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Curitiba

Com roupas rasgadas e fumaça saindo pelo corpo, curitibana foi parar no hospital após sobreviver a raio pela 2ª vez!

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Maria Luiza Piccoli

O ditado todo mundo conhece: “raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Será? Prova viva de que um acidente deste tipo pode sim acontecer mais de uma vez com a mesma pessoa, a corretora de imóveis, Neide Maria Cardoso, 57, contou sua história para a Tribuna. “Perseguida” por raios, a curitibana se considera privilegiada por estar viva depois de passar por dois acidentes com relâmpagos em diferentes momentos da vida. Confira na terceira reportagem da série, “Sobreviventes”.

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Boqueirão, 1967. Na casa dos Cardoso a quarta-feira preguiçosa se arrastava a passar. No quarto principal, o patriarca da família, Antônio Joaquim, tirava uma soneca pós-almoço. Na sala, Neide Maria então com 7 anos reclinada sobre os livros, estudava em silêncio enquanto sua mãe concluía a limpeza da cozinha. Era janeiro, fazia calor e o tempo estava propício para chuva. “Lembro da casa estar toda aberta quando o céu fechou. Ficou preto de nuvens mas ainda não estava chovendo quando aquele estrondo tomou conta do ambiente inteiro de repente”, relembra Neide.

O raio entrou de súbito. Invadindo a casa pela parede dos fundos, a descarga elétrica atravessou o ambiente numa fração de segundos, deixando um rastro de fogo e eletricidade. “Era como uma bola de fogo correndo pela casa. Passou bem do meu lado e tudo o que eu vi foi o buraco que se formou logo em seguida na parede da frente”, revela. Além da estrutura da casa, o estrago atingiu também alguns móveis e utensílios que ficaram destruídos por conta do relâmpago. “A mesa era de madeira e tinha pés de ferro. Lembro que a minha mãe ficou presa à base do móvel não porque queria, mas porque ficou grudada no metal sem conseguir se soltar. Das panelas recém-lavadas que secavam sobre a pia, só sobraram os cabos. Derreteu todo o alumínio”.

Não demorou muito para que Neide percebesse que as sequelas do acidente também tivessem recaído sobre sua própria saúde. Devido ao forte estrondo, ela perdeu 80% da audição do ouvido direito, lado pelo qual a descarga elétrica passou. “Na hora eu fiquei completamente surda. Tinha certeza de que tinha perdido a audição por completo mas depois foi voltando aos poucos”, conta.

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Parte do improvável ranking das vítimas de raios, cuja proporção é de uma em 1,5 milhão de pessoas, segundo divulgação publicada pelo site Uol em 2015, Neide mal poderia imaginar que, 34 anos mais tarde, viveria novamente o mesmo pesadelo.

Em cheio

Neide Maria Cardozo sobreviveu a duas descargas de raio em períodos diferentes. Uma quando tinha 7 anos de idade e depois com 40 anos. Foto: Denis Ferreira Netto / Tribuna do Paraná

Neide Maria Cardozo sobreviveu a duas descargas de raio em períodos diferentes. Uma quando tinha 7 anos de idade e depois com 40 anos. Foto: Denis Ferreira Netto / Tribuna do Paraná

De janeiro de 1967, saltamos para fevereiro de 2001. Casada e com família constituída, a corretora de imóveis organizava uma festa para os moradores do condomínio onde mora até hoje, situado num reduto de chácaras em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Então com 41 anos, Neide mal desconfiava que as nuvens carregadas que tomaram conta do céu subitamente, eram o anúncio do evento mais traumático que ela protagonizaria até então.

“Estávamos eu e uma funcionária recolhendo algumas coisas no galpão onde a festa aconteceria e o tempo fechou. Fazia muito calor aquele dia e os meninos brincavam na piscina. Estávamos tranquilas, terminando de arrumar as coisas quando de repente algo muito forte atingiu as minhas costas e eu caí no chão imediatamente”, relembra. Sem entender o que estava acontecendo, Neide se recorda dos espasmos musculares involuntários e da agonia de sentir a descarga elétrica percorrendo seu corpo. “Sem conseguir levantar, eu olhava minhas mãos que tremiam freneticamente e escutava aquele ‘bzzzzzzz’ típico de choque elétrico, por toda a minha volta”, recorda.

Em meio ao desespero, a corretora então foi tomada por uma estranha sensação de que algo explodia dentro da sua boca. “Minhas obturações se soltaram e começaram cair no chão. Foi então que eu escutei o som do trovão. Só aí me dei conta de que eu tinha sido atravessada por um raio. Depois disso eu apaguei”, revela. Reanimada alguns minutos depois, Neide foi ajudada pela funcionária que a acompanhava. “Ela disse que viu como se fosse uma batata azul, em chamas, me atingir nas costas. Com o choque eu fiquei toda urinada e precisei de apoio para andar até minha casa onde quase todo o condomínio já estava me esperando para prestar ajuda”.

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Com as roupas rasgadas, queimadas e soltando fumaça pelo corpo, Neide foi levada ao hospital Angelina Caron por seu marido, Rosber. “Era feriado de carnaval e o atendimento era feito pelos residentes da unidade que nunca tinham visto uma situação como aquela. Lá me examinaram e concluíram que a corrente entrou pelas minhas costas, passou pela nádega, saiu pelos meus pés e entrou no chão. Eu tinha ferimentos profundos nessas regiões do corpo mas não sangrava. Saía uma espécie de líquido e queimava muito”, lembra. Classificada como “para-raios humano”, Neide foi liberada do hospital alguns dias depois.

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Radiação

Assim como as consequências da segunda descarga elétrica, novas informações a respeito do acontecido surgiram, então, nos meses seguintes. “Eu não conseguia passar por nenhuma porta com detectores e descobri que o acidente provocara acúmulo de metais no meu corpo. Tive que fazer um tratamento para eliminar aquela radiação e ainda sofri sequelas emocionais. Por três anos eu desenvolvi pânico de tempestades e ficava imobilizada cada vez que ameaçava armar pra chuva”, revela.

Sobre a queda do raio, amigos e familiares revelaram os acontecimentos paralelos que se passaram naquele dia. “Fiquei sabendo que no momento que o relâmpago caiu, as crianças que brincavam na piscina foram todas lançadas para fora da água com a força da descarga elétrica. Além disso, todos os utensílios elétricos da vizinhança queimaram e ficaram inutilizáveis e, no local onde o raio me atingiu, um buraco enorme se abriu”, recorda.

Mais sustos

Engana-se, porém, quem pensa que os raios deixaram a corretora em paz. Ainda por duas vezes depois do último acidente ela passou por experiências envolvendo relâmpagos. “Há alguns anos eu voltava para casa de carro quando começou a trovejar. Sozinha pela estrada de terra, um raio atingiu uma árvore na lateral da pista que caiu bem na frente do meu carro, em chamas. Um tempo depois eu circulava pela João Leopoldo Jacomel, perto do Carrefour, quando outro raio atingiu um poste de luz na calçada, ao lado do meu veículo. Não dá pra entender”, desabafa entre risos.

Neide Maria Cardozo sobreviveu a duas descargas de raio em períodos diferentes. Uma quando tinha 7 anos de idade e depois com 40 anos. Foto: Denis Ferreira Netto / Tribuna do Paraná

Neide Maria Cardozo sobreviveu a duas descargas de raio em períodos diferentes. Uma quando tinha 7 anos de idade e depois com 40 anos. Foto: Denis Ferreira Netto / Tribuna do Paraná

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A fama, que lhe rendeu apelidos inusitados como “mulher do raio” e “tempestade”, em alusão à personagem dos X-Men, dos quadrinhos Marvel, também é um dos fatores pelos quais Neide se considera uma verdadeira sobrevivente. “Eu podia ter morrido tantas vezes que se ainda não fui é porque não era minha hora. Percebo que estive preparada para aquele momento porque não tinha nenhum acessório de metal no meu corpo, por exemplo. Por isso agradeço a cada novo dia a chance de estar viva, bem e feliz”, finaliza.

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Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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1 Comentário em "Com roupas rasgadas e fumaça saindo pelo corpo, curitibana foi parar no hospital após sobreviver a raio pela 2ª vez!"


Rafael Pilha
Rafael Pilha
9 meses 23 dias atrás

Cé loooco , jão !

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