Com o também campeão alemão Rudi Völler, Marijana Kestic Matthäus e Lothar Mathäus.

Paraná, capital Babel. Curitiba é uma esquina do mundo durante as conferências mundiais de biossegurança e biodiversidade (COP/MOP). São milhares de especialistas dos quatro cantos do mundo reunidos no ExpoTrade, onde se realiza o evento da ONU, com três tradutores por metro quadrado, dizem. E, mesmo assim, não estão dando conta do recado.

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Especialmente depois da renúncia de Lothar Matthäus, os tradutores da delegação alemã se desdobram para explicar ao planeta o que está acontecendo na biosfera do Clube Atlético Paranaense. Até então, os representantes da Alemanha discutiam trivialidades ecológicas. Tipo assim, a influência da ?bompa da chope? na camada de ozônio.

Agora, essa é a principal pergunta que fazem aos alemães:

– O que Lothar Matthäus foi fazer na Alemanha?

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A resposta é uma outra pergunta.

– O que Lothar Matthäus estava fazendo aqui no Brasil?

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Matthäus faz 45 anos amanhã. O Atlético completa 82 aninhos no domingo. É de dar pena o estado psíquico dos alemães, tentando traduzir o inferno astral de Mário Celso Petraglia e separar o lixo que não é lixo da passagem de Lothar Matthäus por Curitiba.

Foram exatos 16 dias de bola na rede, paixões e rock? n? roll; e o ídolo alemão descobriu que não existe pecado no lado de baixo do Equador. A aventura teve um saldo respeitável: seis vitórias, dois empates e um nocaute.

Noves fora possíveis rebentos não contabilizados, que as más línguas insistem em atribuir ao calor senegalesco deste excepcional verão curitibano. Contando com a biodiversidade da beleza brasileira, a influência do buraco de ozônio e outros buracos.

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?O buraco é mais embaixo?, explicou o tradutor da delegação polonesa, lendo a última edição do jornal de maior circulação na Polônia, o ?Gazeta Wyborcza?.

Com exclusividade para a nação rubro-negra, eis a manchete de ontem:

– Lothar Matthaeus odchodzi z Atletico Paranaense (Tradução: Lothar Matthäus saiu do Atlético Paranaense).

E segue o texto: Gwiazda niemieckiej pilki noznej Lothar Matthaeus po dwóch miesiacach pracy zrezygnowal z funkcji trenera brazylijskiego zespolu Atletico Paranaense -poinformowal w sobote dziennik ?Bild?.

– Brakuje mi zony Marijany i dzieci, które zostaly w Budapeszcie. Podróz z Europy do Kurytyby trwa 12 godzin. To bardzo daleko – powiedzial Matthaeus.

(Tradução: A estrela alemã de futebol declarou que ?faz falta minha mulher Marijana e os filhos, que ficaram em Budapeste. A viagem da Europa a Curitiba dura 12 horas. Isto é muito longe?, declarou Matthäus).

Quer dizer, por biossegurança frau Marijana Kestig Matthäus bateu o rolo de macarrão: ?Ou ela (a luxúria tropical), ou eu!?

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O Furacão está nas páginas da ?Oropa, França e Bahia?, na Polônia e até em Pernambuco, capital Recife. Porém, a atmosfera romântica que envolve o CT do Caju está prejudicando a contratação de um substituto para o técnico alemão. Conforme o que rola nas areias da praia da Boa Viagem, após a divulgação da foto comprometedora na revista ?Placar?, o treinador Givanildo, do Santa Cruz, foi impedido por sua mulher de treinar times da capital paranaense, em especial o Atlético. A sra. Givanildo foi enfática: ?Eu soube que Curitiba não é um lugar seguro para um técnico de futebol casado! E o meu Giva não vai para lá e pronto!? *****

É o efeito Matthäus. O clima erótico de Curitiba não afetou apenas o marido da sérvia-montenegrina Marijana Kestig.

Esfregando as mãos, um sueco de dois metros de altura perguntou ao tradutor:

– Who is Molly?

– Molly? Quem é essa tal de Molly, que todo mundo quer conhecer? – saiu pesquisando o tradutor.

O fotógrafo Orlando Kissner, que conhece Curitiba de velhos carnavais, explicou:

– Molly é uma senhora muito famosa no bairro São Braz, onde tem uma bela chácara de muitos cômodos.

– E por que ela é assim tão famosa?

Kissner, o Polaco, ficou numa saia justa, mas não perdeu o rebolado:

– Ela é especialista em organismos vivos modificados.

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Especialistas em biossegurança e biodiversidade estão discutindo um estranho fenômeno ecológico assinalado em Curitiba: a proliferação de pererecas nas nascentes do Rio Iguaçu e no bairro Umbará, especialmente.

?Efeito Matthäus?, esse é o nome científico do fenômeno.