Casinha de bonecas, pneus coloridos espalhados pelo jardim, uma pequena cancha de areia. Quem passa pela frente do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Diadema II, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), constata que ele está pronto para entrar em funcionamento: tudo pintadinho, novinho em folha. No entanto, a situação é a mesma pelo menos desde março. A obra está concluída, porém, nada de a escolinha inaugurar. Em toda a capital, a prefeitura admite que, além desta unidade, outros nove CMEIs estão atrasados e em fase de finalização.

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E, como sempre, a população sofre. A analista de planejamento Marcela Moura, de 29 anos, está numa situação complicada. O marido está desempregado desde março, e a falta de creche para o filho Joaquim, de 1 ano e meio, prejudica a busca por trabalho. “Ele marca as entrevistas e às vezes não tem como ir porque não tem com quem deixar a criança. Às vezes o Joaquim fica com minha mãe, às vezes fica com minha sogra, mas elas nem sempre podem. E também têm a vida delas, né, as coisas delas pra fazer”, diz.

O marido esteve em março no CMEI para fazer o cadastro da criança. Já naquela época a escola estava equipada com utensílios de cozinha, mesinhas, bonecas e tico-ticos. “Como estava tudo prontinho, imaginei que fosse inaugurar no segundo semestre. No meu condomínio tem pelo menos mais outras duas famílias precisando, e ninguém sabe dar informação. Os professores não falam nada, no 156 não sabem de nada. Uma vizinha disse que ficou sabendo que iam inaugurar em outubro, mas vão abrir pra dali a menos de dois meses entrar em férias?”, questiona.

Marcela conta que eventualmente passa na frente do CMEI, que fica a três quadras de sua casa, e vê funcionários fazendo manutenção, cortando grama. O prédio está bem cuidado, mas as atividades não iniciam. Ela tentou recorrer a outros CMEIs da região, mas estão todos lotados, e a fila de espera, de acordo com ela, é gigantesca.

Não há vagas

Tamires teve sorte em matricular seu filho em outra CMEI, mas diz que muita gente precisa da CMEI Diadema II. Foto: Felipe Rosa
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A dona de casa Tamires Leonarte, 30, também reside próximo ao CMEI Diadema II e confirma que as obras já foram concluídas há muito tempo. “Isso aí é antigo. Tem muito tempo que está pronto. Eu tive sorte de conseguir vaga pro meu menino no Quielse, mas sei de muita gente que está esperando esse daí inaugurar. Minha sobrinha está com a filha dela de 6 meses em casa, e a cunhada dela tem um menino de 2 anos. As duas estão sem poder trabalhar por conta de falta de creche”, diz ela, mãe de uma criança de 2 anos, aluna do CMEI Conselheiro Quielse Crisóstomo da Silva, na CIC.

Ansiosos

A reportagem bateu à porta do CMEI e pediu para averiguar as instalações do local, mas a entrada não foi autorizada. O professor que nos atendeu disse que está tudo finalizado, só falta a inauguração. “Somos quatro professores aqui dentro, que estamos fazendo cadastro e visitando as famílias. Não temos nenhuma previsão e não sabemos o que falta pra começar a funcionar. Estamos ansiosos também”, lamenta.

Até o fim do ano!

Marcela não consegue procurar emprego, pois não tem com quem deixar seu filho. Foto: Felipe Rosa
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De acordo com a prefeitura, a previsão da inauguração do CMEI Diadema II é para o segundo semestre de 2016. “A Prefeitura previa inaugurar 12 CMEIs no primeiro semestre deste ano, mas, devido a atrasos do governo federal no repasse de recursos do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação], foi necessário alterar o planejamento inicial. Hoje, as pendências do FNDE com Curitiba somam R$ 794 mil, valor referente a três unidades em construção (CMEIs Portão II, Campo de Santana Timburi e Diadema II)”, informou.

A Prefeitura de Curitiba atende 48.794 crianças de 0 a 5 anos na educação infantil. Em 2012, a rede municipal de ensino contava com 190 CMEIs. Hoje, são 205, 15 unidades a mais, segundo a prefeitura.

Raio-X dos CMEIS na gestão Fruet

CMEI Diadema II está pronta, mas sem data para inaugurar. Foto: Felipe Rosa

Atrasados e em fase de finalização: 10

Diadema II (CIC), Conjunto Prata e Xapinhal III (Bairro Novo), Ganchinho São Luiz (Ganchinho), Moradias Rio Bonito IV (Campo de Santana), São João (Santa Felicidade), Rio Negro II, Portão II (Parolin), Campo de Santana Timburi (Campo de Santana) e Vila Verde II (CIC).

Em construção: 8

Pilarzinho/Vila Nori (Pilarzinho), Moradias Cerro Azul, Ilha Do Mel, Parque Industrial (Capão Raso), União Ferroviária (Cajuru), Novo Mundo, Jardim Ludovica (Pinheirinho) e Moradias Hortênsias (Pinheirinho).

Entregues no primeiro semestre de 2016: 6

Professor Carlos Roberto Antunes dos Santos (Umbará), Ítalo Conti (Cajuru), Flora Munhoz da Rocha (Moradias da Ordem II), Fúlvia Rosemberg (Fazenda Boqueirão II), Laura Santos (Prado Velho) e Gerdt Guenther Hastschbach (Campo de Santana Rio Bonito).

Entregues entre 2013 e 2014: 9

Vila Vitória (Sítio Cercado), Issis Mont Serrat (CIC), Ioko Margareth Hara (Uberaba), Nely Almeida (Prado Velho), Eonídes Teresinha Ferreira (Santo Inácio), Jornalista Juril de Placido e Silva Carnasciali (Campo de Santana), Cora Coralina (Guabirotuba), Iodéia Felício (Sítio Cercado) e Guilherme Canto Darin (Parolin).

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