Foram cinqüenta minutos a sós, contados no relógio por uma fonte palaciana que narrou com exclusividade o encontro entre o governador Jaime Lerner e o eleito Roberto Requião. Enquanto assessores acertavam detalhes da transição, os dois históricos adversários políticos se retiraram para uma sala reservada, onde, contrariando as expectativas de um diálogo tenso e muito difícil, a conversa transcorreu amena. Tão amena quanto o mate gelado, batido com limão, servido no transcorrer do encontro.

Requião – Então, companheiro Jaime, que tal o Lula presidente?

Lerner – Assim de longe, está cada dia mais parecido com o falecido presidente Castello Branco.

– Bem lembrado. Sabe aquela da visita de De Gaule ao Brasil? O presidente francês, altão, olha para o baixinho Castello Branco e estranha que ele não tem pescoço:

– C?est drôle, ça… Ce Président n?a pas de cou…

Prontamente, um assessor responde:

– Ele tem sim. Ele não tem é pescoço…

Lerner – Boa, boa, muito boa. Mas sabe a última que está correndo na internet, envolvendo você, o Alvaro, o padre Roque, o Rubens Bueno, o Beto Richa, eu e mais uma pá de gente?

Requião – E o Cassio, não tá no meio?

Lerner – Também. Estavam em um avião, você, eu, o Alvaro Dias, Rubens Bueno, Osmar Dias, Taniguchi, Beto Richa, Padre Roque, Martinez, Belinati, doutor Rosinha, Alborghetti, Rafael Greca. De repente, acontece uma explosão a bordo. O avião despenca de 12 mil metros de altura, bate no solo e explode. Quem se salvou?

Requião – Claro. Quem se salvou foi o Rafael Greca. Depois que botou um balão no estômago, o gordo até flutua.

Lerner – Não. Quem se salvou foi o Estado do Paraná!

Requião – Rá-rá-rá… Boa, muito boa. Mas sabe da última que o padre Roque me contou?

Marx morreu e, claro, foi para o inferno. Mal chegou, armou logo uma revolução: os demônios faziam greve, os caldeirões só funcionavam das 8 às 9, as almas não queriam ser assadas… Lá pelas tantas, o pobre do diabo é que já não agüentava mais e resolveu telefonar pedindo ajuda a São Pedro:

– Alô, Pedrão, estou aqui com o Marx, mas já não agüento mais. O tipo só me arruma encrencas. Eu é que sou o diabo e eu é que estou passando o que o diabo não passa! Por favor, leva essa peste aí para cima por um mês, que numa dessa ele vira um santo…

– Um mês? Está bem, mas não mais do que isso!

Marx vai para o céu. Passa um mês, dois, três… e nada.

Então o diabo resolve telefonar outra vez:

– S. Pedro ? Sim, sou eu, o diabo. Está tudo bem aí em cima?

– Sim, tudo calmo.

– Os anjos estão na rotina de sempre?

– Sim.

– Os santos também?

– Sim, todos estão dando expediente.

– Não há aí nenhuma revolução?

– Não, está tudo calmo…

– Huum, esquisito… e Deus?

– Deus? Deus não existe, é uma criação da burguesia reacionária!

Lerner – Esse padre Roque tem cada uma… Mas, por falar em transição, sabe aquela do judeu Jacó?

Requião – Conta, eu coleciono piada de judeu!

Lerner – Jacó resolveu abrir um boteco. Não passou de um mês e o boteco do Jacó já era um sucesso de público. Até que um dia, com gente vazando pelas janelas, estourou uma briga no meio do salão. O maior quebra-pau. Voavam cadeiras, mesas, garrafas, um horror. Desesperado com tamanha confusão, e não sabendo mais o que fazer, o Jacó sobe no balcão e grita repetidamente:

– Bor favor, freguesia, bor favor: favor quebrar só o necessário!!! Só o necessário, bor favor!

Requião – Ótima! Essa eu vou contar pro Lula. Ele vai adorar.

Lerner – E quanto aos jornalistas que estão esperando?

Requião – Eu saio de fininho por uma porta e você diz aí qualquer coisa pra imprensa.

Lerner – Então, até a posse!

Requião – Inté! E avisa pra mulher do cafezinho que, no meu governo, ela continua: o mate estava uma delícia!

Até sexta-feira, com as últimas e exclusivas notícias de sempre.

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