profissão veio depois que eles nasceram. A Evelen fotografa famílias. Ano passado, ela foi eleita a fotógrafa do ano pela associação internacional Inspiration Photographers, levando o prêmio Golden Lens Awards, em cerimônia ocorrida em novembro, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Na mesma premiação, também levou o 1.º lugar na categoria de fotógrafo mais premiado do ano dentro da associação. Os jurados, geralmente, são internacionais. A Inspiration é a maior associação de fotógrafos do mundo e promove “rounds” ao longo do ano, que são as premiações por rodada. Em cinco rodadas de 2019, a Evelen teve 48 fotografias premiadas dentro da associação. Em 2018, ela já havia levado um 4.º lugar geral na categoria fotos de família.

Foto: Arquivo Pessoal.

É uma trajetória brilhante para uma mãe que está na profissão há apenas quatro anos. E é aqui que entra a tal da superação. A Evelen é casada há 12 anos com o bancário Bruno Eastwood Torrens, 38 anos. Em 2011, os dois resolveram que era hora de realizar sonhos, incluindo o de ter filhos. “A gestação não veio natural. No ano seguinte, procuramos ajuda da medicina. Foram dois anos de tratamento, tomando hormônios todos os dias”, contou a mãe, que era gerente de marketing de uma rede de supermercados. “Escondemos a gestação de todo mundo por 12 semanas, para não levantar expectativas. No trabalho, só contei na vigésima semana. Sofria muita pressão no supermercado por ser mulher. Tinha medo de represálias”, desabafou.

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Com 25 semanas, um deslocamento total na placenta tornou a gravidez de risco. “Fiquei em repouso absoluto por cinco semanas. O Bruno tinha que me dar até banho”, relembra a Evelen. Foram dias difíceis, até que o pior ocorreu. A futura mãe perdeu muito sangue nesse período. Entrou em quadro de anemia profunda, que resultou em edema e embolia pulmonar. Ela foi parar na emergência da maternidade e os meninos precisaram nascer de forma emergencial. Era dia 15 de outubro de 2014. “Desse dia, só me lembro de tomar anestesia e, quase apagando, olhar para a enfermeira e pedir para ela não me deixar morrer. Eu dormi no meio de uma oração que fizemos ali, por iniciativa da enfermeira”, contou.

A Evelen acordou três dias depois, em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de outro hospital, onde ela acabou ficando por sete dias. O Miguel nasceu com 1,2 quilos. O Fernando com 1,5 quilos. Os bebês foram direto para a UTI da maternidade. “Fui conhecer meus filhos oito dias depois, quando tive liberação para sair do hospital”, revelou ela.

O filho Miguel ficou 72 dias na UTI. O menino fez quatro cirurgias e mais de 60 transfusões de sangue. “Quase o perdemos”, lembrou a mãe. O Fernando ficou 28 dias internado. O Miguel não ficou na maternidade, pois precisou ser transferido pela gravidade do quadro dele. “Minha licença maternidade foi dentro do hospital. Ora tirando leite na maternidade, para o Fernando, ora no outro hospital, onde o Miguel estava”. Para se ter ideia da situação, a UTI do Miguel tinha uma cortina na janela, que só foi aberta para o menino em dezembro. “Foi no dia 6, quando apresentei o sol para ele”.

No fim da licença, ao voltar para o trabalho no supermercado, a Evelen pediu mais um mês de férias. Ela estava exausta. “Não me deram. Trabalhei por mais alguns dias e pedi demissão”, disse. A mãe ficou quase um ano e meio sem trabalhar, se dedicando aos cuidados com os gêmeos. “Até que o dinheiro começou a faltar. Fiquei muito preocupada. Foi quando o Bruno colocou a mão no meu ombro e disse que estava na hora do meu hobby se tornar profissão”, contou a Evelen.

A mãe gostava de tirar fotos desde que se formou em Publicidade e Propaganda. Mesmo insegura, ela se arriscou e se encontrou como fotógrafa de família. Ao longo desses quatro anos, além dos prêmios e clientes que conquistou, ela realizou um trabalho autoral de fotografia dentro de UTIs, dois anos depois de começar na profissão. “Eu não tive registro da nossa saída da UTI e sentia muita falta disso, de ter esse olhar do que aconteceu comigo, da felicidade que foi sair de lá. Meus sentimentos em relação a isso tinham ficado bloqueados. Achei que poderia registrar esse momento de felicidade para as famílias”, explicou ela, que já não faz mais essas fotos.

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Desse período, o trabalho mais marcante foi de um casal que saiu com o filho da UTI e foi direto para a casa da avó. Era fevereiro, mas a senhora havia mantido a árvore de Natal montada, esperando a recuperação do neto como o presente mais importante da vida dela. “Os pais deixaram o bebê conforto debaixo da árvore, com o filho. Ficamos escondidos na casa. Quando a avó chegou e viu, se ajoelhou e eu quase não consigo fotografar por causa da forte emoção”, contou.

Foto: Arquivo Pessoal.

Neste ano, o desenrolar da história de superação da Evelen Torrens segue seu ritmo de pandemia. Os filhos estão bem, com aulas online, isolados dos avós. Mas a promessa feita pela família segue sendo cumprida, mesmo nesta época de isolamento social. “Vamos sorrir todos os dias, nem que seja uma vez por dia. Eu renasci quando meus filhos nasceram. Do fundo do coração, neste Dia das Mães tão diferente, desejo que todas as mães não desistam dos seus sonhos. Tudo é possível, podem acreditar nisso”, finaliza a Evelen, contando que está aproveitando cada segundo perto dos filhos durante a pandemia. “Inclusive nos fins de semana, quando normalmente estaria fotografando festas de aniversário”.

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Alex Silveira

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