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Curitiba

Tarefa dolorida

Raquel Mota procurou a polícia para registrar queixa contra a atitude da professora. Foto: Felipe Rosa.
Tribuna do Paraná
Escrito por Tribuna do Paraná

Se você é pai ou mãe com filhos em idade escolar, muito provavelmente algumas dessas recomendações fazem parte da sua rotina: “leve o agasalho, vai esfriar”. “Não esqueça o lanche”. “Comporte-se em sala de aula”. Soa familiar? Pois é. Só que nem para todo mundo funciona desse jeito. É o caso da empresária curitibana, Raquel Mota, 44, cuja preocupação maior não está nos momentos anteriores à aula, mas em saber em que estado o filho, João Pedro, 6, vai voltar para casa. A angústia começou há cerca de três meses quando, depois de um dia normal, o menino, que é autista, relatou ter sofrido violência em sala por parte de uma professora auxiliar do colégio Erasto Gaertner, onde ele estuda, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Desde então a situação só piorou e, diante da inércia da instituição em resolver o  problema, a situação virou caso de polícia.

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Tudo começou em meados de maio. “Peguei o João Pedro na escola e ele voltou contando que a professora auxiliar o tinha segurado com força, prendendo com pernas e braços, para tentar fazê-lo ficar quieto”, contou Raquel à reportagem. Com um grau leve de autismo, o menino foi diagnosticado no começo deste ano e, desde então, as adaptações, tanto em casa quanto na escola, têm sido feitas aos poucos. “Deixei todos na escola cientes, principalmente em relação aos efeitos da medicação que podem acarretar mudanças no comportamento dele ao longo do dia”, revelou a mãe.

Indignada, Raquel procurou a direção da escola em busca de esclarecimentos. “A coordenação me atendeu e colocou panos quentes. Disseram que foi uma situação isolada e que resolveriam internamente, porém, nada foi feito”, conta. Algumas semanas depois, outra situação envolvendo João Pedro e a mesma professora, deixou Raquel ainda mais perplexa. “Ela simplesmente o colocou pra fora da sala e fechou a porta dizendo que não o queria mais ali. Assim. Desse jeito. Não chamou ninguém da direção ou inspetor. Só tirou ele de sala e fechou a porta”, revelou.

Novamente a mãe procurou a direção, porém não foi atendida. Não satisfeita, ela buscou a coordenação da escola que, mais uma vez, recomendou que tivesse paciência e aguardasse o fim do semestre. “Disseram que depois das férias de julho trocariam de professor e que o problema ia acabar, mas isso não aconteceu”, disse. Para agravar a situação, o diagnóstico de uma doença ortopédica deixou o cenário ainda mais complicado para a criança, exigindo que frequentasse as aulas munido de botas especiais para correção do problema. Foi então que o pior aconteceu.

“Ele voltou para casa com marcas de chutes nas pernas e contou que a professora tinha dado os pontapés para que ele ficasse quieto. Foi a gota d’água”, contou. Sem um posicionamento da escola, Raquel procurou a advogada da família que a conduziu a uma delegacia para registrar o acontecido. Após relatar os fatos à polícia, a mãe encaminhou João Pedro para exame de corpo de delito conforme orientação policial, onde ficou comprovado que o menino, de fato, sofreu agressões.

Agora é com a Justiça!

Gaertner entre os meses de maio e agosto. Foto: Felipe Rosa.

Segundo a mãe, João Pedro teve problemas com a professora do Colégio Erasto Gaertner entre os meses de maio e agosto. Foto: Felipe Rosa.

Munida dos documentos e com respaldo da advogada, Raquel buscou a direção da escola uma última vez, solicitando a mudança de turma. “Eu conheço o trabalho da escola e sei que é uma instituição séria. Eu não queria tirar meu filho do colégio pois valorizo o ensino deles. Tanto que minha filha mais velha continua matriculada na mesma instituição e não pretendo tirá-la de lá. Eu só queria que tirassem meu filho da tutela daquela professora mas nem com todos os laudos comprovando o abuso eu tive resposta”. Sem outra alternativa, Raquel retirou João Pedro da escola e, agora, busca na justiça a solução do problema.

“Esperamos que haja, pelo menos, resposta criminal por maus tratos, lesão corporal ou até tortura”, afirmou a advogada da família, Denise Silva. “Não é possível que uma instituição de ensino negligencie o tratamento ao aluno portador de necessidades especiais a esse ponto”, afirmou.

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Depois de muita insistência, a direção da escola entrou em contato com a mãe de João Pedro, afirmando que tomaria providências, porém já era tarde. “Depois que eu comuniquei que ia retirá-lo de escola e pedir o ressarcimento do anuênio, que eu já tinha pago antecipadamente, eles me informaram que tomariam providências mas eu já não quis mais saber”, desabafou Raquel.

O que diz a escola?

Procurada pela Tribuna do Paraná, a direção do Colégio Erasto Gaertner informou que estava ciente da situação e que deve abrir uma sindicância para apurar exatamente o que aconteceu entre maio e agosto. De acordo com o Henrique Ditmar Wall, diretor da escola, o caso foi pontual e a instituição se preocupa em oferecer toda a assistência aos alunos portadores de necessidades especiais, que representam 9% do total de alunos matriculados nos ensinos infantil, fundamental e médio.

Henrique informou ainda que, caso fique comprovada a agressão, a escola aplicará as medidas cabíveis.

Após a publicação da reportagem, por volta das 12h30 desta terça, o colégio enviou à Tribuna uma nota oficial. “Assim que recebemos as primeiras reclamações, iniciamos de maneira ética e responsável uma análise profunda da situação, apurando a conduta da profissional dentro da sala de aula. Nos últimos dias, tentamos entrar em contato com a mãe do aluno para marcarmos uma reunião e apresentarmos tudo o que estava sendo feito sobre o caso, mas ainda não tivemos o retorno da família. Da mesma maneira, nos colocamos à disposição da sociedade curitibana, dos nossos parceiros e dos pais dos nossos alunos para prestarmos esclarecimentos sobre essa situação que nos deixa profundamente chateados”, diz a nota.

Ainda segunda a nota o colégio afirma que em seus 80 anos de história “sempre condenou veementemente qualquer tipo de agressão, sendo ela física, verbal ou emocional”.

Maus tratos

De acordo com o presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB/PR, Anderson Rodrigues Ferreira, caso fique comprovada a agressão, a responsável poderá ser imputada pelo crime de maus tratos por meio artigos 136 do Código Penal e 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo Anderson, a situação também encontra respaldo legal na chamada “Lei da Pessoa com Deficiência” (13.146/2015), que, no artigo 88 estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa para o agressor.

Segundo o presidente da comissão, as escolas precisam contar com profissionais devidamente capacitados para atender alunos portadores de necessidades especiais, como o caso de João Pedro. “As instituições falham em não verificar a qualificação profissional antes de contratar e colocam os alunos que têm necessidades especiais como páreos daqueles que não sofrem com os mesmos problemas. Isso também configura violação de direitos”, pondera.

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145 Comentários em "Tarefa dolorida"


jonas prates
jonas prates
11 meses 20 dias atrás

a irresponsável tribuna ainda com esta matéria em evidência?

Kevin Mamar
Kevin Mamar
11 meses 21 dias atrás

Só viram um lado da história.

marislei bellaver
marislei bellaver
11 meses 22 dias atrás

Sou mãe e penso que se meu filho estivesse deveras sofrendo violência, jamais deixaria isso acontecer por 3 meses, se caso permitisse estaria sendo conivente . outro equívoco dessa fala toda que demonstra certo sensacionalismo, o fato da criança ser autista não faz diferença nessa situação,visto que nenhuma criança pode ser submetida a qualquer forma de violência.

Fabio Leite
Fabio Leite
11 meses 26 dias atrás
Concordo com o @Jacob Galon e @luiz kava lá no início dos comentários. Esse caso mostra apenas a real faceta de boa parte dos brasileiros (ignorantes e preconceituosos). Sou pai de uma criança autista e fico revoltado com os inúmeros comentários ignorantes das pessoas. Tem gente aqui falando sem o menor conhecimento de causa ou com pesquisas rasas no google. De acordo com esses ignorantes “Crianças autistas são violentas”, “Crianças com esse grau e autismo se automutilam” pelo amor de Deus em sua maioria são crianças inocentes que não mentem pois justamente esse mecanismo para eles é de difícil compreensão… Leia mais »
Pai de Aluno
Pai de Aluno
11 meses 25 dias atrás

Verdade, existe muito preconceito, e matérias como esta só aumentam isto. Infelizmente uma sociedade dividida gera lucro à quem vive de desgraças e polêmicas. Nós, como sociedade, não podemos entrar nesse jogo baixo e sujo.

Dr.Master
Dr.Master
11 meses 26 dias atrás

Uma pena tratarem os professores assim. Essa jornalista so ve um lado da noticia.

Mae de aluno heranca
Mae de aluno heranca
11 meses 26 dias atrás
Sou mãe e tenho dois filhos nessa escola, minha filha estudava na mesma sala do menino em questão. Logo que soubemos do fato, pela própria mãe no grupo de whatsapp, imediatamente questionamos nossos filhos sobre o que havia acontecido em sala. Perguntei a minha filha de 6 anos, ela disse que o amigo estava muito nervoso e que a profe teve que segura-lo, aí perguntei: _ Você viu a profe chutar seu amigo? Ela me respondeu: _ Não mãe, a profe jamais faria isso! As outras mães também perguntaram a seus filhos, todas as crianças responderam a mesma coisa. Tentamos… Leia mais »
Michelle .
Michelle .
11 meses 26 dias atrás
Não acredito em nada dessa noticia. Tenho duas filhas que estudam no Erasto, colégio de valores, lugar de pessoas amáveis e educadas, desde a catraca, secretaria, cantina, monitoras, professoras, coordenação, todos. Minhas filhas nunca reclamaram de nada no que diz respeito a tratamento na escola, em certo momento do dia, quando passa do horário, são encaminhadas ao plantão e ficam com crianças de outras turmas e outras auxiliares, que não são as suas, e mesmo assim, são muito bem tratadas. Agora vamos combinar que tem pais e pais né? tem pais que acham que tudo o que seu filho fala… Leia mais »
Paraná Curitiba
Paraná Curitiba
11 meses 26 dias atrás

Blá, blá, blá… mamãe do ano….

Curitibano Sincero
Curitibano Sincero
11 meses 26 dias atrás

Como o povo gosta de discutir por problema alheio…

Pai de Aluno
Pai de Aluno
11 meses 26 dias atrás

A matéria do jornal foi covarde e irresponsável, e eu não acredito que tenha ocorrido alguma agressão, mas a escola falhou em não ter apurado o fato com celeridade no momento da primeira reclamação da mãe. Parece que está faltando gente competente na direção, orientação e coordenação. O colégio deveria privilegiar a competência e dedicação. Atualmente parece que outras questões estão sendo levadas em conta no momento da escolha dos cargos, como relações pessoais por exemplo.

Paraná Curitiba
Paraná Curitiba
11 meses 26 dias atrás

Você não acredita, mas vários outros acreditam. A mãe está reclamando e isso será apurado. Que a verdade se sobre saia, de maneira imparcial.

Pai de Aluno
Pai de Aluno
11 meses 26 dias atrás

A matéria foi totalmente parcial e praticou o mais baixo jornalismo. E sobressair é um verbo, se escreve junto.

Vanessa Dyck
Vanessa Dyck
11 meses 26 dias atrás

Pois é o aluno não precisa nem ser autista para o professor colocar para fora da sala, já faziam isso antes com qualquer criança, provavelmente quem fez isso foi uma professora do meio menonita, por isso não tomam providências!

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