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Curitiba

Copel lança 0800 exclusivo para famílias que dependem da luz pra sobreviver

Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Mãe do pequeno Lorenzo conseguiu que a Copel criasse um canal de atendimento exclusivo para famílias de pacientes que precisam de equipamentos elétricos vitais

Cerca de 4 mil famílias que dependem da energia elétrica para manter equipamentos vitais para a vida de seus familiares ganharam uma boa notícia neste semana. A Copel lançou um telefone 0800 exclusivo que dá prioridade na religação da luz em queda de energia.

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Letícia Bisinella Fanini Silva, mãe do Lorenzo – criança que nasceu com microcefalia e diversas má-formações em alguns órgãos do corpo – nunca pensou que fosse chorar tanto por causa de um ímã de geladeira. Nele veio o telefone 0800 que lhe dará mais segurança para seu filho. Foi por causa da insistência de Letícia, das inúmeras ligações para a companhia e de seus relatos nas redes sociais, além da matéria feita pela Tribuna, que a Copel olhou para o problema e criou este canal de atendimento exclusivo.

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Numa queda de luz, eles telefonam para este número e ganham prioridade de atendimento na religação da energia. Letícia sempre passou muito sufoco com o filho quando acabava a luz. Lorenzo precisa ficar quase o tempo todo conectado a aparelhos que lhe garantem a vida. Atualmente ele não precisa mais do oxigênio 100% do tempo, como antes. Mas ainda assim depende da bomba de sucção, para aspirar sua traqueia, e da bomba infusora para alimentação e medicação, visto que é tudo intravenoso.

Dormindo ele também sempre faz parada cardíaca e a família precisa dos equipamentos para socorrer o menino. Quando falta luz na casa de Letícia, começa a maratona de gerenciamento dos equipamentos mais importantes naquele momento, para serem ligados nos nobreaks (baterias muito utilizada em computadores). A bateria do aspirador dura duas horas e a da bomba infusora só 40 minutos. “Até duas horas sem luz a gente se vira. Passando disso, fica inviável. Se eu não aspirar a secreção da traqueia do Lorenzo, ele morre afogado. Se ficar muito tempo sem alimentação ou medicação, também corre risco. E não são somente estes equipamentos. É a geladeira, com medicamentos dele que não podem ficar sem refrigeração. É o filtro de água elétrico, já que ele não pode tomar água mineral. Quando falta luz, precisamos tomar decisões muito importantes rapidamente. Cai a energia, começa a correria”, explica a mãe.

Aflição

Além da “dança das tomadas”, a cada queda de luz começava também a maratona de ligações para a Copel. Letícia relatou que era difícil os atendentes entenderem que ela era uma das famílias cadastradas como usuárias de equipamentos vitais. Por lei, estas famílias tem prioridade no reestabelecimento de energia. Muitas vezes, diz ela, o que a família precisava era somente saber uma previsão de retorno da luz, para saber como administrar os equipamentos.

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“Mas o que a gente sempre ouvia era que não havia previsão e deveríamos remover o Lorenzo pro hospital. Mas não é simples assim. Tem que ter vaga, tem que ter ambulância, que nos temporais estão sempre abarrotadas de atendimentos. Chegar num pronto socorro lotado é um risco muito alto de infecção pro Lorenzo, que por ter internamento residencial, tem a orientação de não sair de casa por qualquer coisa”, explica Letícia. Em um só mês ela já chegou a enfrentar oito quedas de energia.

“Não sei mais o que fazer”

Depois de tanta aflição, Letícia passou a desabafar nas redes sociais, externando sua indignação com a falta de conhecimento dos atendentes da Copel em relação aos procedimentos previstos em lei. Há pouco mais de seis meses, uma equipe do atendimento da Copel a procurou para entender as queixas. Foram algumas conversas, até que na última sexta-feira (04), Anderson Marcos e Charllys Silveira, supervisor e gerente de atendimento telefônico da Copel, respectivamente, voltaram à casa do pequeno Lorenzo.

“Eu achei que vinham me trazer um gerador. Me trouxeram só um ímã. Mas eu chorei muito mais do que se fosse o gerador, porque é um benefício que eu consegui e que vai ser estendido a outras 3.456 famílias paranaenses cadastradas nesta mesma condição. É um marco histórico, que outros estados deveriam adotar”, conta ela, que desde sexta-feira chora de gratidão e emoção.

O número do ímã que Letícia recebeu, o 0800 643 54 45, é exclusivo para as famílias cadastradas que possuem em casa pacientes dependentes de equipamentos elétricos vitais. Entre os benefícios a que estas famílias têm direito estão o aviso preferencial e antecipado sobre desligamentos programados da rede elétrica ou suspensão do fornecimento, de maneira a evitar prejuízos ao funcionamento dos aparelhos. Nos casos de desligamentos acidentais, os endereços também são indicados com prioridade no atendimento de operadores técnicos e equipes de campo.

Para ter direito ao benefício, alerta Letícia, é preciso se cadastrar junto à Copel. O cadastro é um pouco burocrático, diz ela, mas tem que ser feito conforme determina a legislação.

A mãe do Lorenzo só teme que “espertinhos” usem o telefone de forma errada, para “furar a fila” do outro telefone 0800, de atendimento geral. “É mais fácil ajudar alguém, do que precisar de algo. Então esperamos que as pessoas tenham essa empatia e não congestionem essa linha exclusiva desnecessariamente. Não estamos pleiteando energia pra tomar banho, ver a série na TV ou carregar o celular. É pra sobreviver”, alerta Letícia.

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