Uma semana intensa e o Rango Barateza desta vez recorreu ao próprio arquivo da coluna semanal. Relembrar é viver e também salivar. Dos tradicionais aos mais simples e fora do eixo do Centro, os filés ou bifes à parmegianas são sucesso completo e uma moda por Curitiba.
Tire a primeira pedra quem nunca desejou um filé suculento, com bastante molho de tomate e um queijo gratinado por cima. Filé à parmegiana é quase um prato universal: conquista carnívoros e até vegetarianos – reúne a família e os amigos em volta da mesa.
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O prato é brasileiro, apesar de toda influência italiana. Os primeiros parmigianas nasceram da berinjela frita, com molho e queijo – prato típico da região da Sicília e Nápoles.
No começo do século XX, os imigrantes italianos trouxeram a ideia para cá e o brasileiro, como adora adaptar uma receita, foi logo trocando a berinjela pela carne. E foi por volta dos anos 1950 que o prato virou um clássico das cantinas italianas por São Paulo.
Em Curitiba, as cantinas italianas acabam oferecendo o prato, bem suculento e cheio de queijo. Com a praticidade de simplificar, trocar o mignon pelo coxão mole, o parmegiana foi conquistando os restaurantes populares e hoje é figurinha que sempre aparece nos cardápios da cidade.
O Rango Barateza provou vários ao longo dos anos e por isso vou fazer uma listagem dos que já passaram por aqui. Há sempre algum especial que vai acabar faltando na lista. Então, querido leitor, não hesite em citar nos comentários quais são os outros suculentos e indispensáveis parmegianas curitibanos que devem ser obrigatoriamente saboreados.
Parmegiana da Nonna Giovanna

Afinal, não ao acaso, o prato traz quase tudo que o brasileiro ama num almoço trivial: um belo bife, algo empanado, bom molho de tomate, queijo, muito queijo gratinado, há também um arrozinho branco e batata frita. Não dá para esquecer das outras versões que deixam o prato bem democrático: o parmegiana de frango e também o parmegiana de berinjela – outro clássico sem igual.
Na Rua São Francisco, bem no miolinho do Centro Histórico, o Nonna Giovanna oferece parmegiana diariamente, de bife (coxão mole) ou frango. Ele é o carro-chefe da casa e pode ser servido com três das sete opções de acompanhamento da casa: arroz, feijão, salada mista, farofa, maionese, polenta e batata frita.
A escolha mais popular da casa é parmegiana com arroz, salada de batata e polenta frita. Há também a possibilidade do parmegiana acompanhado de massa fresca, seja ela talharim ou espaguete ao sugo.
Parmegiana boêmio do Maneko’s

Virou hype, famosinho, alternativo, e agora cativo entre a juventude que curte um café de barista, um pão de fermentação natural. Se você não experimentou a iguaria, com certeza deve ter ouvido falar dele. No Maneko’s, o seu tradicional parmegiana ganhou as redes sociais e foi replicado aos montes. A clientela sempre foi boa, o prato já era famoso, mas foi logo depois da pandemia que o bar e restaurante tradicional conquistou um novo nicho de clientela.
Um bom pedaço de bife empanado da forma tradicional, com ovos e farinha de rosca. Frito, sequinho e crocante, recebe uma boa camada de queijo muçarela. Por fim, o molho é o que dá a autenticidade dele. Tem sabor de comidinha caseira, de molho de tomate feito pela avó. Pedaços de tomate e cebola, num molho bem grosso, de maneira proposital para não deixar a crocância do parmegiana se perder.
O filé ao molho vem acompanhado de saladinha de alface, agrião, tomate e cebola fininha, arroz soltinho e feijão preto bem temperadinho. O prato vem sem batata – numa proposta bem caseira e brasileira.
Parmegiana do São Francisco

Localizado na Rua São Francisco, bem na região histórica e boêmia de Curitiba, o restaurante inaugurado em 1955 oferece há anos o clássico cardápio de segunda a sábado, no horário do almoço.
O filé à parmegiana do São Francisco é um prato robusto, que poderia ser dividido facilmente entre duas pessoas. Vem uma bela peça de filé grosso ao ponto, com a carne bem rosada, empanada, sobre um delicioso molho. Na cobertura, uma fatia de presunto e queijo derretido. O prato acompanha também saladinha de folhas, cenoura ralada, tomate, cebola, chuchu cozido e maionese de batata. Vem pãozinho francês fatiado, arroz soltinho e batatinha frita.
No Restaurante São Francisco, o empanado é discreto e quase some diante do molho robusto. O que chama a atenção é a altura da carne. Não é um simples filezinho fino empanado, e sim um bom corte, em que é possível ver fibras macias e suculentas da carne – rosado que se confunde com o tom alaranjado do molho.
Parmegiana do Imperial

Não tem como conhecer o Imperial sem provar pelo menos algumas das opções de parmegiana – dizem que é o mais gostoso de Curitiba. Será que é o melhor da cidade, mesmo? Por indicação do Sergio Chueh, empresário que administra a casa, pedi o famoso parmegiana de mignon e provei também o de peito de frango. O prato pequeno na verdade é bem robusto e dá para dividir em duas pessoas se a fome não for gigantesca ao ponto de comer a mesa.
Arroz soltinho, batatinha sequinha e quentinha e o parmegiana. Gente, que delícia. Estou relembrando o sabor dele e salivando aqui. O que deixa o prato especial no Imperial é uma junção de vários fatores: o mignon macio, num filé levemente batido e um pouco alto, servido no ponto que você desejar. O empanado é bom e esconde um segredinho: uma pastinha aromática de manjericão deliciosa.
Agora, o que me pegou de verdade é o molho de tomate. Nem ácido demais, nem leve demais, nem adocicado demais. Ele é consistente, tomatudo, apurado, que casa perfeitamente com a muçarela derretida e o toque de parmesão gratinado. O sal equilibrado, que não se sobressai mesmo com os queijos. Aquele molho delicioso que você combina com o arroz, e traz todo um sentido especial.
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